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Simone de Beauvoir e os best-sellers

Como evoluímos, minha cara, como evoluímos…

 

” a literatura assume seu sentido e dignidade quando se endereça a indivíduos empenhados em projetos, quando os ajuda a ultrapassarem para horizontes mais amplos; cumpre que ela seja integrada no movimento da transcendência humana; ao passo que a mulher degrada livros e obras de arte abismando-os em sua imanência; o quadro torna-se bibelô, a música, refrão vulgar, o romance um devaneio tão vão quanto uma coifa de crochê. São as americanas  as responsáveis pelo aviltamento dos best-sellers; estes não somente pretendem agradar, como ainda agradar a ociosidade ávidas de evasão.”

 

Simone de Beauvoir In: O segundo Sexo, volume II, p.360.

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Dante e o inferno, quer dizer, a internet

 

dante A divina internet de Dante arte arquitetura

Achei este post do Livros e afins , mas veio por aqui ó: No Cats On The Blog, via Buzz da Lady Rasta.

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A Igreja do Livro Transformador

E pela primeira vez eu pensei em frequentar uma…

Vi aqui.

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Leis de “censura” à internet: tem certeza que você entendeu?

É interessante como pessoas iguais podem se comportar de maneiras diametralmente opostas em relação a um mesmo fato, dependendo apenas da interferência ou não desse fato nas suas vidinhas pacatas.

Recebi há alguns dias um e-mail falando de um abaixo-assinado contra a aprovação do Ato de Proteção à Propriedade Intelectual (PIPA) e do Ato de Combate à Pirataria Online (SOPA). Até alguns dias atrás tinha ouvido comentários a esse respeito. Somente busquei maiores detalhes sobre os projetos que estão em votação no Congresso dos Estados Unidos após o “apagão” de alguns sites, em protesto. Naquele dia todos comentavam o assunto. Saiu artigo de capa até mesmo aqui no PdH.

Ao acessar o tal abaixo-assinado, fui direcionado a uma página que mostra os últimos usuários que a assinaram. Observando esta relação por alguns segundos me impressionei com a quantidade de usuários brasileiros que eram exibidos. Parecia muito maior do que de americanos – que, em tese, seriam mais afetados do que nós por aquelas leis. Em uma conta rápida, cerca de 20% das assinaturas eram de brasileiros.

Quando Eduardo Azeredo apresentou seu infame projeto de lei, que diz respeito diretamente a todos nós, internautas brasileiros, a repercussão foi menor. Muito menor. Você sabe o que havia na versão inicial do projeto do deputado? Sabe que, com alterações, ele já foi aprovado pelo Senado Federal? Sabe que, se as sugestões do Ministério da Justiça e das diversas Polícias forem incorporadas ao projeto pela Câmara dos Deputados, toda a internet brasileira será grampeada? Sim, companheiro, tudo que você fizer na internet ficará registrado, e a polícia terá acesso aos dados sem necessidade de autorização judicial. Bastará uma suspeita de que você tenha praticado cibercrimes.

O que motivou tantos brasileiros, muitos dos quais sequer sabem da existência do “nosso” projeto de lei, a se manifestarem contra os dois projetos americanos? Passei a observar os comentários. A revolta se devia, em todos os casos que observei pessoalmente e em vários fóruns, à possibilidade de sites onde se baixa conteúdo de graça serem “excluídos” da internet. A reclamação começa e termina em “Não poderei mais baixar meus filmes/séries/jogos/músicas!”

Fala-se em censura, em autoritarismo, em corporativismo. Mas não há nenhum comentário sobre as medidas contidas nos projetos que caracterizam a censura, o autoritarismo e o corporativismo. O Congresso dos Estados Unidos é malvado porque quer me impedir de baixar o que eu quiser sem ter que pagar por isso.

Não quero abordar o prejuízo que a pirataria traz para quem compra um produto legal. Nem discutir se a disponibilização de conteúdo em sites de download gratuitos é ou não pirataria, ou se o projeto de Azeredo, que não trata do download ilegal de conteúdo, não foi divulgado porque a malvada mídia manipuladora tem interesse em sua aprovação. O que me deixou intrigado foi o contra-senso: o protesto é válido, mas muitos o estão apoiando para que possam continuar fazendo algo que é criticado também pelos próprios idealizadores do protesto.

As empresas e sites que apoiaram o protesto contra aquelas leis de nomes que soam tão ridículos em português não fizeram isso para que você possa continuar baixando, de graça, conteúdo pelo qual deveria pagar. O que elas repudiam são os métodos de controle e repressão, que podem retirar do ar páginas que não são utilizadas para a pirataria, entre outras coisas.

Será que em breve até nós do PdH teremos que compartilhar arquivos assim?

Se os dois projetos impedissem somente o acesso dos americanos aos sites de download, será que haveria tanto apoio dos brasileiros, ou de usuários do mundo todo? Estaríamos tão preocupados com a censura ou com o “fim da liberdade na internet”? Ou o nosso posicionamento seria “eu vou continuar fazendo meus downloads mesmo, então foda-se”, como ocorreu com o projeto de Azeredo?

Responda, com sinceridade: por que você, que espalha aos quatro ventos que o Congresso americano quer criar uma ditadura digital, foi contra o SOPA e o PIPA? Porque realmente entende todas as implicações de sua aprovação e não concorda com elas? Ou porque, se os projetos forem aprovados, você passará a ter que pagar pelo conteúdo digital que consome?

Vi Aqui

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Lêdo Ivo: “herdeiros famélicos” prejudicam obra de Bandeira

Arquivo Lêdo Ivo / Acervo Instituto Moreira Salles/Divulgação

O poeta Lêdo Ivo critica o controle de herdeiros famélicos sobre a obra de Manuel Bandeira: Nunca vi um parente na casa de Manuel Bandeira. Depois que ...

O poeta Lêdo Ivo critica o controle de “herdeiros famélicos” sobre a obra de Manuel Bandeira: “Nunca vi um parente na casa de Manuel Bandeira. Depois que ele morreu, surgiram os parentes e o controle”

Claudio Leal

Cansado de esbarrar em entraves de direitos autorais, o poeta e jornalista Lêdo Ivo, 86 anos, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), decidiu manifestar-se contra a condução do espólio literário de Manuel Bandeira – controlada por herdeiros indiretos – e pedir à presidente da República, Dilma Rousseff, que torne de utilidade pública a obra do autor de Libertinagem.

Lêdo Ivo dedica a Bandeira um capítulo do seu livro de memórias, “Vento do mar”. Como o projeto é iconográfico, ele deseja utilizar fotografias de seu arquivo – entre elas, a rara imagem de Bandeira com bigode. Surgiu o impasse. Os herdeiros do escritor, representados pelo agente literário Alexandre Teixeira (da Solombra Books), cobraram um valor exorbitante para a reprodução das imagens. O livro está congelado, à espera de um acordo.

Aconselhado pelo editor, Lêdo Ivo escreveu uma carta a Teixeira, também neto da poeta Cecília Meireles, mas até hoje não recebeu nenhuma resposta. Em entrevista a Terra Magazine, ele testemunha a ausência de familiares na casa de Bandeira, durante 30 anos de amizade.

– O que me impressionava em Manuel Bandeira era exatamente a solidão, como ele dizia que havia perdido todas as pessoas… E, ao longo de toda a minha convivência com Manuel Bandeira, eu nunca vi na casa dele, que eu frequentava muito, e em outras ocasiões que eu o acompanhava, nunca vi um parente. Depois que ele morreu, então surgiram os parentes e o controle da obra.

Os herdeiros do poeta são Antônio Manoel Bandeira Ribeiro Cardoso, Carlos Alberto Bandeira Ribeiro Cardoso, José Cláudio Bandeira Ribeiro Cardoso, Maria Helena Cordeiro de Souza Bandeira e Marcos Cordeiro de Souza Bandeira. No mercado literário, Alexandre Teixeira é conhecido pela severidade com que cuida dos direitos autorais. Terra Magazine procurou Teixeira por telefone, na sede da agência, mas não o localizou.

O poeta Lêdo Ivo já teve problemas com a Solombra, por ter sido incluído na lista de autores representados. “Nunca fui, não sou da Solombra, meu nome foi usado indevidamente. Já tem uma comunicação judicial”, ressalta.

Não é o primeiro a ter querelas com o agente. A Sarapuí Produções Artísticas, dona do selo Biscoito Fino, foi processada por ter lançado em DVD o curta-metragem “O Habitante de Pasárgada”, de Fernando Sabino e David Neves. Esse filme reutilizou o curta “O Poeta do Castelo”, de Joaquim Pedro de Andrade, que fez imagens raras do cotidiano de Bandeira. A produtora “Filmes do Serro”, da família Andrade, foi alvo de uma ação judicial similar, em 2010, por ter editado o curta num DVD.

– Acho o seguinte: como esse problema é importante, uma providência da presidenta Dilma seria colocar a obra do Manuel Bandeira e de outros escritores como de utilidade pública – propõe Lêdo Ivo.

Para o membro da ABL, a obra do amigo não pode atender à “gula famélica” dos seus herdeiros indiretos. Ele cobra uma política bem definida do Ministério da Cultura:

– Seria já o tempo de ventilar o problema do direito à imagem no Brasil, a quem pertence a imagem, se é lícito que herdeiros que só aparecem depois da morte dos escritores, com uma gula famélica, se apropriem de uma obra.

Confira a entrevista.

Terra Magazine – Qual é o problema com seu livro?
Lêdo Ivo – O problema é o seguinte: toda vez que há mudança presidencial, inúmeras pessoas dos meios intelectuais, falando em nome dos intelectuais, fazem uma porção de reivindicações, na área cinematográfica, em várias áreas. Na minha opinião há um problema, no Brasil, que precisa ser resolvido, que é o problema da imagem. Nós vivemos na época da imagem, do espetáculo, e o Brasil é um dos países mais rígidos no que tange ao uso da imagem. E eu lhe dou um exemplo…

Qual?
Fui amigo do Manuel Bandeira, uma coisa notória, durou 30 anos, uma convivência hoje até clássica, com um poeta jovem… Essas coisas todas. Isso marcou muito a minha vida. O que me impressionava em Manuel Bandeira era exatamente a solidão, como ele dizia que havia perdido todas as pessoas.

Numa “limpa solidão”.
Uma vida solitária. E, ao longo de toda a minha convivência com Manuel Bandeira, eu nunca vi na casa dele, que eu frequentava muito, e em outras ocasiões que eu o acompanhava, nunca vi um parente. Depois que ele morreu, então surgiram os parentes e o controle da obra. De modo que eu comecei a enfrentar problemas em relação a Manuel Bandeira. Por exemplo, para que uma opinião de Manuel Bandeira sobre mim figurasse num livro – por exemplo, na minha tradução de Rimbaud – foi preciso até pedir autorização aos parentes de Bandeira…

Até uma opinião sobre seu livro?
Até opinião. Agora vou publicar um livro de memórias e vocações, “Vento do mar”, e tem uma parte somente dedicada a Manuel Bandeira, “Cartilha de Pasárgada”, reunindo uma parte das minhas evocações. Como é um livro iconográfico, uma espécie de fotobiografia, eu gostaria de incluir fotos do Manuel Bandeira, que eu tenho numerosíssimas. Dezenas e dezenas de fotos, porque Manuel Bandeira gostava muito de fotografia.

Ele costumava enviar retratos aos amigos, não é isso?
Gostava. Vou lhe contar uma história. Quando já estava muito velhinho e até um pouco, vamos dizer, sensível a certas coisas, uma vez ele resolveu criar o bigode, para depois eu publicar na Tribuna da Imprensa ele de biogode. Uns 15 dias depois eu mandei fotografá-lo de bigode. E eu ainda tenho esse retrato! Uma coisa raríssima! Mais raro do que Clarice Lispector com um gato ou um cachorro (risos). Você veja o grau de intimidade. Me lembro que, quando saiu o retrato dele de bigode, Paulo Francis escreveu um artigo furibundo sobre isso (risos). De qualquer maneira, eu enfrento um problema. Quero publicar um livro e eu não posso usar fotos de Manuel Bandeira porque essas fotos dependem dos herdeiros… E os herdeiros cobram…

Quanto eles cobraram?
Ah, não sei… Não me lembro. Tem um camarada aí chamado Alexandre (Teixeira) que às vezes cobra uns preços mirabolantes… Uma vez, até escrevi uma carta para ele, aconselhado pelo meu editor, e ele nem sequer respondeu. Acho o seguinte: como esse problema é importante, uma providência da presidenta Dilma seria colocar a obra do Manuel Bandeira e de outros escritores como de utilidade pública.

O que ocorre em outros países?
Ah, vou lhe dar um exemplo! Fui à Grécia agora. Mas aí é outro problema de direitos autorais. Lá, os direitos autorais são de 50 anos, aqui é de 70. A literatura brasileira é inteiramente desconhecida na Grécia, só mesmo Paulo Coelho, o único autor brasileiro conhecido. Então, um diplomata e poeta traduziu “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos. E está um problema, que eu não sei se foi resolvido: a lei grega estabelece 50 anos, a lei brasileira 70 anos. O editor brasileiro quer que essa edição seja regida pela lei brasileira. O editor brasileiro quer que seja regida com a lei grega. Não sei como vai ser resolvido. Um clássico como Graciliano Ramos, num país como a Grécia, que não conhece a literatura brasileira… Surgiram esses entraves.

Houve problema também com a obra de Cecília Meireles…
Seria já o tempo de ventilar o problema do direito à imagem no Brasil, a quem pertence a imagem, se é lícito que herdeiros que só aparecem depois da morte dos escritores, com uma gula famélica, se apropriem de uma obra.

E não são herdeiros diretos. Isso agrava?
Não são herdeiros diretos! Manuel Bandeira era solteiro, não teve herdeiros diretos. A única irmã dele morreu. Primos longínquos, etc. É um problema importante, que devia ser ventilado e debatido pelo Ministério da Cultura. No Brasil, a cultura se limita a uma espécie de luta do ponto de vista dos nossos cineastas, saber quem tira mais dinheiro do Estado para os filmes. Há sempre uns grupos famélicos, atrás de todos os ministros da Cultura, pedindo dinheiro para isso e aquilo. Na minha opinião, esses problemas são menores, deveria haver uma política do ministério sobre uma coisa essencial, que é o direto à imagem. A quem pertence a imagem do escritor? Aos herdeiros famélicos? (risos)

Como está sendo essa discussão na Academia Brasileira de Letras?
A Academia é uma instituição muito morosa nesse sentido. Não é o foro adequado. O foro adequado é a cena intelectual como um todo. Posso até suscitar esse problema em março, mas não creio que dê frutos. Pode ser resolvido com o Ministério da Cultura, com a própria presidenta da República, mandando examinar a legislação, saber até que ponto essa legislação é prejudicial à cultura nacional. É uma legislação que impede que um poeta da altura de Manuel Bandeira seja corretamente cultuado.

Agora, vamos a um plano pessoal. O senhor era amigo de Manuel Bandeira. Sente-se agredido por não poder publicar as fotos?
Claro, porque é uma parte de minha vida pessoal. Fui amigo de Manuel Bandeira. Tenho dezenas e dezenas de fotos minhas com Manuel Bandeira… E eu não posso usar essas fotos em que eu estou ao lado de Manuel Bandeira, porque teria que pedir autorização para 50% da foto. É um negócio de louco! Eu estou com Manuel Bandeira e eu não posso usar. Se eu publicar essa foto com Manuel Bandeira, serei processado. Houve até um fato impressionante daquele cineasta baiano, o Glauber Rocha, que fez um filme sobre Di Cavalcanti. Esse filme sumiu inteiramente! A família vetou. Esse problema dos obstáculos, dos entraves, o governo deveria estabelecer uma política para alterar a legislação.

O senhor lançou, pelo Instituto Moreira Salles, um livro de correspondências, “E agora adeus”. Houve problema para usar as cartas?
Desse processo eu não participei. Foi feito pelo instituto, pelo escritor Gilberto Mendonça Teles, que fez as notas de pé de página. De modo que eu ignoro como é que se processou. Só houve minha participação pessoal. Agora, vamos supor que queiram publicar outras cartas. Os herdeiros são os donos até das cartas…

Quem recebe a carta, em tese, não deveria ser o proprietário dos direitos?
Quer dizer, por exemplo, eu devo me considerar proprietário das cartas que João Cabral de Melo Neto mandou para mim. E não a família de João Cabral. Mas aí é outra coisa, porque a família dele sempre foi muito delicada comigo, nunca houve esse problema. Mas é outro problema que deveria ser ventilado. As cartas que Clarice (Lispector) me enviou foram extraviadas, mas podem reaparecer algum dia. E elas pertencem à família de Clarice ou a mim, o destinatário?

Terra Magazine

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Best-Sellers e literatura feminina

Adoro Literatura Feminina. Não literatura para mulher.

A Literatura feminina, pode ser feita, inclusive, por homens, como Madame Bovary, por exemplo. A Literatura para mulher é um nicho editoral que se recicla conforme a época, mas é mais velho que andar para frente.

Voltando à Emma Bovary, esta já lia e era influenciada por folhetins água com açúcar, que  mais para frente na história, foram chamados de livro cor de rosa.

O fato de eu não gostar, não adiciona ou retira qualidade ao gênero.

O que me incomoda é que, de repente, as escritoras que escrevem “femininamente”, como Clarice Lispector e Anne Rice, são colocadas num mesmo balaio editorial facilmente confundido com literatura água com açúcar ou auto ajuda desfarçada.

Historinhas de amor de fácil digestão, títulos nominais, chamadas enormes em livrarias e redes sociais, tramas simples e finais felizes = Literatura feita editorialmente para mulherzinhas.

Mergulhos num subconsciente denso e inadaptável num sistema de vida masculino = Literatura feminina.

Mulheres, conhecei-vos….

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Um papo com Luiz Schwarcz fundador da editora Companhia das Letras

[Fim de Expediente é um dos meus programas favoritos de rádio, toda sexta, às 18 horas, na CBN, Dan Stulbach, José Godoy e Luiz Gustavo Medina [http://g1.globo.com/platb/fimdeexpediente/] e, caso você não possa comparecer às últimas sextas de cada mês para assití-los ao vivo, ou ouvi-los semanalmente no rádio, eles disponibilizam o podcast do programa. Abaixo segue os comentários do José Godoy sobre o programa com Luiz Schwartz.]

No “Fim de expediente” da última sexta, recebemos Luiz Schwarcz, fundador da editora Companhia das Letras, que acaba de completar 25 anos. Não há muita dúvida sobre o papel de protagonista que a empresa exerce em nosso cenário cultural, e o de Schwarcz como o editor mais importante do país nas últimas décadas. Com tantas credenciais, vale a pena refletir sobre algumas das opiniões do entrevistado, em meio à “bagunça” do programa, como ele se referiu. Um papo com Luiz Schwarcz II Por conta dos 25 anos da Cia das Letras, levei ao FDE a relação de obras de ficção mais vendidas no país, na última semana de novembro de 1986, segundo “Veja”, e a comparei com a mesma listagem na semana passada. Se em 1986, entre os dez mais vendidos, três obras eram de Milan Kundera, o segundo lugar de García Marquez, além de Alice Walker e Isabel Allende, a lista atual, como a coluna vem apontando, segue com poucos autores, que se dividem em criadores de séries como “Guerra dos tronos”; que exploram nichos, como vampiros; ou de obras de ficção comercial, como Rick Riordan. Um papo com Luiz Schwarcz III Perguntado se houve nesses 25 anos uma infantilização do nosso leitor, Schwarcz surpreendeu. Apesar de se esperar do editor de um dos catálogos de alta ficção mais invejados do país, uma afirmação de antigos valores, Luiz defendeu uma adaptação de sua empresa aos novos tempos, a esse novo leitor, que vem demandando obras de perfil diferente do que se habituou a associar ao perfil da Cia da Letras. Um papo com Luiz Schwarcz IV A posição do editor parece corroborar o discurso da grande maioria de empresários do mercado cultural. E talvez a afirmação de Schwarcz tenha apenas um papel simbólico maior, por se tratar do incensado mercado de livros. Dois movimentos concomitantes parecem acontecer e se acelerar no país nesses dias. O primeiro é o deslocamento para o papel de protagonista da classe emergente, a quem passa a ser destinada a maior parte dos conteúdos culturais (algo que pode ser observado desde a dublagem de uma fatia cada vez maior de canais a cabo até a preocupação em mostrar essa nova classe na principal telenovela do país). Uma nova forma de consumir cultura O segundo movimento é a exploração de obras mais sofisticadas por institutos culturais e projetos bancados por incentivos, sem fins lucrativos, além de alguns equipamentos do poder público. Organizações como o Instituto Moreira Salles parecem ser os protagonistas deste novo momento, com um espectro de empreendimentos que vai da revista de ensaios “Serrote” à série “Cadernos de Literatura Brasileira”; da rádio digital Batuta, voltada para a memória brasileira, a exposições, edições especiais e um dos maiores acervos iconográficos do país; além de iniciativas como o “dia D”, em homenagem a Carlos Drummond de Andrade. A vantagem é que muitas dessas opções são gratuitas. Você pode ouvir a íntegra da entrevista com Luiz Schwarcz no link abaixo. Acesse o link José Godoy é escritor e editor. Mestre em teoria literária pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), colabora com diversos veículos, como a revista “Legado”, da qual é colunista, e os jornais “Valor Econômico” e “O Globo”. Desde 2006, apresenta o programa “Fim de Expediente”, junto com Dan Stulbach e Luiz Gustavo Medina. O blog do programa está no portal G1. Entre em contato pelo e-mail zegodoy@hotmail.com

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Diferença de salario é maior por escolaridade

Categoria: Trabalho

Os homens ainda são maioria no mercado de trabalho e possuem salário maior que o das mulheres, segundo o Cadastro Central de Empresas 2009 (Cempre), divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE). Mas, ao contrário do que ocorria no passado, o gênero não é mais tão determinante para o sucesso profissional. O que impulsiona o salário atualmente é o nível de escolaridade.

Embora os homens ganhassem 24,1% a mais do que as mulheres, segundo a média nacional, a escolaridade mostrou-se mais determinante para o nível salarial. Os trabalhadores que tinham curso superior ganhavam um salário 225% maior do que os que não concluíram a faculdade.

De um montante de 40,2 milhões de trabalhadores assalariados, 33,6 milhões não tinham nível superior (83,5%) contra apenas 6,6 milhões de pessoas com curso superior (16,5%). No entanto, essa fatia de trabalhadores que concluíram a faculdade concentrou R$ 310,6 bilhões, ou 39,7% da massa salarial, enquanto os outros R$ 471,3 bilhões, ou 60,3%, foram distribuídos entre os trabalhadores com menor escolaridade.

O salário médio mensal, em 2009, foi de R$ 1.540,59 ou 3,3 salários mínimos. Os homens receberam, em média, R$ 1.682,07, ou 3,6 salários, enquanto as mulheres receberam R$ 1.346,16, ou 2,9 salários. O levantamento foi conduzido com 4,8 milhões de empresas e organizações, que reuniam 40,2 milhões de assalariados, sendo que 23,4 milhões (58,1%) eram homens e 33,6 milhões (83,5%) não tinham nível superior. Daniela Amorim

via: Estadão

*PS:

Muitos artigos científicos apontam para o grau de escolaridade como fator de risco para a população, quanto mais baixo, menos conhecimento acerca da própria saúde e de como se tratar.

Vamos estudar meu povo!

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Fim do mundo, ausência e função da Literatura

Coisas absurdas que acontecem.

Hoje soube de um caso de um paciente, idoso, que foi atropelado dentro de um hospital.

Mas isso não é tudo.

Foi atropelado por uma enfermeira, que, não obstante estar ao celular, enquanto dirigia dentro do hospital ainda omitiu socorro.

Vou repitir: OMITIU SOCORRO!

Eu acho que é mesmo o fim dos tempos.

Mas mudando de assunto, estive ausente por uns dias, mas retornei cheia de posts novos para vocês.

Este texto que segue abaixo serve como lição para as pessoas que não veem, função para a literatura. Não quero que parça que todo mundo que lê é legal. Conheço pessoas que leram muito, e coisas ótimas, e no entanto, são um zero à extrema esquerda. Mas são excessões.

Acredito que uma pessoa que já tenha tido a alma tocada por uma obra de arte literária não cometeria certas maluquices que temos hoje em dia.

Segue o texto:

Pela humanidade literária

Hoje acordamos máquinas. Despertamos com um barulho estridente que liga automaticamente nosso piloto automático, iniciando mais uma vez o processo que chamamos de rotina, mas que poderia facilmente ser denominado sequência produtiva. Já não pensamos, fazemos; não questionamos, obedecemos; não refletimos, concordamos; não andamos ou falamos, dirigimo-nos; não amamos, temos relações afetivas.

Pela humanidade na Literatura

Ao mesmo tempo em que nos tornamos androides, escravos de nós mesmos, há quem questione a validade do ensino das ciências humanas como algo sem fins práticos, produtivos, ou objetivos, e nesse questionamento a literatura costuma ser o principal alvo daqueles que não conseguem enxergar além da tela de seus computadores e de suas pretensas ciências exatas que, como a filosofia constatou há muito tempo, só são exatas por serem abstratas.

Na sociedade pós-moderna, ao contrário do que pensam os cavaleiros do apocalipse literário, a literatura assume um papel que vai muito além da propagandística “viagem” ou do fantasmagórico “mundo fantástico” que ela pode criar. Essa ideia de mundo imaginário, apesar de importante para leitores experientes, acaba por reafirmar o conceito, às vezes doentio, de fuga do real – um sentido prático que a literatura não necessita e que, aliás, faz proliferar livros de autoajuda nas prateleiras das livrarias. Literatura não é fuga, é encontro; uma forma de termos contato e de entendermos nossas facetas mais íntimas, nossos comportamentos mais inesperados, nossas reações mais previsíveis. As nossas e as dos outros, pois é no outro que constituímos nossa identidade e passamos a conhecer melhor o ser humano que somos.

Nesse sentido, há diversos gêneros literários capazes de nos lembrar ininterruptamente de que, por trás daquele monte de páginas, existe uma vida – uma vida com seus conflitos, seus prazeres e seus pesares.

Mas certamente nenhum deles é tão intenso como o gênero autobiográfico.

Solo de Clarineta vol. 1 - Érico Veríssimo

Revivendo as memórias de uma personalidade modelo, somos levados a refletir não apenas sobre simples fatos cronológicos de sua vida, mas também sobre nossa própria postura perante o mundo, nossas vivências e comportamentos em situações das mais diversas. Somos outra pessoa após acompanhar, por exemplo, a trajetória de vida de Érico Veríssimo em seu Solo de Clarineta, livro de memórias no qual o autor de O Tempo e o Vento, expõe de forma vívida e sonora as personagens que fizeram parte de sua vida e como suas relações com cada uma delas vieram a formar, antes de um dos maiores escritores brasileiros, o homem que vê a própria vida como um grande concerto no qual a falência da família, a separação dos pais, as dificuldades para estudar e trabalhar, a falta de perspectivas, e profundas reflexões sobre o ato de escrever contrastam com fatos caricatos da infância, leituras maravilhosas, idas ao cinema, experiências no internato, a felicidade e a agonia das primeiras publicações, viagens pelo mundo, sucesso repentino, casamento e filhos.

Não pense você, contudo, que uma simples narração de fatos acontecidos é suficiente para criar uma obra de arte da envergadura de Solo de Clarineta. Os acontecimentos em si, aliás, são elementos secundários na narrativa que prima por um teor artístico que acaba por criar, em muitas passagens, um ambiente que beira o ficcional – ou ao menos nos faz refletir sobre a impossibilidade de narrar a Verdade de qualquer episódio de uma vida, já que tudo passa pelo filtro de nossa interpretação, de nossa visão de mundo. Ao longo da narrativa, muitos assuntos são abordados com um toque metafísico bastante incomum, principalmente para uma literatura sul-riograndense e toda sua tradição construída em torno do macho guerreiro, imperador do pampa, que dificilmente admitiria que suas palavras “como que se desfaziam em geada no ar”, ou metáforas semelhantes das quais Érico se utiliza.

Portanto, é essa possibilidade de representar as notas mais graves, bem como as mais agudas, sem descuidar-se dos meios-tons, muito bem explorada por Veríssimo e vários outros escritores, que torna a literatura um meio (e não, como muitos querem, uma mecânica ferramenta) de manter humana uma sociedade cujos valores aproximam-se cada vez mais de uma desumanidade maquinal e mórbida, regida por padrões de produtividade, metas e estatísticas, ao invés de metamorfoses de sentimentos, valores universais ou bilhetinhos para a namorada.

Via Lendo.org

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Ganhador do Pulitzer mora ilegalmente nos EUA

E a vida de escritor, sempre fácil…
O filipino José Antonio Vargas pode ser deportado. Ele diz que prefere revelar a verdade
José Antonio Vargas, embora repórter premiado, pode ser deportado

O jornalista filipino José Antonio Vargas, de 30 anos, ganhou o Pulitzer, o mais importante prêmio do jornalismo americano, mas é um imigrante vivendo ilegalmente nos Estados Unidos. Ele revelou sua história no artigo “Minha vida como imigrante sem documentos”, publicado no “New York Times”.

Cansado de fugir e de enganar o Estado, Vargas diz que está “esgotado”. “Não quero essa vida.” Ele ganhou o Pulitzer (compartilhado), em 2007, com uma reportagem sobre o tiroteio na Universidade de Virginia. O repórter diz que, apesar de sua bem-sucedida carreira, continua vivendo com documentos falsos — o que o deixa aflito.

Com documentos falsos — obtido “graças a elaboradas mentiras” —, começou a trabalhar no “Washington Post”, o célebre jornal americano que derrubou o presidente Richard Nixon, como “bolsista”, em 2003. Em seguida, foi para o “Huffington Post”.

Em 1993, a mãe de Vargas o apresentou a um homem, apontado como seu tio, que o levaria para os Estados Unidos. Ela explicou que, se alguém perguntasse o que iria fazer nos Estados Unidos, deveria dizer que estava viajando para conhecer a Disneylândia. “Na verdade”, segundo o jornal espanhol “ABC”, “Vargas iria morar om seus avós”. A mãe viajaria mais tarde, o que não aconteceu.

Embora pudesse continuar com a farsa, Vargas decidiu revelar a verdade, segundo sua versão, “para lutar pelos direitos dos imigrantes e pelo Dream Act, um projeto de lei parado no Congresso que legalizaria todos os jovens que chegaram aos Estados Unidos com menos de 16 anos e desejam estudar ou ingressar no Exército”. Pode ser verdade. Talvez a razão de Vargas seja mais pessoal. Se desmascarado, sua carreira seria encerrada, possivelmente com uma demissão. Contando sua própria história, certamente atenua sua “culpa”.

Vargas, que criou uma página na internet, diz ter consciência de que pode ser deportado. Se o governo tentar, o jornalismo e as entidades de direitos humanos certamente ficarão ao seu lado. Afinal, não é qualquer dia que se expulsa dos Estados Unidos, a suposta “terra da liberdade”, um profissional que ganhou o mais consagrador prêmio jornalístico dos Estados Unidos.

Via Jornal Opção

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