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Dos livros que mudam a vida: O Segundo Sexo – Simone de Beauvoir

Simone de Beauvoir foi escritora, filósofa existencialista e feminista francesa. Teve uma educação burguesa e cristã e tornou-se nome fundamental na história do feminismo mundial.

Quando, em 1949, Simone lançou o ensaio “O Segundo Sexo”, disse em entrevista que esperava que seu livro fosse superado. Infelizmente, a sua obra permanece atualíssima nos dias de hoje.

Com a célebre frase “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”, o livro inicia a problemática da interferência social e comportamental sob a existência da mulher, tornando características sintéticas em comportamentos tidos como “naturais” ao sexo feminino.

O livro ainda trata da vida da mulher perante a adolescência, a sexualidade, a experiência sexual, a homossexualidade, a prostituição, o casamento, a maternidade, a velhice e as relações de trabalho.

Com colocações relevantes e atuais, Simone discorre sobre a mulher com a propriedade que só uma pensadora como ela poderia demonstrar, sem mistificação ou exaltações , ela revela um panorama necessário ao desenvolvimento de um feminismo saudável que garante a independência de comportamento e pensamento de mulheres até hoje.

Leitura para lá de recomendada à mulheres e homens de todas as idades.

 

 

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A dor da leitura

Quem nunca?

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O que acontece nos livros durante a noite

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Entre Simones e Clarices

Em 2012 o norte das minhas leituras têm sido essas duas moçoilas citadas no título.

Em ambas tenho procurado respostas sobre questões muito íntimas, de ambas tenho saído perplexa, de coração cheio e mente com ainda mais dúvidas.

São mulheres que romperam com seu tempo, cada uma a seu modo, deram forma a seu destino.

As duas idealizaram um futuro feminino menos opressor, sem com isso perderem sua feminilidade. Não precisamos ser homens para termos direitos (que também são deveres) iguais.

As duas não deixaram de exercer o amor, profundamente em suas vidas, ainda que por caminhos bem tortuosos.

As duas viveram sem tempos mornos.

As duas moram para além da minha prateleira, no coração desta que vos escrever.

(por hora lendo A descoberta do Mundo, Clarice Lispector, Ed. Rocco).

 

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Clarice Lispector, Esboço para um possível retrato

Presente na minha lista interminável de futuras leituras, desde a graduação, foi num curso recente no Espaço Revista Cult, que tive realmente a dimensão d importância desta obra.

Quando a Nádia Gotlib citou esta obra, me veio à mente toda indicação do querido mestre Valfrides a respeito da ligação íntima (?) entre a Clarice e a autora da obra, Olga Borelli. Suspeitas, suspeitas.

Olga Borelli, escritora e grande amiga de Clarice, escreveu este livro com uma prosa apaixonada, comentando após trechos, à época inéditos, de literatura e de cartas, a pessoa por trás do mito.

Apesar da dificuldade de encontrá-lo (e do preço salgado quando se encontra) fiquei quase em êstase quando o localizei no estante virtual.  Recomendo para quem, assim como eu, for apaixonado por Clarice.

Enquanto isso, seguem abaixo, alguns trechos lindos da obra:

“Que esforço para ser eu mesma. Luto contra uma maré de mim”.

“Fui amada por alguns e conheço a paixão. Os desejos e as paixões morrem quando são satisfeitos. A vontade é imortal. Eu, que entendo o corpo. E suas cruéis exigências. Sempre conheci o corpo: escuridão com súbitas estrelas.”

“Faço grande esforço para não ter o pior dos sentimentos: o de que nada vale nada”

“Não esquecer, hoje é agora”

“Mas o tempo em si não é. O tempo é o indefinível”

” A extrema felicidade se parece tanto com a infelicidade . Ambas são tão dramáticas. Ambas são a vida.”

“O que me atormenta é que tudo é “por enquanto”, nada é “sempre”. Era o meu sonho ter várias vidas. Numa eu seria só mãe, em outra vida eu só escreveria, em outra eu só amava”

“Ás vezes o que nos salva a alma são os vícios.”

“Encontra-se apenas o que se acha e não o que se procura”

“No mundo das coisas, quando sei que elas vão acabar , começo a fruí-las”

“Eu soube que uma formiga é capaz de carregar um volume cem vezes maior que o seu  próprio peso. E eu que não aguento a alma de meu próprio peso.”

“sou obrigada a ter como só meu o gosto supremo de querer matar e o gosto de viver sob a extrema tensão de arco-e-flecha retesados. E que não disparam. Mas disparam para dentro. E então – êxtase.”

“Eu tenho medo de seu quem eu sou.”

“Passei a minha vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar. Ao tentar corrigir um erro , eu cometia outro. Sou uma culpada inocente.”

“Eu estou sempre incompleta”

“A honestidade é muitas vezes uma dor”

“Música é tão importante para mim  que, quando a ouço, é como se eu fosse o intérprete. Tenho através dos outros uma voz beíssima . E não existe ninguém que toque melhor a flauta doce”

“Em suas ‘descobertas’ – sempre anotadas – procurava nunca dissociar os extremos: bem e mal, amor e ódio, divino e diabólico. Tinha horror ao maniqueísmo : preferia sofrer no âmago de perguntas sem resposta a impor um dogma que anulasse seu contrário.”

“Quem reza, reza para si próprio chamando-se de outro nome […] A vida seria insuportável sem o sonho. É que ás vezes não se tem mesmo mais nada e só restam os brandos e profundos sonhos que mais parecem uma prece. A realização está no próprio ato de apenas sonhar.”

PS. Tive de parar antes que reproduzisse o livro inteiro. Leitura para lá de recomendada.

 

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Por que (não só) os homens deveriam ler mais ficção

[Achei ótimo este artigo do PDH e compartilho aqui}

É pela leitura que ganhamos novas perspectivas e aprendemos mais sobre nós mesmos e sobre mundo que nos cerca. Eu acredito bastante no ditado que diz:

“Leitores são líderes.”

Enquanto estudava as vidas de grandes homens na história, um assunto comum que encontrei foi que a maioria deles eram bibliófilos que buscavam implacavelmente se educar durante a vida inteira.

Embora muitos homens venham acumulando um monte de livros para ler, há chances de que essa pilha seja composta primariamente por tomos de não-ficção. Por volta dos últimos 20 anos, a indústria editorial observou um declínio acentuado no número de homens lendo ficção. Alguns relatórios mostram que, atualmente, homens constituem apenas 20% dos leitores de ficção nos EUA.

A máquina de fazer espanhóis, de Valter Hugo MãeA máquina de fazer espanhóis, de Valter Hugo Mãe

Há várias razões para homens não lerem ficção nos dias de hoje. Talvez eles tiveram uma má experiência com ficção no ensino médio e juraram que nunca mais leriam um romance novamente enquanto estivessem vivos. É possível que o cérebro masculino seja naturalmente mais propenso à natureza mais direta e factual da não-ficção. E há quem sugira que os homens estão compensando suas leituras de ficção nos muitos – e excelentes – livros narrativos que saíram na última década (como The Rise of Theodore Roosevelt e No Ar Rarefeito).

Qualquer que seja a razão, estudos cognitivos começam a mostrar que os homens talvez estejam vacilando ao evitar a seção de ficção em livrarias e bibliotecas. Hoje nós mostraremos por que você deve largar esses livros de negócios de vez em quando para pegar uma cópia de Hemingway.

Por que os homens deveriam ler mais ficção

Na última década, vários cientistas cognitivos se debruçaram sobre a questão de como a ficção afeta nossas mentes. À frente desta pesquisa está o psicólogo cognitivo e escritor de ficção, Dr. Keith Oatley. Dr. Oatley e outros pesquisadores pelo mundo descobriram que ficção não somente ativa, mas também aprimora as funções cognitivas que nos permitem conviver melhor socialmente.

Em seu livro Such Stuff as Dreams: The Psychology of Fiction,  ele afirma que a ficção se trata primariamente de “eus num mundo social”, e que o assunto principal da ficção é “o que as pessoas querem umas das outras”. Da mesma forma que o seu conhecimento em história ou finanças aumenta lendo vários livros desses assuntos, ler ficção aumenta sua compreensão de relações sociais – seu pensamento sobre o que outras pessoas estão pensando.

Na verdade, Dr. Oatley diz que a ficção é uma simulação do mundo social que nos permite experimentar (ao menos por meio da imaginação) uma variedade de circunstâncias sociais com diferentes tipos de pessoas que nós podemos encontrar no cotidiano.

Claraboia, de José SaramagoClaraboia, de José Saramago

A maior parte do seu sucesso como um homem, seja no amor ou no trabalho, depende da sua capacidade de socializar habilmente. Todos nós conhecemos a frase:

“O sucesso depende não do que você conhece, mas de quem você conhece.”

Por mais que você queira pensar que isso não seja verdade, é verdade sim. Você pode ser o mais habilidoso e talentoso em qualquer coisa no mundo, mas provavelmente vai se acabar de trabalhar na obscuridade se não souber como chegar a outras pessoas e dividir esse talento com elas.

Infelizmente, os homens escolheram o pior lado da evolução no que diz respeito à nossa habilidade de socializar. Estudos mostram que o cérebro masculino é geralmente inclinado a lidar com coisas, enquanto o cérebro femininino é geralmente inclinado a lidar com pessoas. Isso pode explicar por que mulheres frequentemente preferem ficção à não-ficção: o cérebro delas já são propensos a ler sobre “eus num mundo social”.

Assim, o homem tem muito a ganhar ao ler ficção. Em vez de ver ficção como uma grande invenção e perda de tempo, veja-a como um simulador que lhe permite exercitar e fortalecer os músculos cognitivos responsáveis pela socialização. Toda vez que você lê um romance você está se tornando um homem socialmente melhor e mais entendido.

Abaixo, mostramos o que as pesquisas dizem sobre como especificamente a ficção melhora nossas mentes.

Ler ficção fortalece sua Teoria da Mente

A Teoria da Mente é uma capacidade cognitiva que os humanos usam o tempo todo, mas não dá o devido valor. Basicamente, é a nossa capacidade de atribuir estados mentais (como pensamentos, sentimentos e crenças) a outras pessoas baseando-nos em uma série de impressões, a fim de predizer e explicar o que elas estão pensando.

Cientistas cognitivos chamam essa capacidade de Teoria da Mente porque quando nós interagimos com outras pessoas, é impossível sabermos exatamente o que elas estão pensando, sentindo, percebendo, então temos que construir uma teoria do que elas estão pensando, sentindo, percebendo na mente delas. Sem a Teoria da Mente, interações sociais seriam esquisitas, toscas e praticamente impossíveis.

Crime e castigo, de Fiódor DostoiévskiCrime e castigo, de Fiódor Dostoiévski

Alguns exemplos da Teoria da Mente em ação:

  • Nós usamos a Teoria da Mente quando vemos um vendedor ambulante sorridente e pensamos: “Tá, ele está sorrindo, mas eu acho que ele está na verdade tentando é me ferrar”. Você vê o sorriso, mas está atribuindo a ele um estado mental diferente por causa de outras informações que você sabe do cara.
  • A Teoria da Mente permeia relacionamentos românticos: “Eu acho que ela acha que eu gosto dela, mas eu não gosto. Como é que eu dou um fora nela?” Nesse caso, você está teorizando que uma garota sente algo por você e que ela acha que o sentimento é mútuo – embora não seja. Agora você tem que dar um jeito de resolver esta situação.
  • Nós usamos a Teoria da Mente para planejar estratégias e para confundir. A cena famosa do cálice envenenado em A princesa prometida é um exemplo perfeito da Teoria da Mente em ação:

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A Teoria da Mente não é algo que nós nascemos já sabendo como fazer. Crianças começam a desenvolvê-la por volta dos 3 ou 4 anos de idade.

Até lá, recém-nascidos e crianças pequenas pensam que o que quer que eles estejam pensando, sentindo, percebendo é também o que os outros estão pensando, sentindo, percebendo. É por isso que meu filho Gus, de 18 meses, “se esconde” simplesmente cobrindo seus olhos com as mãos. Ele pensa que porque ele não pode me ver, eu não posso vê-lo, embora ele esteja sentado bem na minha frente na sua cadeira. Ainda que isso seja bonitinho, é uma tremenda falha ante a Teoria da Mente.

Geralmente, garotas desenvolvem a Teoria da Mente antes dos garotos, e garotas adolescentes se dão melhor que garotos adolescentes em situações de Teoria da Mente. A vantagem feminina na Teoria da Mente também se estende à idade adulta. A capacidade superior da mulher na Teoria da Mente é provavelmente um resultado de fatores tanto sociológicos quanto evolutivos.

O cientista cognitivo Simon Baron-Cohen (ele é o primo de Borat. Sério!) afirma que o autismo afeta mais homens do que mulheres porque quem é autista possui uma “mente extremamente masculina”. Autistas normalmente não têm uma Teoria da Mente ou a tem de forma subdesenvolvida, o que explica por que eles frequentemente sofrem para interagir socialmente – eles não têm a capacidade de ler outras pessoas.

Então o que a Teoria da Mente tem a ver com ficção?

Bem, estudos mostram que quando nós lemos ficção, as partes do nosso cérebro responsáveis pela Teoria da Mente se acendem e são ostensivamente acionadas. Narrativas exigem que adivinhemos os desejos ocultos dos personagens, descubramos o que seus inimigos ou amantes podem ou não estar pensando (quando o autor não nos conta explicitamente), ao mesmo tempo que acompanhamos todas as interações sociais entre os personagens.

Ernest Hemingway é famoso por forçar seus leitores a adivinhar o estado mental de seus personagens substituindo palavras por ações. Por exemplo, no final supertriste de Adeus às Armas (não leia se você estiver prestes a ser pai. Confie em mim), o personagem principal, Frederic Henry, não fala absolutamente nada – ele simplesmente caminha de volta para o hotel embaixo de chuva. Fim.

A casa dos budas ditosos, de João Ubaldo RibeiroA casa dos budas ditosos, de João Ubaldo Ribeiro

Romances de suspense exercitam ainda mais nossa capacidade de Teoria da Mente. Sempre que você estiver lendo um romance de Dashiell Hammett, você está adivinhando junto a Sam Spade o que os gestos sutis ou as palavras ditas por todos os personagens de fato significam. O suspeito ou a testemunha estão dizendo algo somente para tirar você e Sam Spade da pista? Equilibrar toda essa leitura mental é tão divertido quanto desafiador, e é por isso que a crítica literária Lisa Zunshine afirma que o exercício mental que você faz ao ler uma história de detetive é bem parecido com levantar pesos numa academia.

Além de ativar nossa Teoria da Mente, ler ficção pode fortalecê-la? Em estudos recentes do Dr. Oatley, a resposta parece ser “sim”. Em trabalhos publicados em 2006 e 2009, Dr. Oatley relata que indivíduos que leem ficção frequentemente se saem melhor em testes de Teoria da Mente, independente de gênero.

Um deles é o Teste do Olho da Mente, no qual participantes olham para fotos de olhos de pessoas – e nada mais que isso – e então têm de descrever o que essas pessoas estão sentindo. Leitores de ficção se saíram melhor neste teste do que leitores de não-ficção. E um estudo de 2010 realizado em crianças em idade pré-escolar mostrou que quanto mais histórias foram lidas para elas nessa idade, mais fortes ficaram suas Teorias da Mente.

Leiam para os seus filhos, pais!

Ler ficção deixa o leitor mais empático

Para ter empatia, não basta perceber o que outra pessoa está sentindo (no que a Teoria da Mente pode ajudar): empatia exige que nós tenhamos a mesma reação emotiva que o outro indivíduo.

Da mesma forma que com a Teoria da Mente, homens geralmente são menos empáticos que mulheres. Enquanto nós tendemos a pensar em empatia mais como um traço feminino, é essencial para os dois gêneros desenvolvê-la, pois ela é a cola que mantém unida a civilização e o que nos permite ter relacionamentos fortes e duradouros com nossos amigos e amantes.

Infelizmente, como enfatizamos em nosso artigo “Our disembodied selves and the decline of empathy” (“Nossos eus despersonificados e o declínio da empatia”), a empatia vem diminuindo tanto entre homens quanto entre mulheres nas últimas décadas, e a comunicação on-line tem sido uma força propulsora por trás dessa queda. Ainda que encorajemos nossos leitores a contra-atacar o poder sugador-de-empatia das conversações on-line equilibrando-as com mais conversas cara a cara, estudos mostram que encarar um bom romance também pode ajudá-los a aumentar a empatia.

Em 2008, Dr. Oatley testou se a leitura de ficção nos faz mais empáticos. Ele deu a 166 participantes ou o conto de Chekhov “A Dama e o Cachorrinho” ou uma versão da mesma história em formato de documentário. Os traços subjetivos de personalidade e as emoções foram avaliados antes e depois da leitura. Embora os leitores do documentário chato não tenham mostrado empatia ou apego aos personagens, os que leram a história original de Chekhov apresentaram um aumento de empatia pelos personagens.

Estudos similares realizados pela Universidade de Buffalo apontam a mesma coisa. Dr. Oatley admite que as mudanças podem ter sido somente temporárias, mas prevê a hipótese de que ler ficção repetidamente pode causar mais efeitos duradouros à empatia.

Ler ficção aumenta a criatividade

Cientistas cognitivos acreditam que a ficção tem origem nas brincadeiras. Assim como crianças se engajam em mundos imaginativos, adultos o fazem quando leem uma história. E assim como uma encenação com um final indefinido desenvolve a capacidade da criança de conceber e avaliar alternativas, uma peça de ficção bem escrita faz o mesmo com adultos. Ler ficção pode aumentar nossa criatividade nos expondo a histórias e narrativas fantásticas que de outro modo não vivenciaríamos lendo não-ficção.

A insustentável leveza do ser, de Milan KunderaA insustentável leveza do ser, de Milan Kundera

Mas talvez o maior aumento de criatividade da ficção seja o que o crítico literário Viktor Shklovsky disse a respeito da ficção: tornar estranho o conhecido, de modo que olhamos para as coisas sob uma nova luz.

A ficção nos permite comparar como funcionam as ideias e experiências humanas em um mundo de faz-de-conta para com o funcionamento delas na vida real. Dessas comparações, podemos começar a pensar em ideias de formas profundamente diferentes. Eu gosto de pensar que a ficção nos orienta para depois nos reorientar, e durante essa reorientação, novas ideias surgem em nossas mentes.

Que tipo de ficção eu devo ler?

Numa entrevista por telefone, perguntei ao Dr. Oakley se há algum tipo de ficção que os homens devem ler em particular. Ele respondeu que devemos ler o que quer que nos interesse, sejam romances russos intelectuais ou folhetins superficiais. “Nossos estudos mostram que o efeito da ficção na mente independe da qualidade literária”, afirma.

Ele na verdade encoraja os homens a ler uma variedade extensa de ficção, de modo que “consigam conhecer mais pessoas em mais circunstâncias”. Então vá em frente. Leia aqueles romances de Louis L’Amour e Michael Crichton sem culpa nenhuma. Você está ajudando a si mesmo a  se tornar um carismático dínamo-social.

Como mencionamos antes, romances de suspense podem exercitar de forma mais precisa sua teoria da mente, pois exigem que adivinhemos intenções ocultas de um grupo de suspeitos baseados em pistas sutis deixadas pelo autor. Assim, meter a cara no seu Hammett, Chandler ou Christie possivelmente será benéfico e certamente será prazeroso.

E embora os romances de Jane Austen sejam repudiados por homens, eles também prestam um bom serviço ao trabalhar com a sua Teoria da Mente. Ficar ligado em quem está interessado em quem e o que realmente significam aqueles trejeitos vitorianos sutis vai fritar seu cérebro, mas vai torná-lo mais forte no quesito habilidades sociais. Confissão: eu li recentemente Razão e sensibilidade e gostei de verdade.

Dr. Oatley sugere dois livros que ele leu recentemente e que achou que nós homens íriamos gostar: Terras baixas e O fundamentalista relutante.

Conclusão: Certifique-se de misturar leituras de ficção com suas preferências de não-ficção. Isso irá torná-lo um homem melhor e mais bem-sucedido.

Nota do editor 1: o artigo acima é uma tradução do texto “Why men should read more fiction“, do Art of Manliness, feita por Gustavo de Santana e revisada por Rodolfo Viana. Imagens do Grifei num livro.

Nota do editor 2: O PdH tem bons artigos sobre literatura de ficção e não-ficção. Seguem seis deles:

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Notícia boa vinda de Brasília! Pontos de ônibus em Brasília viram estação cultural e têm internet grátis

Quem não quiser usar o computador, pode acessar a internet no celular, com a rede sem fio. Tudo de graça. Ainda tem uma pequena biblioteca com livros que podem ser lidos ali mesmo ou podem ser levados para casa.

Geiza Duarte Brasília

Surgiu em Brasília uma solução para tornar mais agradável aquele tempo que o brasileiro perde esperando a condução nos pontos de ônibus. A ideia de espalhar livros começou há algum tempo, mas agora tem tecnologia também. A parada de ônibus virou uma estação cultural. Tem até internet para os passageiros.

O olhar atento é de quem ainda não está muito familiarizado com a novidade, mas já que o computador está à disposição vale à pena fazer uma adaptação para usar o teclado virtual. É um convite ao aprendizado. “Eu sou analfabeto nesse negócio de informática. Tem muito pouco tempo que eu só sei o elementar, que foi o que eu fiz aqui. E o elementar funcionou”, comenta o livreiro Ivan Presença da Silva.

É uma estação cultural no meio da parada de ônibus. E quem não quiser usar o computador, pode acessar a internet no celular, com a rede sem fio. Tudo de graça. “Aqui eu atualizo as últimas notícias e continuo conectado mais uns minutos até chegar em casa”, conta o técnico de informática Thomás Sauro. “Vai fazer com que os usuários de ônibus tenham uma espera mais tranquila, mais divertida e mais cultural”, aposta o advogado Fabrízio Morelo.

Ainda tem uma pequena biblioteca com livros que podem ser lidos ali mesmo ou, se o leitor preferir, pode levar pra casa e devolver quando quiser. “Dificilmente, você tem tempo de ler no ônibus e você pode estar folheando um livro que você pega aqui”, diz a estudante Eduarda Silvino.

Por enquanto, só três paradas de ônibus ganharam as mini estações culturais. É uma fase de testes, mas a proposta é inaugurar outras 37 estações em vários pontos da cidade até a Copa do Mundo de 2014. O projeto teve apoio de empresas públicas e de uma fundação.

O idealizador do projeto é Luiz Amorim, filósofo autodidata e dono de açougue. Tudo começou quando, aos 16 anos, ele aprendeu a ler e se apaixonou pela literatura. Montou uma banca no açougue e passou a emprestar os livros que tinha. Há cinco anos, ele espalhou estantes cheias de livros pela cidade e agora o sonho de compartilhar conhecimento cresceu.

Londres já colocou em funcionamento um projeto semelhante, de livre acesso à internet, em toda a rede de metrô.

Por falar em internet, em meio a toda essa repercussão do caso da atriz Carolina Dieckmann, a Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (15) um projeto que torna crime invadir computadores.

A pena prevista é de três meses a um ano de prisão, além de multa. A punição será dobrada no caso de roubo de e-mails privados ou comerciais e pode aumentar ainda mais se o conteúdo for distribuído. O texto segue agora para o Senado.

 

Vi aqui

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Manuscrito de ‘On the Road’

Quando leio este tipo de notícia sempre me pergunto se terei tempo suficiente para ler todos os livros que quero tanto, este aqui é mais um deles:

Manuscrito de ‘On the road’, de Jack Kerouac, é exposto no Museu das Letras e Manuscritos, em Paris, nesta quarta-feira (16).

O rolo de 36 metros ficará exposto até o dia 19 de agosto.

O filme ganhou versão dirigida pelo brasileiro Walter Salles, que estreia em junho e tem Kristen Stewart, Amy Adams, Kristen Dunst e Viggo Mortensen no elenco.

Fonte: 

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Livro na cabeça


Campanha para venda de vale- livros, em Londres. O mote é: cada leitor tem um livro diferente na cabeça.

Via: Livros e Afins

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Câmara Brasileira do Livro promove concurso de teses científicas

Agência FAPESP – A Câmara Brasileira do Livro (CBL) recebe até o dia 10 de abril inscrições para um concurso de teses científicas. Os vencedores terão oportunidade de expor sua produção na terceira edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital, que será realizado em São Paulo nos dias 10 e 11 de maio.

Os trabalhos deverão abordar um dos seguintes temas: “Novos modelos de negócios relacionados aos livros digitais”; “Aspectos de usabilidade de leitores digitais (e-readers)”; “Bibliotecas Digitais”; “Aspectos educacionais dos livros digitais”; “Direitos autorais e Copyright”; “Marketing do livro digital”; “Redes sociais e livros digitais”; “O novo papel do editor”.

Os dois primeiros colocados receberão prêmio em dinheiro, terão os trabalhos publicados na Revista de Gestão da USP e espaço para apresentar suas teses para os congressistas.

Realizado pela CBL desde 2010, o evento tem como objetivo discutir tendências do mercado editorial de conteúdo digital. Nesta terceira edição, o tema central será “A nova cadeia produtiva de conteúdo – do autor ao leitor”.

Os modelos de negócios, os aspectos tecnológicos, os direitos autorais e o comportamento do leitor são algumas das questões que serão abordadas por palestrantes brasileiros e estrangeiros.

Nesse contexto, o concurso de teses científicas tem como objetivo estimular a contribuição da academia na definição dos rumos desse novo segmento do mercado editorial no Brasil.

O regulamento completo do concurso e as regras para a inscrição dos trabalhos estão disponíveis no endereço www.congressodolivrodigital.com.br/site/trabalhos-cientificos.

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