Arquivo da tag: professores

Por que a aula de literatura é chata?


Se você é professor de literatura e não faz isso, não se preocupe.

Não precisa vestir a carapuça.

Você é legal e nós todos o amamos.

Veja o gráfico abaixo e entenda:

professores de literatura aulas de literatura são chatas Por que a aula de literatura é chata educacao

(via Chongas)

Deixe um comentário

Arquivado em Ensino, Literatura

O que você vê e o que um menino vê e o Poeta Aprendiz, de Vinicius de Moraes


Uma ilustração mostrando o que nós, adultos, vemos e o que um menino vê (fonte). Se você não domina os rudimentos do idioma de Chuck Norris, explico: do lado esquerdo está o que um adulto vê e, do lado direito, o que um menino vê.

168561d1302578969 funny strange random pics 7075 O que você vê e o que um menino vê e o Poeta Aprendiz, de Vinicius de Moraes livros divertidos

Por alguma razão, isso lembrou-me da canção Poeta Aprendiz, de Vinicius de Moraes:

Ele era um menino
Valente e caprino
Um pequeno infante
Sadio e grimpante.
Anos tinha dez
E asinhas nos pés
Com chumbo e bodoque
Era plic e ploc.
O olhar verde-gaio
Parecia um raio
Para tangerina
Pião ou menina.
Seu corpo moreno
Vivia correndo
Pulava no escuro
Não importa que muro
E caía exato
Como cai um gato.
No diabolô
Que bom jogador
Bilboquê então
Era plim e plão.
Saltava de anjo
Melhor que marmanjo
E dava o mergulho
Sem fazer barulho.
No fundo do mar
Sabia encontrar
Estrelas, ouriços
E até deixa-dissos.
Às vezes nadava
Um mundo de água
E não era menino
Por nada mofino
Sendo que uma vez
Embolou com três.
Sua coleção
De achados do chão
Abundava em conchas
Botões, coisas tronchas
Seixos, caramujos
Marulhantes, cujos
Colocava ao ouvido
Com ar entendido
Rolhas, espoletas
E malacachetas
Cacos coloridos
E bolas de vidro
E dez pelo menos
Camisas-de-vênus.
Em gude de bilha
Era maravilha
E em bola de meia
Jogando de meia –
Direita ou de ponta
Passava da conta
De tanto driblar.
Amava era amar.
Amava sua ama
Nos jogos de cama
Amava as criadas
Varrendo as escadas
Amava as gurias
Da rua, vadias
Amava suas primas
Levadas e opimas
Amava suas tias
De peles macias
Amava as artistas
Das cine-revistas
Amava a mulher
A mais não poder.
Por isso fazia
Seu grão de poesia
E achava bonita
A palavra escrita.
Por isso sofria.
Da melancolia
De sonhar o poeta
Que quem sabe um dia
Poderia ser.

 O que você vê e o que um menino vê e o Poeta Aprendiz, de Vinicius de Moraes livros divertidos

 Via Livros e afins

Deixe um comentário

Arquivado em Amei!!!!!, Literatura

Ministério da Educação deveria zelar pela norma culta do português – CBN

Ministério da Educação deveria zelar pela norma culta do português – CBN.

Desde o tempo da graduação assisto ao embate de duas correntes de educadores, pesquisadores e demais estudiosos da Língua Portuguesa:

A escola deve dar prioridade à Norma Culta ou ao Popular.

Ainda durante a graduação, boa parte dos docentes e dicentes colocavam-se do lado do ensino da variante, em detrimento da Norma Culta, que seria utilizada pela maioria economico-dominante de maneira preconceituosa e etc. e tal.

Juro que pensei que fora dos muros da Universidade jamais escutaria isso.

Ainda o ano passado ouvi de uma professora de quarto ano do Ensino Fundamental, que corrigir todos os erros ortográficos de uma aluno causaria desestímulo na criança. Que com uma postura mais “flexível” ela acabaria aprendendo…(Como? Não sei).

A contra-argumentação é uma arte…que eu não domino. Uma vez que eu era a responsável pelo aprendizado do aluno em questão, então passei a corrigir eu, oras.

Depois de meses longe do ambiente universitário, chega aos meus ouvidos novamente  a pendenga…uso da norma padrão ou não?

Felizmente, desta vez, a comentarista do quadro Missão Aluno da CBN,Ilona Becskeházy, foi exata em sua colocação e expressou muito bem uma opinião de que partilho.

Por que os partidários do uso da norma não-padrão matriculam seus filhos em escolas que primam pelo uso da norma?

É uma questão a se pensar.

Há minutos atrás, eu ler o edital para um concurso público, e lá estava, entre outros milhões de requisitos para a classificação: Uso adequado da língua portuguesa em seu padrão culto. Assim, ipsis litteris.

Caríssimos colegas que apregoam a utilização da variante em sala de aula, por favor, expliquem-me, então qual é o motivo de não darmos às crianças e aos jovens estudantes a chance de um emprego, uma ascensão social?

Será que é a norma culta mesmo que é preconceituosa e excludente?

Ficam as perguntas no ar…

Obs. Toda esta polêmica se deu devido à nota do MEC sobre um livro. Mais informações, aqui.

Deixe um comentário

Arquivado em Ensino

MEC lava as mãos no caso dos livros com erros

RIO – O Ministério da Educação informou que não se envolverá na polêmica sobre o livro com erros gramaticais distribuído pelo Programa Nacional do Livro Didático , do próprio MEC, a 485 mil estudantes jovens e adultos. O livro “Por uma vida melhor”, da professora Heloísa Ramos, defende uma suposta supremacia da linguagem oral sobre a linguagem escrita, admitindo a troca dos conceitos “certo e errado” por “adequado ou inadequado”. A partir daí, frases com erros de português como “nós pega o peixe” poderiam ser consideradas corretas em certos contextos.

O ministro não faz análise dos livros didáticos, não interfere no conteúdo

– Não somos o Ministério da Verdade. O ministro não faz análise dos livros didáticos, não interfere no conteúdo. Já pensou se tivéssemos que dizer o que é certo ou errado? Aí, sim, o ministro seria um tirano – afirmou ontem um auxiliar do ministro Fernando Haddad, pedindo para não ser identificado.

Escritores e educadores criticaram ontem a decisão de distribuir o livro, tomada pelos responsáveis pelo Programa Nacional do Livro Didático. Para Mírian Paura, professora do Programa de Pós-graduação em Educação da Uerj, as obras distribuídas pelo MEC deveriam conter a norma culta:

– Não tem que se fazer livros com erros. O professor pode falar na sala de aula que temos outra linguagem, a popular, não erudita, como se fosse um dialeto. Os livros servem para os alunos aprenderem o conhecimento erudito.

Na obra “Por uma vida melhor”, da coleção “Viver, aprender”, a autora afirma num trecho: “Posso falar ‘os livro?’ Claro que pode, mas dependendo da situação, a pessoa pode ser vítima de preconceito linguístico.” Em outro, cita como válidas as frases: “nós pega o peixe” e “os menino pega o peixe”.

Autor de dezenas de livros infantis e sobre Machado de Assis, o escritor Luiz Antônio Aguiar também é contra a novidade:

– Está valendo tudo. Mais uma vez, no lugar de ensinar, vão rebaixar tudo à ignorância. Estão jogando a toalha. Isso demonstra falta de competência para ensinar.

Segundo ele, o que estabelece as regras é a gramática.

– Imagina um jogo de futebol sem as linhas do campo. Como vão jogar futebol sem saber se a bola vai sair ou não? O que determina as regras é a gramática. Faltam critérios. É um decréscimo da capacidade de comunicação – observou Aguiar, também professor do curso “Formação de leitores e jovens leitores”, da Secretaria municipal de Educação.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/educacao/mat/2011/05/15/mec-lava-as-maos-no-caso-dos-livros-com-erros-924468819.asp#ixzz1MVezwgtG
© 1996 – 2011. Todos os direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Deixe um comentário

Arquivado em Ensino

Indicação de livros infantis

A marca registrada dos bons livros Livros são como vício bendito; eles embriagam, roubam horas de sono, despertam emoções, multiplicam saberes, avançam os portões de casa, desvendam cenários, alimentam sonhos, expandem as emoções e nos fazem vítimas felizes da leitura.. Não há melhor época para estimular o gosto da leitura do que a infância, sobretudo a escolar.

As crianças, leitoras de ontem, estão agora sempre na ativa, a escrever muito e ler mais ainda, porque podem escolher títulos e ler com muitas alternativas. Lamentável, portanto, que as autoridades públicas não atinem à importância da vitalidade presente na biblioteca escolar e às variadas formas de disseminação da leitura, fortaleza da língua, da pátria e das horas alegres ou tristes do ser humano. Fonte; Google

Leitores assumidos avançam pela vida afora; os livros que marcaram a fase decisiva da nossa vida escolar jamais são esquecidos.Não importa se a indicação vem da professora de Português, do colega de Matemática ou do professor de Educação Física. Quando um bom livro aporta nas mãos de uma criança ou jovem, ganha espaço e finca o seu poder. Hoje perguntei aos leitores da minha página no Twitter se poderiam oferecer depoimentos sobre um livro, de autor brasileiro importante à sua formação do leitor, ainda na infância escolar. Imediatamente, graças à interatividade do microblog, 8 leitores responderam. Veja as indicações:

> A coleção Vagalume foi a preferida do jornalista André Gonçalves, além de O cadáver ouve rádio, Barquinhos de papel e o popular O escaravelho do diabo, de Lúcia Machado de Almeida.

> Marcelo, marmelo, martelo e outras histórias, de Ruth Rocha, a preferência unânime dos jornalistas Alessandro Martins, Tito Barata e do pesquisador Marcelo Nolasz. O meu conterrâneo Tito ainda acrescentou O rapto das cebolinhas, da Maria Clara Machado.

> As Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato, entre outros títulos, marcaram a vida escolar da leitora, hoje professora, Beth( não sei o nome inteiro; ela não indica)

> Rosinha minha canoa e o Meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos, são algumas das lembranças queridas da licenciada em Química, empresária e leitora voraz Be Neviani.

> A coleção Para Gostar de ler e a A marca de uma lágrima, de Pedro Bandeira, preencheram a infância escolar do jornalista Rogério Galindo.

> O jornalista Miguel Oliveira, embora não tenha citado um autor brasileiro, destacou A pérola, de John Steinbeck, como um dos livros marcantes à sua formação de leitor.

Fonte: Google

Na escola e na família – Não tenho lembranças fortes de ter ido à biblioteca do Barão do Rio Branco e nem a do Vilhena Alves. Sabe por que, leitor? Duas razões: a primeira é que em casa, a leitura sempre foi uma espécie de cachaça comum; lia-se de tudo, do gibi ao romance, da fotonovela aos contos e, sobretudo, os jornais. Ah…os jornais paraenses de outrora; eles traziam contos, crônicas, poemas. Cresci lendo A Província do Pará, O Imparcial, A Folha do Norte, além de livros e livros e revistas de todos os gêneros. Meu pai aproveitava para ler até o jornal que trazia embrulhados os peixes e as bananas comprados, lá no Ver-o-Peso. O costume, o exemplo, a fartura dos impressos, sob os olhos da criança, fazem a festa quando o tema é a leitura. A força da biblioteca escolar – A escola,em segundo lugar, funcionou para mim como coadjuvante à leitura. As saudosas professoras dos primeiros anos mantinham um círculo de leitura em sala; assim, trocávamos livros e ganhávamos livros, quando as notas no boletim eram boas. Quase não visitávamos a biblioteca. Ficaram inesquecíveis, entretanto, para mim o Éramos Seis, de Maria José Dupré, Meu Pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos, Emília no País da Gramática e Aritmética da Emília, de Monteiro Lobato. Falta o quê? – Investir na compra de livros e manter o acervo das bibliotecas públicas é a parte material que falta à educação pública, mas sem intermediários assumidamente leitores a marcha fica interrompida; vira apenas obrigação.

Livros? Não podem ficar apenas enfeitando as prateleiras da biblioteca ou da sala de casa. Penso que, ao lado da competência técnica e do comprometimento social, todos os professores precisam ser bons leitores, caso contrário, você pode bem imaginar o resultado. Vislumbre o estrago na cabeça de uma criança quando ela ouve de um colega professor algo assim, bem desse tipo: Nossa…., eu não suporto ler; me dá uma canseira…

Via http://namiradoleitor.blogspot.com/2011/04/marca-registrada-dos-bons-livros.html

Deixe um comentário

Arquivado em Literatura

Do outro lado do muro


Por Galeno Amorim (acesse o blog dele aqui) http://dual-pem-2.dualtec.com.br/link.php?M=14076772&N=12302&L=1007&F=H
A pequena Raissa, agora com três anos, jamais saiu de lá. Ainda que quisesse, não daria: as janelas estão chumbadas às grades grossas de ferro e mesmo a porta que dá acesso ao galpão do andar de baixo permanece trancada durante todo o tempo. Por ali há outras crianças como ela. No meio da noite, sempre uma delas chora. Se de fome, de frio ou de medo, nunca se saberá.
Para aqueles pequenos, tão cedo privados da própria liberdade, lá fora é um lugar que, de repente, nem existe de verdade. Ou é, no mínimo, muito incerto. Afinal, nenhum deles atravessou, até hoje, qualquer um daqueles portões imensos.

Também nunca viram pessoas andando nas ruas e nas calçadas, como é de praxe. E tampouco desconfiam que na cidade imensa que se ergueu à beira-rio existem parques, praças e zoológicos – essas pequenas coisas simples e belas que costumam atrair e encantar crianças como elas.

Entretanto, Raissa assegura, singelamente convicta, que já esteve em muitos lugares. E que lá conheceu príncipes, dragões e fadas. Que perambulou por castelos, túneis e reinos maravilhosos e que, por mais de uma ocasião, se descobriu perdida no meio de florestas escuras e mágicas, com seus monstros terríveis e caçadores bons. E tudo isso sem jamais ter botado seu pezinho lindo de princesa pra fora dali… O caso é que a menina, como tantas e tantas outras da idade, adora ouvir histórias. E ela, mais do que qualquer uma, parece de fato carecer de histórias – como, aliás, quem precisa, desesperadamente, do próprio ar que respira.
Ela gosta mesmo de histórias. De qualquer história, seja ela qual for.

Porém, há certos dias que Raissa, lá no fundo da sua alma, deseja com todo ardor ouvir histórias diferentes. Que falem de crianças de carne e osso, como ela e suas coleguinhas de infortúnio. Só que de crianças que tenham uma vida simples, uma casa de verdade, com um jardim bem verde, que é pra poderem correr à vontade, sem parar, até caírem exaustas de tanta fadiga. E sujas de terra, dos pés à cabeça. Mas que sejam livres!

Para aqueles meninos e meninas que, como Raissa, nasceram e viveram sua vidinha toda, até aqui, atrás das grades do Presídio Feminino Madre Pelletier, em Porto Alegre, aquilo pode soar como pura fantasia. Mas só assim é que elas conseguem construir um imaginário próprio onde liberdade e alegria não sejam meras palavras ocas e sem sentido.

Elas são filhas de mulheres presas que engravidaram durante as visitas conjugais de seus companheiros. Por isso, nasceram e cresceram ali. Atrás das grades, como as mães. Na cela ou pátio onde as detentas tomam sol é que a maioria delas deu os primeiros passinhos e pronunciou as primeiras palavras.

E como será que se dá o vínculo dessas crianças do cárcere com a vida lá fora?

É pelos livros, apressa-se em explicar uma das voluntárias do Projeto Liberdade pela Escrita, criado e mantido por estudantes dos cursos de Letras e de Pedagogia das faculdades da UniRitter.  Melhor, diz outra: é pelas histórias, às vezes narradas pelas próprias mães, que aprenderam na marra, pelo amor ou pela dor, a habilidade de contar histórias. E, assim, ajudam a filharada a imaginar como, afinal, é aquele mundão de Deus com o qual tanto sonham e que, ao mesmo tempo em que parece tão perto, segue além do muro tão distante delas e de sua realidade concreta e encarcerada. É justamente pra tentar atenuar tamanhas dores que a estudantada leva lá pra dentro aquele punhado de livros com crônicas e poemas, mais as notícias frescas do jornal. Enquanto elas leem pra si e aprendem a narrar para os filhos, essas mulheres vão descobrindo outra magia típica da palavra escrita – a de transformar em texto tudo aquilo que vai pelas entranhas, pela cabeça e pelo coração. E escrevem, sofregamente, sobre tudo: suas angústias, amores, esperanças…

Uma delas, Kelly, acordou no meio da noite disposta a se corresponder com o Todo-Poderoso. Escreve pra Deus e promete, compungida, que vai mudar de vida quando sair dali. E que procurará viver, daqui pra frente, igualzinho aprendeu nos livros. Com o toque de recolher, a vida no lugar vira um breu só. Mas, para algumas delas, que se tornaram leitoras, e agora também escritoras, as noites de insônia e inquietudes da madrugada solitária deram vez e lugar aos versos e à boa prosa. Umas juram inocência. Outras clamam por uma justiça que talvez nunca chegue. O certo é que todas elas, mulheres endurecidas pela vida, descobriram que podem buscar nos livros, e na fantasia da literatura, uma nova razão de viver.

Deixe um comentário

Arquivado em Ensino, Literatura

Professor lista 4 estratégias para facilitar a leitura dos estudantes

da Livraria da Folha

Em “Coisas que Todo Professor de Português Precisa Saber” (Parábola, 2010), o professor adjunto de língua portuguesa da Universidade Federal da Bahia, Luciano Amaral Oliveira, tenta desvendar os ruídos que se estabelecem entre os alunos e os mestres que lecionam português para os Ensinos Fundamental e Médio.

Dividido em seis capítulos, o volume analisa as gramáticas normativas e o que os livros teóricos “pregam” sobre o ensino do português para que os professores da disciplina se aproximem de seus alunos de uma forma menos traumática e mais prática.

O volume discute cinco questões teóricas que compõem a prática pedagógica –o que é ensinar, o que é método de ensino, o que é língua, o que é saber português e a razão pela qual se ensina português para brasileiros.

Amaral Oliveira enumera quatro estratégias de leitura que podem ser aplicadas por professores, estudantes e leitores em geral. Veja abaixo:

*

PREDIÇÃO – “Prever o conteúdo de um texto faz com que o leitor ative esquemas mentais e o ajuda a construir hipóteses sobre o texto”. Acostumar os alunos a explorarem o título, o subtítulo e as imagens de um texto para prever seu conteúdo é importante para conscientizá-los acerca de um fato de que eles geralmente se esquecem: um texto não é formado necessariamente só por palavras, pois ele pode também possuir imagens e cores significativas”.

ADIVINHAÇÃO TEXTUAL – “É outra estratégia de leitura muito importante, a qual faz parte da competência estratégica de leitores experientes e precisa ser estimulada e desenvolvida nos estudantes. Eles precisam ser informados pelo professor que um leitor eficiente não tem de conhecer todas as palavras de um texto para compreendê-lo. Esse tipo de leitor tende a ignorar as palavras desconhecidas que vai encontrando em um texto, a menos que alguma delas seja essencial para o processamento da leitura. Nesse caso, o leitor, antes de recorrer a um dicionário, pode tentar adivinhar o significado da palavra a partir do seu contexto. Nem sempre essa tentativa funciona: às vezes, o leitor consegue chegar ao significado exato da palavra; outras vezes, ele consegue chegar a uma ideia do significado que o ajuda a entender o texto, embora não seja um significado muito preciso; outras vezes mais, ele não consegue chegar a significado algum, situação em que o dicionário surge como a alternativa mais indicada”.

INFERENCIAÇÃO – “A busca do não dito a partir do dito. Um elemento que os alunos têm à sua disposição para realizar inferências é o vocabulário usado nos textos, que muitas vezes trazem pressupostos importantes para a construção dos sentidos. E uma atividade que o professor pode realizar para ajudar seus alunos a perceberem que precisam estar sempre atentos às entrelinhas é a análise de manchetes jornalísticas. Ele pode pegar jornais publicados na sua cidade, selecionar manchetes, fotocopiá-las ou escrevê-las no quadro ou ditá-las para os alunos, que terão de dizer o que está implícito nelas”.

IDENTIFICAÇÃO DAS IDEIAS MAIS IMPORTANTES DE UM TEXTO – “É outra estratégia que os estudantes precisam dominar. Afinal, isso é fundamental para o aluno ser capaz de elaborar resumos, habilidade muito exigida na universidade. Uma coisa simples que o professor pode fazer para levar seus alunos a usarem essa estratégia é solicitar-lhes que identifiquem a ideia principal de cada parágrafo de alguns textos que ele selecionar para leituras em sala de aula”.

*

“Coisas que Todo Professor de Português Precisa Saber”
Autor: Luciano Amaral Oliveira
Editora: Parábola
Páginas: 272
Quanto: R$ 29,75 (preço promocional, por tempo limitado)
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/836162-professor-lista-4-estrategias-para-facilitar-a-leitura-dos-estudantes-leia-trecho.shtml

Deixe um comentário

Arquivado em Ensino

Tempos Obscuros II

II

Em casa não me era dado tocar nos livros da estante. Não era por mal. Talvez meu pai suspeitasse do poder subversivo que aqueles enfeites poderiam exercer em quem soubesse o código.
Filha de agricultores migrados para a cidade grande imagine o luxo que não era o simples freqüentar da péssima escola que me preparava para integrar, num futuro próximo, a massa periférica que eu já compunha e de onde eu jamais deveria ter posto os olhos para fora.
Talvez minha mãe antevendo as dificuldades de um futuro nada promissor dissesse com aspereza, que também é um jeito de amor, que eu não deveria “gastar a vista” naquilo.
Gastar a vista, na verdade, era o que se esperava das mulheres da linhagem a que eu pertencia. Desde que se tem notícia são exímias costureiras, e bem na minha vez, a linhagem se quebrou. Mal sei pregar um botão, mas provavelmente já tenha gasto muito de minha visão lendo livros no escuro quase completo.
Assim, tendo muito mais gosto por livros, canetas e papéis de que por tecidos, agulhas e linhas passei a infância silenciosamente habituada aos horários em que meu pai chegava a casa. Nos demais eu me divertia com os “livros proibidos”e os livros da escola também, e qualquer coisa escrita que me caísse em mãos ou nos pés, muito de minha litura se deu com jornais forrando o chão do banheiro.
Assim eu cresci ouvindo dizer que a tecnologia nos fez, nos faz e nos faria melhores. Assisti na Universidade aulas e mais aulas que apregoavam a desnecessariedade da leitura de livros após a internet. Poucos professores ainda não haviam aderido à moda anti-clássica. Ao menos com estes eu podia conversar.
Estávamos prestes a entrar para a geração “modernista” do ensino. Novos métodos de alfabetização, mudança na disposições do mobiliário escolar, alunos dispostos em círculos, deveres (quando) feitos, em grupo. Enfim, o progresso. Pouco tempo depois foram abolidos o giz e o caderno. Graças à democratização do ensino era garantido ao menos um computador portátil com conexão banda larga para cada ingressante no sistema escolar da época.
Quando escrevo assim, parece ser reminiscência de muitos e muitos anos atrás. Mas a tecnologia é veloz. Tudo isso se deu, como se diz, num clique.
O ensino “conteudista” ou “Tradicionalista” foi superado pela benesse tecnológica. Todo cidadão, ainda que analfabeto funcional possuía obrigatoriamente um (ou mais) telefone móvel, seu computador portátil e mais outros bem indispensáveis como estes.Ainda que não houvesse espaço suficiente para as pessoas residentes da cidade.
Cerca de 10 anos passados desta política educacional o progresso era, como víamos nas propagandas governamentais, o combustível do nosso país. As estatísticas nunca haviam sido tão positivas. Éramos um país sustentável, não desmatávamos florestas para fazer papel. Toda nossa história, arte e literatura cabiam em seis ou oito leitores digitais com memórias paquidérmicas e facilmente manuseáveis por qualquer pré-escolar. Logo, se qualquer um pode manusear estes leitores não era necessário o aprendizado tradicional da escrita, aprendia-se a digitar. A coordenação motora fina, aprimorada através de séculos tornou-se algo ultrapassado, bem como laços, fitas e acabamentos eram vistos como antiguidades fora de moda. Entre algumas tatuagens minhas encontram-se dois lacinhos cor-de-rosa.

Deixe um comentário

Arquivado em Tempos obscuros

O Professor de Gramática da Graduação

UM TEXTINHO DE PRESENTE

Não vou citar nomes para não ficar chato.

Quem ler, incluindo o próprio, saberá de quem estou falando.

Ele era o professor mais cobiçados entre as garotas e alguns, digamos, garotos, do curso de Letras da Universidade.

Ainda que se vestisse parentemente sem muito cuidado e jamais eu tenha o visto dando qualquer espaço para assédio. Era um homem casado e muito sério. E a graça estava aí.

Ele detinha o saber e o modo com que transmitia era … colocarei incrível por não querer derivar um adjetivo do nome.

Aliás, ele reprovaria o com que usado na frase anterior. Ok.

De certa feita, enquanto andava perdida entre trabalhos e lições e ciúmes de um certo alguém, houve uma prova dele. Análise sintática.

Ele sabia. Ele sabia tanto, que nos confundia a todos. Cada qual por um motivo diferente. Sob o signo de escorpião ele escavava minunciosamente. E lá estava eu, ele, a prova, uma estrela de cinco pontas e uma moça que prefiro não adjetivar,  pois isto aqui é um blog de família.

Não havia análise sintática bastante para mim aquele dia. Depois de encher a prova de símbolos astrológicos, entreguei-a envergonhada e fui conjugar outros verbos que me afligiam à época.

Três.

Esta foi a nota que ele generosamente me deu, pois que eu não merecia nem isso.

Zanguei-me, como boa pisciana, silenciosamente. Zanguei-me comigo, por não conseguir transpor em regras o que a intuição sabia, zanguei-me por ser competitiva e ver que o sujeito de outras orações tirava uma nota melhor que a minha e zanguei-me triste por desapontá-lo.

Dada a oportunidade, disse-lhe com palavras minhas e de  Clarice Lispector, que respeitava muito a gramática, mas gostar, não gostava não.

Passou-se o tempo.

No último semestre muita água já tinha passado embaixo de nossas orações nem sempre coordenadas.

Suas aulas eram as últimas. Todos os alunos, exceto o tal sujeito eu eu,iam embora fosse ou não preciso, mas nós ficávamos para ouvir o canto do cisne. Aquele tempo estava passando, e não queríamos deixá-lo escorrer assim de pronto.

E então o professor floresceu. Então aprendi  o que em outros semestres, devido a minha não pequena dificuldade com regras, apenas sabia de sentir. Convivi com o professor apaixonado pela estranha magia de símbolos combiandos chamada Literatura. Senti sua paixão.

Porém, mesmo depois disso tudo e da sempre presente gentileza e cavalheirismo, sempre desconfiei se aquele professor constante e mudamente me odiou por eu não amar as coisas do jeito que ele amava-as.

Deixe um comentário

Arquivado em Literatura

Ar Condicionado e outras invenções do demônio

Ok. Vivemos numa sociedade escravizada controlada pelo aquecimento global.

Minha geração cresceu pensando num fim do mundo nada religioso, marcado pelas blasfemas sacolinhas de plástico e sua durabilidade herética.

Maaaaasss…

O que realmente me aflige nestes fins de tempos não é a possibilidade de redimir meus pecados, que são muitos e até gosto deles.

É a aversão mundial ao Calor.

Sim, nós que vivemos nos trópicos. Aqui, do lado de baixo do Equador, e que desde sempre, desde que o mundo é mundo já tinha dinossauro tomando sol nas praias, vendendo picolé na rua.

Aí agora o calor também é inimigo público, e dá-lhe ar-condicionado.

Ok. Algumas senhoras dirão…mas nesta faze, querida, os calores…

Mas e eu? Eu que gosto de calor e fico aqui, glacialmente entre as estantes e o ar-condicionado?

Quer saber, o ar-condicionado deve ser invenção do diabo. É.

Na graduação havia um professor (Um dos dois de quem eu gostava, e gosto) que alegava ser o computador (calma…não joguem objetos pesados) ser uma “máquina do mal”, inentada pelo demônio para se comprazer da imbecilização humana. Pois que, neste quesito, ainda que eu seja meio escravizada pela máquina do mal, eu aplicaria muito bem esta fala ao ar-condicionado.

(Professor Valfrides, um beijo)

Uma que os dutos que o conduzem não são limpos nunca e eu tenho uma relação muito fidedigna com os ácaros DESTA Biblioteca.

Outra que, quem mais, se não o INFELIZ DAS COSTAS OCAS, lá, do mais quente dos círculos do inferno  para ter uma ideia besta desta?

Ora pois, viva o calor. Quando tiver que ficar frio, vem o inverno , que se parece muito com inferno, não é mesmo?

Ah, lembrei do clipe One way ticket to hell…and back, do The Darkness.

Deixe um comentário

Arquivado em Na Biblioteca