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Série clássicos não envelhecem: Os Sertões

O clássico não envelhece. Quem aprecia arte sabe.

Uma das coisas que eu mais discordei durante toda a graduação, principalmente no que tange à matéria de Prática Pedagógica, era quando alguns professores eram adeptos à corrente que compara e iguala a leitura de best sellers e afins com clássicos da literatura.

É indiscutível que, no caso de um indivíduo não-leitor, antes ler um livro criado pelo mundo do marketing , que nada, porém, estávamos na Universidade, num curso de licenciatura em Língua POrtuguesa e Inglesa, como assim os clássicos são iguais aos livros feitos mediante pesquisa de mercado?

Óbvio e quase desnecessário dizer da necessidade de adequar a obra ao leitor, claro que aos 10 anos de idade ninguém verá o valor intgral de um clássico, porém, “é de pequeno que se torce o pepino”.

Se desde sempre o leitor for exposto a obras de pouca exigência intelectual e fácil consumo, como apreciará um grande escritor e seus labirintos de escrita?

É a mesma coisa que expor, desde o nascimento, uma criança á refeições com pouco teor de vitaminas e alto índice de gordura. Ela estará alimentada, sim. Bem alimentada? Não.

Sem contar a falta de individualidade. Todos os adolescentes de 4 ou 5 anos atrás, salvo raríssimos exemplares, leram Harry Porter. Todos os adoram. Os mais novos, Crepúsculo…e cresce um sem número de zumbis que têm os mesmíssimos pontos de vista, jeito de falar, vesti, andar, etc. Ser diferente dói. Então, sejamos todos iguais “Assim é bem mais fácil nos controlar“, já cantava, anos e anos atrás, Renato Russo.

Mas, voltando aos clássicos, a ideia para esta série surgiu num revirar de gaveta quando achei um especial do jornal O Estado de São Paulo sobre Euclides da Cunha.

“Os Sertões” foi o primeiro livro “grosso” que li. Estava lá, numa edição de capa dura e lombada dourada, enorme, na estante que meu pai dissera que eu não mexesse. Pois bem, até então, começo de adolescência, só havia lido histórias de amor, não sem choque, descobri que o livro pode trazer histórias duras, secas, para ser literal.

Devorei-o.

Quando me deparei com este especial não pude ler na ocasião e deixei na gaveta do “vou ler um dia”. Este dia chegou e eu compartilho os trechos principais da reportagem:

 

Especial Caderno 2 CULTURA :

Euclides da Cunha 360° a Obra e o Legado de um Intéprete do Brasil

Parte 1 – Euclides da Cunha : um escritor nascido nas páginas do jornal.

Nasci espiritualmente na Província de São Paulo (nome do Estado , fundado em 1875 , durante a monarquia) e nunca me desliguei de seu destino” Euclides da Cunha.

“Em 1952, no cinquentenário de publicação de Os Serões, o jornal estampou em suas páginas um extenso artigo de seu então diretor, o jornalista e político Plínio Barreto, que inicia com as seguintes palavras: “Meio século faz que a gente letrada do Brasil foi surpreendida com o jorro de um vulcão nas principais livrarias . Esse vulcão irrompeu na forma de livro e esse livro, Os Sertões, até hoje ainda espanta as novas gerações pelo vigor da sua linguagem, pelo deslumbramento dos cenários que descreve e pela singularidade dos homens e dos quadros que apresenta.”

” Giles Lapouge comentava a edição francesa de Os Sertões, batizado na França como Hautes Terres. A tradução fora feita por Antoine Seel e pelo brasileiro Jorge Coli. O texto de Lapouge, reproduzido pelo Estado, Saiu originalmente como resenha no cotidiano francês Le Monde. Escreveu Lapouge […]”O livro é belo como o ohar cego de um vidente”.

“Em 21 de setembro de 1997, o Estado assinalou que exatamente um século antes publicava despacho do seu correspondente de guerra, que chegara à região de Canudos. O artigo vinha da localidade de Tanquinho e começava dessa forma: “São dez horas da noite. Traço rapidamente estas notas sob a ramagem opulenta de um joazeiro , enquanto, em torno, todo o acampamento dorme.”

“José Carlos Sebe Bom Meihy falava de insuficiência de estudos sobre Canudos, em especial sobre a religiosidade de Conselheiro: “Sem entendimento da espiritualidade assumida pelos conselheiristas estaremos repetindo a tradição presentificadora e externa àquela comunidade”.

“Em 1.º/12/2002, o caderno CULTURA publicou uma edição comemorativa dos 100 anos de lançamento de Os Sertões.”

“João Ubaldo Ribeiro, Milton Hatoum, Antônio Torres,  Deonísio da Silva, Luiz Antonio de Assis Brasil e Rachel de Queiroz responderam a conco perguntas propostas pelo jornal: quando haviam entrado em contato com o livro, em que medida sentiam-se influenciados por ele, se achavam que Os Sertões ajuda ainda a pensar o País, a quem recomendariam a leitura da obra e se tinham algum trecho preferido dela.”

“O trecho preferido de João Ubaldo Ribeiro é a abertura, que muitos consideram “árida”, “por causa da imponente descrição da terra”.

“Rachel de Queiroz, então cronista do Estado e autora de O Quinze, livro emblemático sobre a seca,preferiu dar um depoimento em lugar de responder às perguntas propostas pelo Cultura. Nele, enfatizava que Os Sertões foi o primeiro livro que trouxe à consciência do País uma imagem do interior do Nordeste.”

“…a obra euclidiana também abriu caminhos para a literatura regionalista, que explodiria nos anos 1930.”

Continua.

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Arquivado em Literatura