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Restrospectiva de Leituras 2012 – Memórias de uma moça bem comportada

Feminismo, feminismo, feminismo, lendo muito e sabendo pouco, após a peça “Viver sem tempos Mornos”, brilhantemente encenada e dirigida por Fernanda Montenegro percebi que já havia passado da hora de efetivamente conhecer essa moça tão revolucionária.

Francesa, atea, criada num meio burguês, educada catolicamente, foi , sem dúvida, a mulher mais importante da filosofia do século XX.

Minha ideia primeira era ler o Segundo Sexo, porém, como é difícil achar este livro, comecei pelo primeiro livro de memórias da autora.

Devo confessar, o início é um pouco maçante enquanto Simone discreve sua infância detalhadamente, porém, vencido isto, suas reflexões, o início do amadurecimento de suas ideias e sua racionalidade tão cristalina são cativantes.

Pois bem, foi  a partir de Memórias de uma moça bem-comportada, que iniciei meus contatos com srta. Beauvoir, e digo-lhes, não fui mais a mesma…

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A explicação do “Segundo Sexo”

“Meu ensaio se chamará “O segundo sexo. Em francês soa bem, porque sempre chamam os homossexuais de “terceiro sexo”, sem mencionar que as mulheres vêm em segundo, e não simplesmente em igualdade com os homens, a hierarquia fica subentendida. Que grande livro será este! Cheio de histórias divertidas”

 

Simone de Beauvoir explicando o título de sua mais famosa obra a Nelson Algreen. In: Cartas a Nelson ALgreen: um amor transatlântico. Nova Fronteira:p.116.

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Dos livros que mudam a vida: O Segundo Sexo – Simone de Beauvoir

Simone de Beauvoir foi escritora, filósofa existencialista e feminista francesa. Teve uma educação burguesa e cristã e tornou-se nome fundamental na história do feminismo mundial.

Quando, em 1949, Simone lançou o ensaio “O Segundo Sexo”, disse em entrevista que esperava que seu livro fosse superado. Infelizmente, a sua obra permanece atualíssima nos dias de hoje.

Com a célebre frase “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”, o livro inicia a problemática da interferência social e comportamental sob a existência da mulher, tornando características sintéticas em comportamentos tidos como “naturais” ao sexo feminino.

O livro ainda trata da vida da mulher perante a adolescência, a sexualidade, a experiência sexual, a homossexualidade, a prostituição, o casamento, a maternidade, a velhice e as relações de trabalho.

Com colocações relevantes e atuais, Simone discorre sobre a mulher com a propriedade que só uma pensadora como ela poderia demonstrar, sem mistificação ou exaltações , ela revela um panorama necessário ao desenvolvimento de um feminismo saudável que garante a independência de comportamento e pensamento de mulheres até hoje.

Leitura para lá de recomendada à mulheres e homens de todas as idades.

 

 

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As revistas femininas

Li outro dia este post no site papodehomem, e juro, tirei o Segundo Sexo, de cima da mesa, por respeito à Simone de Beauvoir, meu Deus tanta luta para isto:

Qual é a função das revistas femininas?

Semana passada, a Revista NOVA causou polêmica com uma matéria que  ensinava mulheres a espionar seus homens.

 

O texto começa assim:

“Ok, fuçar na vida do seu querido não é uma conduta digna de elogios. Mas com um pouco de observação à paisana, você descobre mais sobre a vida secreta dele do que sonha a vã filosofia masculina. NOVA entrevistou sociólogos e detetives e montou um curso completo para espiãs da Investigação Amorosa. Ele é dividido em três níveis: iniciante, para descobrir informações de um homem que acabou de conhecer; intermediário, que indica se ele deve ser seu próximo namorado; e avançado, com manobras arriscadas usadas apenas para confirmar indícios de traição. Veja, já!”

Por enquanto, temos apenas o primeiro nível, “inspeção sutil”. Teoricamente, os outros devem vir em breve. Alguns exemplos:

No congelador

Procurar por sinais de que ele gosta de receber visitas, como copos gelados de cerveja. Bandejas de carne? Bom cozinheiro. Se vir refeições light, desconfie: pode ter outra. Repare na quantidade de gelo em cima da caixa para saber se está lá há muito tempo. …

Na caixa de remédios

Procurar por medicamentos que revelem disfunção sexual, depressão, ansiedade ou transtorno de atenção.

Se for pega: queixe-se de dor de cabeça.

Abaixo, algumas reflexões inspiradas por esse grande marco do jornalismo brasileiro contemporâneo.

Antes que me acusem de escrever um texto antimulher em um site masculino, cabe o alerta: tudo, literalmente tudo, que se vai dizer vale para ambos os sexos. Revistas masculinas podem até ser bem diferentes das femininas (detalhes abaixo), mas nenhum gênero ganha do outro em loucura, psicopatia, narcisismo.

Começamos com as revistas femininas e, antes do fim, abraçamos o mundo.

Qual é a função das revistas femininas?

Experimente ler as chamadas acima, na íntegra

Revistas femininas adotam um tom paternalista de autoridade. As capas são repletas de imperativos nos mais variados tons de urgência. Parecem ver a leitora como uma escrava que trocou de dono: passou de estar sob o domínio da mãe e do pai (e da Capricho), para o domínio do marido, ou homem de modo geral (e da NOVA).

Essas revistas, em sua insistência em arrumar maneiras para manter, segurar, conquistar, agradar seu homem, são cúmplices e continuadoras do poder masculino: imaginam uma leitora ideal que (será que existe?) obedece e agrada seu homem quando ele está por perto e, quando ele não está, lê NOVA para aprender dicas de como agradá-lo ainda mais. De qualquer modo, sua vida sempre gira em torno do prazer do seu homem, seja quando aprende 100 dicas pra perder aqueles últimos duzentos gramas, ou novas formas de malhar a panturrilha enquanto cozinha e faz a cama.

Na sátira abaixo, do site The Onion, cientistas da revista Cosmopolitan, versão norte-americana da NOVA, se orgulham de ter mapeado todas as maneiras possíveis e imaginárias de agradar seu homem — teoricamente, segundo essas revistas, não haveria nada mais importante na vida de uma mulher do que ficar se virando em maneiras de agradar os homens.
Link YouTube | ‘Cosmopolitan’ Completes Study On How To Please Your Man.

Não que sejam inteiramente perversas, cabe ressaltar: cumprem lá sua função social. Como me disse uma amiga:

“Foi na NOVA e na Capricho que aprendi que sexo não era necessariamente prova de amor e que, pasmem, eu também podia ter fetiches!”

Já escrevi aqui para o PapodeHomem sobre o Teste Bechdel, cujo objetivo é chamar atenção para o fato de grande parte da produção cultural contemporânea ser feita por homens, para homens, sobre homens. Para passar no teste, um filme precisa somente atender um requisito aparentemente simples:

“Existem duas ou mais personagens femininas que conversam entre si sobre um assunto que não seja homem?”

Folheando uma NOVA dá pra pensar: será que revistas assim estão formando mulheres ou simplesmente treinando gueixas sem cérebro nem discernimento para prazer dos homens do mundo?

Ou, em outras palavras, quantas matérias da NOVA passariam no Teste Bechdel?
Link YouTube | O teste Bechdel, bem explicadinho. Em inglês.

Como dizem por aí:

A Capricho é para a menina que sonha com sexo, a Gloss para a que arranjou e está tentando fazer direito, a NOVA para a que arranjou, não gostou e está procurando um jeito de ver se acha alguma graça nele, e a Cláudia para a que já desistiu.

Vale a pena ler o Manifesto da Revista TPM. Como todo manifesto, ele é infinitamente mais fácil de articular do que de praticar.

Parêntese sobre revistas masculinas

Falei de revistas femininas e não seria certo deixar de fazer o mesmo comentário sobre as masculinas.

As revistas masculinas tendem a ser menos nocivas aos homens do que as femininas às mulheres.

Elas se colocam em um patamar ligeiramente acima do leitor, mas não muito:

“Dirijo carros melhores, estou mais avançado na carreira, viajo mais, como mulheres mais bonitas, mas não sou o Eike Batista e você, um pobre proletário: sou seu irmão mais velho, basta me ouvir e não fazer nenhuma grande merda e você chega lá”.

Por isso, enquanto nas revistas femininas, o tom é de autoridade paternal-imperativa, nas masculinas é de autoridade fraterna-mentoral. Para o leitor, a revista funciona menos como uma figura paterna autoritária que dá ordens e mais como um Yoda que libera seu potencial de herói.

(Matar simbolicamente o pai faz parte da jornada psicológica interna de todo homem. Então, as revistas masculinas tomam cuidado de não assumir uma persona que será inevitavelmente morta e superada. Afinal, mesmo morto o pai, a necessidade de figuras mentorais continua.)

"Acho que tem um bicho nas minhas costas..."“Acho que tem um bicho nas minhas costas…”

Nos seus piores momentos, essas revistas perdem a mão e assumem um tom cagarregra pentelho, apesar de nunca se tornaram tirânicas como as femininas. Nos melhores, se tornam verdadeiros gurus para jovens em formação.

Naturalmente, tudo o que falei se aplica também ao PapodeHomem. Parte da nossa luta diária é contribuir para a formação de jovens homens sem lhes cagar regras e respeitando sua inteligência. Nem sempre conseguimos.

Mas tudo bem, o dia de amanhã está aí pra isso.

Narcisismo é não querer mudar

O PapodeHomem traduz e republica no Brasil alguns dos melhores artigos d’O Último Psiquiatra, um dos mais geniais blogueiros do mundo. Vou citar um trecho de seu artigo mais recente, que você deveria ler inteiro:

O objetivo dos mecanismos de defesa é impedi-lo de mudar. Para que depois do trauma da separação ou da perda, você ainda seja você. Mais triste/envergonhado/impotente/enfurecido/deprimido, tudo bem, contanto que você continue a ser aquele mesmo cara.

Isso é que faz o tratamento do narcisismo particularmente difícil: a característica número 1 da patologia é a preservação da identidade.

“Eu quero mudar”.

Não. Você quer ser mais feliz, claro, ter mais sucesso, sentir amor, beber menos, mas você quer continuar a ser você.

Só que não vai funcionar. A identidade que você escolheu é uma merda, pergunte a qualquer um. Mudança só é possível quando você diz:

“Quero parar de fazer os outros chorarem.”

O primeiro passo não é admitir que você tem um problema, mas identificar precisamente como você é um problema para os outros.

Quem procura, acha

Um dos melhores programas de TV a surgir no ano passado foi a série britânica Black Mirror, da BBC. Na época, escrevi para o PapodeHomem sobre o primeiro episódio, “The National Anthem”. Mas é o terceiro episódio, entretanto, “The Entire History Of You”, que tem a ver com o texto de hoje.

Em um futuro próximo, as pessoas dispõem de implantes oculares que lhes permitem gravar, estocar e rever tudo o que viram. Na primeira cena, quando um personagem volta de uma avaliação profissional na qual acha que não foi bem, seus amigos lhe pedem para passar as imagens no telão da sala, para que possam dar sua opinião.
Link YouTube | Blaack Mirror: The Entire History Of You.

Não é difícil antecipar o próximo passo, não? Se a leitora de NOVA chega ao ponto de inspecionar a geladeira e medir a crosta de gelo em cima da “refeição light”, imaginem o que ela faria se seu homem estivesse ali dormindo, ao seu lado, com todas as suas memórias implantadas e disponíveis para visualização?

Não vou entregar o final do episódio. Vale a pena assistir.

Não precisamos coçar nossas coceiras

Eu me pergunto: quem escreve, lê, edita, PRECISA de uma matéria como essa da NOVA?

Quem é essa pessoa insegura e paranoica que, ao invés de procurar ajuda, de tentar mudar, de segurar sua onda, de buscar segurança interna… corre atrás de uma matéria que não só valida sua paranoia mas ainda lhe ensina a dar vazão ao seu comportamento praticamente criminoso?

Quem é essa revista que, ao invés de entrevistar psicólogos que digam que esses tipos de instintos paranoicos não são normais nem saudáveis, que talvez indiquem coisas profundamente erradas tanto no relacionamento quanto na pessoa paranoica… corre atrás de “sociólogos” (sic!) e detetives para montar “um curso completo para espiãs da investigação amorosa”?

Sim, todo mundo já sentiu aquela vontade de futucar o celular da pessoa amada. Todo mundo já abriu o computador uma vez… e o facebook do outro ainda estava conectado. Hmm, o que custa abrir só as conversas dela com a melhor amiga dela e buscar “alex” e “tamanho do pau”? Hmmm.

Mas alguém não sabe que isso é errado?

Você, quando não segura sua onda, fica assim.Você, quando não segura sua onda, fica assim.

Instintos nocivos a gente sente o dia todo. Sentimos vontades terríveis e inconfessáveis diariamente. E, mesmo assim, todo santo dia, a esmagadora maioria de nós não mata e não estupra, não invade e não agride. Porque, apesar da vontade às vezes ser quase incontrolável, ela é sim controlável.

Porque todo dia nós decidimos que não vamos ser uma pessoa que mata e que estupra, que invade e que agride.

Não que isso seja lá um grande mérito. É nossa obrigação de seres humanos civilizados.

Mas é prova de que, sim, dá pra segurar nossa onda. Dá pra segurar a onda de xingar a empregada que quebrou o prato. Dá pra segurar a onda de atropelar a vizinha chata. Dá pra segurar a onda de vasculhar o armário de remédios do peguete.

Não precisamos coçar nossas coceiras.

Você é o que você faz

Eu não quero ser a pessoa que desconfia da namorada. Eu não quero fazer perguntas traiçoeiras cujas respostas eu já sei. Eu não quero ler um email que não foi escrito para mim.

Eu decidi que não quero ser essa pessoa. Eu não sou essa pessoa. Eu não sou essa pessoa porque eu não quero ser essa pessoa. Eu não sou essa pessoa porque 99,99% de tudo o que acontece no universo (provavelmente mais) está fora do meu controle, mas eu pelo menos ainda tenho controle sobre algumas coisas: eu é que decido se eu vou ser uma pessoa babaca e cri-cri e ciumenta e desonesta e desconfiada.

Poucos conselhos são mais canalhas do que o clássico “seja você mesmo”. A maioria dos problemas do mundo veio de gente que estava simplesmente sendo si próprio. Mais importante do que “ser você mesmo” é ser quem você quer ser. Todas as forças do universo nos impelem a nos conformarmos, a aceitarmos as regras do mundo, a cedermos, nos moldarmos. Ser a pessoa que você quer ser é uma das tarefas mais difíceis do mundo. É uma luta diária, surda, interna, contra seus próprios preconceitos, suas mesquinharias, seus egoísmos.

Quer ser menos invejoso, menos ciumento, menos egoísta? Então, seja.

Ser quem você quer ser é o mínimo que deve a si mesmo. Se você não é nem isso, então você não é nada.

(Dois de meus melhores textos são sobre isso: “alex, como faço para ser uma pessoa melhor?” & você é o que você faz)

O inferno são os outros

Ceder aos nossos piores instintos é uma descida ao abismo.

É engraçado que a NOVA chama suas dicas de “inspeção sutil” mas, sinceramente, quando você se torna finalmente a pessoa que mede a crosta de gelo do refrigerador do seu namorado, os passos seguintes vão se tornando ainda mais fáceis e irresistíveis. Afinal, se você ativamente já vigia o histórico do browser do seu namorado, poxa, o que tem de mais ler as mensagens do Facebook que ele esqueceu logado? Um pecado é ativo; o outro, passivo.

Mas a descida literalmente não tem fim, pois ela não é só prática e concreta, ela é também uma descida filosófica e abstrata.

Em um primeiro momento, essa pulsão parece ser possível de ser satisfeita. Só uma olhadinha no porta-luvas e, pronto!, estou tranquila.

Pena que não é verdade. Porque uma pessoa que precise olhar no porta-luvas para ficar tranquila é IMPOSSÍVEL de ser tranquilizada. Ela jamais estará tranquila. Nem com esse homem nem com nenhum outro.

Porque nunca dá pra saber o que está dentro de outra pessoa. Porque o inferno são os outros. Porque os outros são e sempre serão o maior e mais insondável mistério da experiência humana. Porque os outros são um buraco negro sem fim. O que é cruzar o Atlântico, ir a Marte ou explorar a Fossa das Marianas comparado à penetrar os sentimentos do namorado?

Explorar a Fossa das Marianas ou realmente conhecer outra pessoa? Escolha a primeira opção.Explorar a Fossa das Marianas ou realmente conhecer outra pessoa? Escolha a primeira opção.

Sim, ele diz que te ama, sim, ele te dá presentes, sim, ele passa boa parte do tempo livre ao seu lado…. mas será que ele gosta de VERDADE de você? Será que ele não pensa em outras mulheres enquanto te penetra? Será que ela não gostava mais do ex-namorado atleta pauzudo?

E, no meio do desespero surdo causado pelo eco dessas perguntas, você pensa:

Não sei, não sei, não sei, mas deixa só eu dar uma olhadinho no cesto de roupa suja… Se ele não tiver copos gelados no refrigerador, então, tudo vai ficar bem.

Mas não vai, né? Não tem como ficar bem. Nenhum outro pode passar num teste tão exigente. Quem procura, acha. Sempre.

As provas estão aí para ser interpretadas ao bel-prazer da acusação.

O paradoxo de Zeno

E nunca é o suficiente.

Como no paradoxo de Zeno, a flecha disparada nunca consegue chegar ao alvo, pois quando ela percorre metade do trajeto, ainda falta a outra metade; e quando ela percorre a metade do percurso que faltava, ainda continua faltando a outra metade; e assim sucessivamente, o alvo cada vez mais perto e cada vez mais inatingível, pois falta sempre a última metade, e mais a última e a última.
Link YouTube | O Paradoxo de Zeno, bem explicadinho, na versão do coelho e da tartaruga.

A leitora da NOVA é a flecha de Zeno. Depois de vasculhar a geladeira, falta a roupa suja. Depois do histórico do browser, falta quebrar o email. Depois de lidos os sms, falta o contexto. Mas, no fundo, a seta nunca chega ao alvo. Porque o que a pessoa desequilibrada quer é penetrar dentro dos sentimentos do outro e isso é impossível. Ela pode violá-lo, persegui-lo, matá-lo, dissecá-lo… mas nunca entrar realmente nele.

Mais fácil explorar a Fossa das Marianas.

A única vitória possível está em não lutar. A paz vem não da resposta à irrespondível pergunta:

“Será que ele gosta de mim”

Mas sim de se perguntar:

Por que preciso disso pra saber se ele gosta de mim? O que está faltando em MIM que nenhum OUTRO poderia fornecer?

E, mais importante:

Como buscar ajuda? Como mudar? Como deixar de ser uma pessoa que violenta a intimidade e agride a privacidade das pessoas mais próximas a mim?

Dedicatória & agradecimentos

Um escritor é tão bom quanto seus interlocutores. Esse texto não existiria se o Fernando não só se dispusesse a conversar comigo como ainda me permitisse incorporar muitos de seus próprios comentários ao texto como se fossem meus e, mais ainda, lesse o rascunho com cuidado, me forçando a cortar todos os trechos pelos quais eu teria sido fatalmente linchado. Na dúvida, considerem que as melhores sacadas são todas dele. O texto também não existiria sem um editor-chefe como o Guilherme que sabe melhor que eu os

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Simone de Beauvoir e os best-sellers

Como evoluímos, minha cara, como evoluímos…

 

” a literatura assume seu sentido e dignidade quando se endereça a indivíduos empenhados em projetos, quando os ajuda a ultrapassarem para horizontes mais amplos; cumpre que ela seja integrada no movimento da transcendência humana; ao passo que a mulher degrada livros e obras de arte abismando-os em sua imanência; o quadro torna-se bibelô, a música, refrão vulgar, o romance um devaneio tão vão quanto uma coifa de crochê. São as americanas  as responsáveis pelo aviltamento dos best-sellers; estes não somente pretendem agradar, como ainda agradar a ociosidade ávidas de evasão.”

 

Simone de Beauvoir In: O segundo Sexo, volume II, p.360.

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Toda Mulher Simone de Beauvoir A (Deise Quintiliano)

 

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10 musas da literatura (Advinhe de quem é o primeiro lugar)

As 10 musas da literatura

Existe uma tese (representada pelo gráfico abaixo) que defende que quanto melhor uma mulher escreve, mais feia ela é. Nós discordamos. É lógico que existem alguns casos que corroboram com a teoria. Porém, selecionamos algumas boas provas contrárias.
Para falar sobre as musas da literatura não podemos apenas contrariar a teoria acima. O assunto é muito mais… interessante.  A beleza não poderia ser nosso único parâmetro, simplesmente porque para ser musa não basta ser bonita. Se fosse o caso, chamaríamos nossa lista de “as escritoras mais gatas” ou algum outro título semelhante.
Procurávamos por 10 escritoras que, além de serem surpreendentemente belas, tivessem alguma qualidade literária, umas em menor grau, outras em maior grau. Normal. Procurávamos, também, criar uma lista eclética (eita palavra odiosa), com escritoras de países e épocas diferentes.  Para nossa felicidade – e dificuldade na hora da seleção – encontramos bem mais do que dez nomes. Encontramos também ótimas histórias para contar sobre todas elas. Sem mais enrolação, vamos lá,
Eis nossas 10 musas da literatura:
#10 Colette
Sidonie-Gabrielle Claudine Colette Gauthiers-Villars de Jouvanel Goudeket
Saint-Sauveur Pulsaye, França, 1873
Obra selecionada: Gigi
Como você já deve ter percebido, Colette foi uma figura exótica. Sua literatura é considerada uma defesa à liberação moral, cheia de feminilidade e sexualidade, temas inspirados na sua segunda profissão: dançarina de cabaré. A escritora foi a segunda mulher a receber a Legião de Honra, foi eleita para a Real Academia Francesa e teve uma amizade duradoura com a Rainha Elizabeth. Sua popularidade era tamanha que, quando morreu, em 1954, recebeu as honras de um funeral de Estado. Isso é que é perfil. E ainda era considerada, digamos assim, um sex symbol no começo do século XX.
#9 Marisha Pessl
Marisha Pessl
Detroit, Estados Unidos, 1977
Obra selecionada: Tópicos Especiais em Fisica das Calamidades
Por enquanto, Marisha Pessl é escritora de um só livro: Tópicos especiais em física das calamidades. Lançado em 2006, fez um sucesso considerável lá fora, chegando à lista de best-sellers do New York Times. Pra ser sincero, as poucas páginas que li não conseguiram me convencer do talento literário da moça, mas uma coisa é inegável: quando o assunto é escritoras, sua beleza está bem acima da média.
#8 Sylvia Plath
Sylvia Plath
Boston, Estados Unidos, 1932
Obra selecionada: The Colossus and Other Poems
Bela, mas infeliz. Única poetisa da nossa lista, Sylvia Plath viveu uma vida tão trágica que rendeu uma teoria: o chamado Efeito Sylvia Plath. Criada pelo psicólogo James C. Kaufman, a teoria defende que escritores criativos são mais suscetíveis a doenças mentais. Não resta dúvida que sua conturbada vida pessoal serviu como material para sua escrita, principalmente em sua poesia confessional, influência importante para o movimento feminista que explodiu alguns anos após seu suicídio. Plath foi interpretada por Gwyneth Paltrow no filme Sylvia – Paixão além das palavras, de 2003.
#7 Anaïs Nin
Angela Anaïs Juana Antolina Rosa Edelmira Nin y Culmell
Neuilly-sur-Seine, França, 1903
Obra selecionada: Delta de Vênus
Francesa, filha de pai cubano e mãe dinamarquesa, Anaïs Nin foi uma das mais famosas escritoras eróticas do seu tempo. Assim como o escritor Henry Miller, de quem foi amante, escrevia contos para um colecionador particular que lhe pagava 1 dólar a página. Casou-se com o banqueiro Hugh Guiler em 1923, mas nunca fez questão de esconder suas relações extraconjugais. Nin se dedicou por cerca de 60 anos aos seus diários pessoais, nos quais, além de documentar a infidelidade ao marido, também confessa a influência de Proust, Jean Cocteau, Paul Valéry e Rimbauld e revela a amizade com Gore Vidal e outros escritores.
#6 Mayra Dias Gomes
Mayra Dias Gomes
Rio de Janeiro, Brasil, 1987
Obra selecionada: Fugalaça
Mayra Dias Gomes começou muito cedo. Aliás, é a escritora mais jovem da nossa lista. Publicou seu primeiro livro aos 19, o segundo aos 22. A carreira precoce parece ter sido catalisada pela herança deixada pelo pai, sobre o desafio de criar uma carreira independente do sobrenome. Mayra é filha de Dias Gomes, um dos principais dramaturgos e novelistas brasileiros dos últimos anos, autor do teatro O pagador de promessas, da novela Roque Santeiro, entre outros. A escritora parece estar trilhando o próprio caminho, além dos dois livros, trabalhou como repórter da Folha de São Paulo, colaboradora da MTV e já exibiu suas belas curvas na Sexy, Playboy e VIP.
#5 Alice Denham
Alice Denham
Jacksonville, Estados Unidos, 1933
Obra selecionada: My darling from the lions
Alice Denham é, até hoje, a única coelhinha da Playboy norte-americana a ter publicado um conto na mesma edição da qual foi capa, em julho de 1956. Bem, esse não é lá um predicado muito glorioso para uma escritora, mas prova duas coisas: sim, ela escrevia; e sim, ela era gata. Miss Denham foi escritora de romances e histórias curtas (inéditos no Brasil), professora de inglês na Universidade de Nova York, modelo, e roteirista de cinema e televisão. Em seu último livro, Sleeping with bad boys, revelou os relacionamentos com o ator James Dean e os escritores Jack Kerouac, Philip Roth e Joseph Heller. Praticamente uma maria-máquina-de-escrever.
#4 Pola Oloixarac
Pola Oloixarac
Buenos Aires, Argentina, 1977
Obra selecionada: As teorias selvagens
Ela chegou à FLIP desse ano com o status de musa, assumindo o papel de musa: “Quem disse que intelectual tem de ser feio?” Jovem, nerd e bonita, Pola Oloixarac começou a conquistar atenção em 2008, com seu controverso primeiro livro, Las teorías salvages. Alguns críticos taxavam-no como um livro que deveria ter sido escrito por um homem, outros criticaram a escritora por zombar da esquerda. Ao fim, as críticas se tornaram exposição e depois de quase 10 traduções e o carimbo de best-seller, o livro catapultou a escritora para palco principal da literatura latina. A revista inglesa Granta listou Pola na sua edição especial dos melhores jovens escritores da língua espanhola.
#3 Zadie Smith
Zadie Smith
Londres, Inglaterra, 1975
Obra selecionada: Dentes brancos
Logo em seu primeiro livro, Zadie Smith arrebatou a crítica literária e o público inglês. Dentes Brancos foi um best-seller imediato, recebeu um punhado prêmios e foi escolhido pelo Time um dos 100 melhores livros da língua inglesa entre 1923 e 2005. Um cartão de visita fenomenal para uma escritora que tinha então apenas 24 anos. Além de romancista, a escritora se destacou também como uma prolífica ensaísta. Em 2003, a revista literária Granta inseriu Zadie Smith na lista dos 20 melhores jovens escritores ingleses. Diferentemente de Pola Oloixarac, Zadie não assume o papel de musa. Porém, com tantos atributos literários e, obviamente, sua beleza natural, não poderíamos deixá-la de fora da nossa lista.
#2 Jhumpa Lahiri
Nilanjana Sudeshna Lahiri
Londres, Inglaterra, 1967
Obra selecionada: Intérprete de males
Jhumpa Lahiri nasceu em Londres e vive desde os três anos nos Estados Unidos, mas sua beleza não esconde a ascendência indiana. Aliás, sua origem a levou a escrever – e, diga-se de passagem, com bastante sucesso – sobre a vida de imigrantes indianos nos EUA. Seu livro de estreia, Interpreter of Maladies, venceu o Pulitzer de Ficção (apenas a sétima ocasião na história em que um livro de contos foi premiado), o PEN/Hemingway e foi considerado o melhor debute do ano 2000 pela revista New Yorker. E você ainda duvida que mulheres bonitas podem escrever muito bem?
#1 Clarice Lispector
Haia Pinkhasovna Lispector
Chechelnyk, Ucrânia, ,1920
Obra selecionada: A paixão segundo G.H.
Clarice tem todos os predicados para ser considerada a maior musa da literatura brasileira. Linda, elegante e extremamente talentosa, é até hoje inspiração para as gerações de escritores e escritoras que a seguiram. Clarice Lispector nasceu na Ucrânia em 1920 e, dois anos depois, aportou com a família em Maceió. Sem dúvida, a escritora está entre os principais nomes da literatura brasileira do século XX, sendo considerada a maior representante do romance introspectivo. Fez parte geração de 45, ao lado de outros colossos do nosso modernismo, como João Cabral de Melo Neto e Guimarães Rosa.
Clarice reúne o que há de melhor em todas as outras escritoras listadas: talento, beleza, prolificidade, precocidade e influência, por isso é a primeira colocada em nosso Top 10 especial musas da literatura.
Achei aqui e acrescentei mais uma:
Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir
Paris, 1908
Obra selecionada: O segundo Sexo
Achei injustiça deixá-la fora do ranking. Entre as outras musas talvez ela perca nos atributos físicos, mas uma senhorita que teve uma vida intelectual e sexual  (que nos diga Sartre…) tão intensa não poderia sofrer a injustiça de estar fora da lista.

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Entre Simones e Clarices

Em 2012 o norte das minhas leituras têm sido essas duas moçoilas citadas no título.

Em ambas tenho procurado respostas sobre questões muito íntimas, de ambas tenho saído perplexa, de coração cheio e mente com ainda mais dúvidas.

São mulheres que romperam com seu tempo, cada uma a seu modo, deram forma a seu destino.

As duas idealizaram um futuro feminino menos opressor, sem com isso perderem sua feminilidade. Não precisamos ser homens para termos direitos (que também são deveres) iguais.

As duas não deixaram de exercer o amor, profundamente em suas vidas, ainda que por caminhos bem tortuosos.

As duas viveram sem tempos mornos.

As duas moram para além da minha prateleira, no coração desta que vos escrever.

(por hora lendo A descoberta do Mundo, Clarice Lispector, Ed. Rocco).

 

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Quando o existencialismo descobriu a saudade

por Regina Miraaz

“Sartre era Oxalá, e eu, Oxum”. É assim, direta e curta, a revelação que Simone de Beauvoir faz, no terceiro volume de suas memórias, A força das coisas, sobre o momento em que foi acolhida pelo candomblé. Ateus convictos, ele judeu e ela católica por filiação, Simone e Sartre viram-se, em agosto de 1960, no terreiro de Mãe Senhora, em Salvador, numa consulta espiritual. O encontro dos filósofos com a mãe de santo foi promovido pelo então Obá de Xangô do Ilê Apó Afonjá. Ou, para os leigos na religião, o escritor – cujo centenário se comemora neste ano – Jorge Amado. A cena do comunista brasileiro recepcionando os existencialistas franceses – na época não exatamente em paz com o comunismo – em um terreiro na Bahia é emblemática de uma relação que foi capaz de transpor todas as diferenças culturais e ideológicas para se transformar em uma profunda amizade. Uma amizade daquelas que nos revelam novidades, que nos protegem e nos lançam em aventuras ao mesmo tempo. Amizade temperada com risos e conversas sérias, boas bebedeiras, reflexões filosóficas e políticas, discordâncias e diversão. Simone e Sartre conheciam Amado de sua temporada de exílio em Paris, entre 1948 e 1950. Foram por ele convidados a conhecer o Brasil em 1960 e, após uma viagem fracionada em várias conexões aéreas complicadas, chegaram a Recife num avião cujo trem de pouso insistia em não funcionar. O pouso foi quase um milagre e o alívio do desembarque foi aumentado quando eles avistaram, no meio da multidão que os esperava no aeroporto, o rosto conhecido de Jorge Amado. “Compreendemos com satisfação que Amado, que viera especialmente para nos receber, iria servir-nos de guia pelo menos durante um mês”, relata Simone em suas memórias. Começava ali, no aeroporto de Recife, uma relação afetiva e peculiar. Sartre e Simone de Beauvoir vieram ao Brasil com propósitos políticos: falar sobre as realizações da Revolução em Cuba, que eles haviam acabado de testemunhar. Também queriam falar sobre os crimes que a França cometia para reprimir as forças que lutavam pela independência da Argélia. Com Jorge Amado como cicerone, podiam esquecer um pouco a política. Ele, segundo Simone, tinha gosto pelas “coisinhas boas da vida”: as comidas, as paisagens, as conversas e o riso. Orgulhoso de seu país e seu povo e de seu título honorífico no candomblé, disposto a acolher os amigos, Jorge Amado programou com Zélia Gattai uma agenda de viagem em que a cultura brasileira ficava em primeiro plano e a política, sempre que possível, em segundo. Levar os filósofos ateus ao terreiro de Mãe Senhora era prova disso. Foi um dos momentos mais impressionantes da viagem, para Simone: depois de testemunhar os rituais da religião e consultar-se com Mãe Senhora, ela fez uma bela reflexão sobre o poder dos rituais nas vidas das pessoas. Para ela, o candomblé, com seus êxtases e transes, era uma religião que permitia aos indivíduos a libertação da dominação da vida cotidiana e um encontro com a própria verdade. Candomblé ao mar de Itapuã. As praias de Copacabana e Ipanema. Belo Horizonte. São Paulo – que “não era bonita, mas transbordava de vida”, como Simone definiu. A confusão dos mercados populares que exalavam o perfume da mistura de mercadorias e figuras humanas e cintilavam com as cores de adornos típicos e figuras de exus – esses “espíritos mais maliciosos do que malignos”. Disso tudo era feita a visita que tornou Jorge e Zélia, Sartre e Simone inseparáveis. Juntos, foram à igreja de São Francisco, a fazendas nordestinas, a plantações de café e de cacau, a Brasília, ao encontro com Oscar Niemeyer e do presidente Juscelino Kubitschek, ao Rio, ao Pelourinho e só não chegaram juntos numa tribo indígena do Mato Grosso porque Jorge Amado não era fã de aviões. Preferiu ficar em Brasília enquanto os amigos e a esposa embarcavam num suspeito teco-teco. Amado logo conquistou a simpatia de Simone de Beauvoir por querer apresentar a ela e Sartre todos os sabores do Brasil: suco de caju, cacau, maracujá, feijoada, feijão mulatinho, mandioca, batata-doce, carne seca, rapadura, caipirinha e batidas variadas… Tanto Simone quanto Amado acreditavam que um país se conhece por seus sabores. Sartre, adoentado e sensível a sabores fortes, ressentia-se dessa convicção do amigo e evitava, sempre que possível, a diversidade de sabores do Brasil. Mesmo deixando a política em segundo plano, Jorge fez questão de colocar os amigos a par da campanha eleitoral para presidente que se desenrolava no País. Explicou que o MarechalLott receberia o voto dos comunistas e da esquerda, mas o fato de ouvirem insistentemente, por onde andavam, o “Varre Vassourinha” de Jânio Quadros era emblemático. Sim, eles podiam ter certeza, Jânio ganharia as eleições. Zélia era a motorista oficial dos passeios, impressionava Simone com sua agilidade ao volante pelas ruas tortuosas e montanhas e morros de Salvador e do Rio. E também por trazer sempre um amuleto contra acidentes, no qual Simone, se não confiava cegamente, encontrava algum conforto. Em Araraquara, impressionada com o sucesso de Sartre entre os estudantes, Simone comentou com Amado, durante um passeio numa tarde de domingo: “– Dir-se-ia que são todos revolucionários!” “– Quando eles se tornarem médicos e advogados isso passará. (…) Não irão reivindicar mais nada além de um capitalismo nacional, independente dos EUA…”, foi a resposta sincera que ouviu do amigo. Simone retribuía a atenção dos amigos com um interesse redobrado: lera Roger Bastide e Gilberto Freyre para compreender a cultura brasileira, e dedicava-se também à leitura dos livros de Jorge Amado: Gabriela Cravo e Canela, Cacau e Terras do Sem-Fim. Os casais se separaram depois de visitarem Brasília. Dali, Sartre e Simone partiriam para Belém e Amazônia – recomendações de viagem de Claude Lévi-Strauss – e, então, para uma segunda visita a Havana. Os Amado rumariam para o Rio. Simone comovia-se ao deixá-los. “Depois de seis semanas de tão bom relacionamento, era difícil imaginar que só os reveríamos muitos anos depois, ou talvez nunca mais”, relatou ela. Depois de tantos dias com os amigos, vendo e experimentando tudo o que o Brasil tem, a separação mostrava a ela um aspecto da cultura brasileira que ainda desconhecia: a saudade. Em Belém e Manaus, Sartre e Simone não podiam retornar imediatamente à França e a viagem para Havana esbarrava em problemas burocráticos. Ressentiam-se da solidão, do clima, da falta de companhia para os passeios e as conversas. Tentaram contato com os amigos por telegramas, que nunca chegaram. Algumas semanas depois, na viagem rumo a Havana, desembarcaram novamente no Rio exaustos, tristes, preocupados. Ali reencontraram o escritor, político, amante das “coisinhas boas da vida” e Obá de Xangô Jorge Amado. Ou, para Simone de Beauvoir, apenas o amigo embaixador da saudade.

 Referência das citações: Simone de Beauvoir, A Força das Coisas. Tradução de Maria Helena Franco Martins. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010.

Li aqui e achei maravilhoso

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