Arquivo da tag: gramática

ABL discorda da posição do MEC

Agência FAPESP – A corrente discussão sobre a tolerância em relação a alguns desvios de linguagem é importante para os pesquisadores científicos, de que em geral as entidades universitárias e de fomento à pesquisa exigem que apresentem seus relatórios e projetos redigidos de acordo com a norma culta da língua portuguesa vigente.

A respeito desse tema, a Academia Brasileira de Letras divulgou a nota abaixo reproduzida.

“O Cultivo da Língua Portuguesa é preocupação central e histórica da Academia Brasileira de Letras e é com esta motivação que a Casa de Machado de Assis vem estranhar certas posições teóricas dos autores de livros que chegam às mãos de alunos dos cursos Fundamental e Médio com a chancela do Ministério da Educação, órgão que se vem empenhando em melhorar o nível do ensino escolar no Brasil.

Todas as feições sociais do nosso idioma constituem objeto de disciplinas científicas, mas bem diferente é a tarefa do professor de Língua Portuguesa, que espera encontrar no livro didático o respaldo dos usos da língua padrão que ministra a seus discípulos, variedade que eles deverão conhecer e praticar no exercício da efetiva ascensão social que a escola lhes proporciona. A posição teórica dos autores do livro didático que vem merecendo a justa crítica de professores e de todos os interessados no cultivo da língua padrão segue caminho diferente do que se aprende nos bons cursos de Teoria da Linguagem. O nosso primeiro e grande linguista brasileiro, Mattoso Câmara Jr., nos orienta para o bom caminho nesta lição já de tantos anos, mas ainda oportuna, a respeito da qual devem refletir os autores de obras didáticas sobre a língua materna: “Assim, a gramática normativa tem o seu lugar no ensino, e não se anula diante da gramática descritiva. Mas é em lugar à parte, imposto por injunções de ordem prática dentro da sociedade. É um erro profundamente perturbador misturar as duas disciplinas e, pior ainda, fazer linguística sincrônica com preocupações normativas” (Estrutura da Língua Portuguesa, 5). O manual que o Ministério levou às nossas escolas não o ajudará no empenho pela melhoria a que o Ministro tão justamente aspira.”

Mais informações: www.academia.org.br

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Ensino

Ministério da Educação deveria zelar pela norma culta do português – CBN

Ministério da Educação deveria zelar pela norma culta do português – CBN.

Desde o tempo da graduação assisto ao embate de duas correntes de educadores, pesquisadores e demais estudiosos da Língua Portuguesa:

A escola deve dar prioridade à Norma Culta ou ao Popular.

Ainda durante a graduação, boa parte dos docentes e dicentes colocavam-se do lado do ensino da variante, em detrimento da Norma Culta, que seria utilizada pela maioria economico-dominante de maneira preconceituosa e etc. e tal.

Juro que pensei que fora dos muros da Universidade jamais escutaria isso.

Ainda o ano passado ouvi de uma professora de quarto ano do Ensino Fundamental, que corrigir todos os erros ortográficos de uma aluno causaria desestímulo na criança. Que com uma postura mais “flexível” ela acabaria aprendendo…(Como? Não sei).

A contra-argumentação é uma arte…que eu não domino. Uma vez que eu era a responsável pelo aprendizado do aluno em questão, então passei a corrigir eu, oras.

Depois de meses longe do ambiente universitário, chega aos meus ouvidos novamente  a pendenga…uso da norma padrão ou não?

Felizmente, desta vez, a comentarista do quadro Missão Aluno da CBN,Ilona Becskeházy, foi exata em sua colocação e expressou muito bem uma opinião de que partilho.

Por que os partidários do uso da norma não-padrão matriculam seus filhos em escolas que primam pelo uso da norma?

É uma questão a se pensar.

Há minutos atrás, eu ler o edital para um concurso público, e lá estava, entre outros milhões de requisitos para a classificação: Uso adequado da língua portuguesa em seu padrão culto. Assim, ipsis litteris.

Caríssimos colegas que apregoam a utilização da variante em sala de aula, por favor, expliquem-me, então qual é o motivo de não darmos às crianças e aos jovens estudantes a chance de um emprego, uma ascensão social?

Será que é a norma culta mesmo que é preconceituosa e excludente?

Ficam as perguntas no ar…

Obs. Toda esta polêmica se deu devido à nota do MEC sobre um livro. Mais informações, aqui.

Deixe um comentário

Arquivado em Ensino

Professor lista 4 estratégias para facilitar a leitura dos estudantes

da Livraria da Folha

Em “Coisas que Todo Professor de Português Precisa Saber” (Parábola, 2010), o professor adjunto de língua portuguesa da Universidade Federal da Bahia, Luciano Amaral Oliveira, tenta desvendar os ruídos que se estabelecem entre os alunos e os mestres que lecionam português para os Ensinos Fundamental e Médio.

Dividido em seis capítulos, o volume analisa as gramáticas normativas e o que os livros teóricos “pregam” sobre o ensino do português para que os professores da disciplina se aproximem de seus alunos de uma forma menos traumática e mais prática.

O volume discute cinco questões teóricas que compõem a prática pedagógica –o que é ensinar, o que é método de ensino, o que é língua, o que é saber português e a razão pela qual se ensina português para brasileiros.

Amaral Oliveira enumera quatro estratégias de leitura que podem ser aplicadas por professores, estudantes e leitores em geral. Veja abaixo:

*

PREDIÇÃO – “Prever o conteúdo de um texto faz com que o leitor ative esquemas mentais e o ajuda a construir hipóteses sobre o texto”. Acostumar os alunos a explorarem o título, o subtítulo e as imagens de um texto para prever seu conteúdo é importante para conscientizá-los acerca de um fato de que eles geralmente se esquecem: um texto não é formado necessariamente só por palavras, pois ele pode também possuir imagens e cores significativas”.

ADIVINHAÇÃO TEXTUAL – “É outra estratégia de leitura muito importante, a qual faz parte da competência estratégica de leitores experientes e precisa ser estimulada e desenvolvida nos estudantes. Eles precisam ser informados pelo professor que um leitor eficiente não tem de conhecer todas as palavras de um texto para compreendê-lo. Esse tipo de leitor tende a ignorar as palavras desconhecidas que vai encontrando em um texto, a menos que alguma delas seja essencial para o processamento da leitura. Nesse caso, o leitor, antes de recorrer a um dicionário, pode tentar adivinhar o significado da palavra a partir do seu contexto. Nem sempre essa tentativa funciona: às vezes, o leitor consegue chegar ao significado exato da palavra; outras vezes, ele consegue chegar a uma ideia do significado que o ajuda a entender o texto, embora não seja um significado muito preciso; outras vezes mais, ele não consegue chegar a significado algum, situação em que o dicionário surge como a alternativa mais indicada”.

INFERENCIAÇÃO – “A busca do não dito a partir do dito. Um elemento que os alunos têm à sua disposição para realizar inferências é o vocabulário usado nos textos, que muitas vezes trazem pressupostos importantes para a construção dos sentidos. E uma atividade que o professor pode realizar para ajudar seus alunos a perceberem que precisam estar sempre atentos às entrelinhas é a análise de manchetes jornalísticas. Ele pode pegar jornais publicados na sua cidade, selecionar manchetes, fotocopiá-las ou escrevê-las no quadro ou ditá-las para os alunos, que terão de dizer o que está implícito nelas”.

IDENTIFICAÇÃO DAS IDEIAS MAIS IMPORTANTES DE UM TEXTO – “É outra estratégia que os estudantes precisam dominar. Afinal, isso é fundamental para o aluno ser capaz de elaborar resumos, habilidade muito exigida na universidade. Uma coisa simples que o professor pode fazer para levar seus alunos a usarem essa estratégia é solicitar-lhes que identifiquem a ideia principal de cada parágrafo de alguns textos que ele selecionar para leituras em sala de aula”.

*

“Coisas que Todo Professor de Português Precisa Saber”
Autor: Luciano Amaral Oliveira
Editora: Parábola
Páginas: 272
Quanto: R$ 29,75 (preço promocional, por tempo limitado)
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/836162-professor-lista-4-estrategias-para-facilitar-a-leitura-dos-estudantes-leia-trecho.shtml

Deixe um comentário

Arquivado em Ensino

O Professor de Gramática da Graduação

UM TEXTINHO DE PRESENTE

Não vou citar nomes para não ficar chato.

Quem ler, incluindo o próprio, saberá de quem estou falando.

Ele era o professor mais cobiçados entre as garotas e alguns, digamos, garotos, do curso de Letras da Universidade.

Ainda que se vestisse parentemente sem muito cuidado e jamais eu tenha o visto dando qualquer espaço para assédio. Era um homem casado e muito sério. E a graça estava aí.

Ele detinha o saber e o modo com que transmitia era … colocarei incrível por não querer derivar um adjetivo do nome.

Aliás, ele reprovaria o com que usado na frase anterior. Ok.

De certa feita, enquanto andava perdida entre trabalhos e lições e ciúmes de um certo alguém, houve uma prova dele. Análise sintática.

Ele sabia. Ele sabia tanto, que nos confundia a todos. Cada qual por um motivo diferente. Sob o signo de escorpião ele escavava minunciosamente. E lá estava eu, ele, a prova, uma estrela de cinco pontas e uma moça que prefiro não adjetivar,  pois isto aqui é um blog de família.

Não havia análise sintática bastante para mim aquele dia. Depois de encher a prova de símbolos astrológicos, entreguei-a envergonhada e fui conjugar outros verbos que me afligiam à época.

Três.

Esta foi a nota que ele generosamente me deu, pois que eu não merecia nem isso.

Zanguei-me, como boa pisciana, silenciosamente. Zanguei-me comigo, por não conseguir transpor em regras o que a intuição sabia, zanguei-me por ser competitiva e ver que o sujeito de outras orações tirava uma nota melhor que a minha e zanguei-me triste por desapontá-lo.

Dada a oportunidade, disse-lhe com palavras minhas e de  Clarice Lispector, que respeitava muito a gramática, mas gostar, não gostava não.

Passou-se o tempo.

No último semestre muita água já tinha passado embaixo de nossas orações nem sempre coordenadas.

Suas aulas eram as últimas. Todos os alunos, exceto o tal sujeito eu eu,iam embora fosse ou não preciso, mas nós ficávamos para ouvir o canto do cisne. Aquele tempo estava passando, e não queríamos deixá-lo escorrer assim de pronto.

E então o professor floresceu. Então aprendi  o que em outros semestres, devido a minha não pequena dificuldade com regras, apenas sabia de sentir. Convivi com o professor apaixonado pela estranha magia de símbolos combiandos chamada Literatura. Senti sua paixão.

Porém, mesmo depois disso tudo e da sempre presente gentileza e cavalheirismo, sempre desconfiei se aquele professor constante e mudamente me odiou por eu não amar as coisas do jeito que ele amava-as.

Deixe um comentário

Arquivado em Literatura