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Trabalhos Forçados

Parece ser um consenso mundial a dificuldade de se sustentar sendo escritor, salvo raras exceções.

Carlos Drummond de Andrade trabalhou na política, mas antes era farmacêutico como Érico Veríssimo, compadre de Clarice Lispector, que dizia-se forçada a fazer traduções  e escrever colunas para jornais, não raro copiava trechos interiros de livros para suprir esta demanda.

Fernando Pessoa trabalhava como funcionário público…

Por isso acho interessante livros como este:

Vários escritores consagrados não conseguiram sobreviver só de literatura e tiveram que fazer outros trabalhos, “Trabalhos forçados”, de Daria Galateria (Roma, 1950) reuniu num livro os ofícios que tiveram vários deles:

Jack London: caçava baleias

Boris Vian: trompetista

Collete: vendedora de bijouterias e antirrugas

Charles Bukowski: carteiro

Dashiell Hammett: detetive particular

Veja o vídeo:

Esses não estão no livro: José Saramago foi metalúrgico, auxiliar administrativo e corretor de seguros, antes de ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. E Paulo Coelho foi ator, jornalista e compositor das músicas de Raul Seixas, antes de ser o escritor brasileiro mais conhecido no mundo atualmente.

 

Via Fernanda Jimenez

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Arquivado em Literatura, Na Biblioteca, Tempos obscuros

Pessoa cineasta?

Via: Jornal de Notícias

Ana Nunes Cordeiro *

Sob o rótulo “Film Arguments”, Fernando Pessoa deixou escritos e dactilografados argumentos cinematográficos em três línguas que só agora serão publicados em Portugal, bem como planos para criar uma produtora de cinema, a Ecce Film, e o respectivo logótipo.

foto Natacha Cardoso/Global Imagens
Pessoa escreveu argumentos para filmes

Com edição, introdução e tradução de Patrício Ferrari e Cláudia J. Fischer, todos esses textos de Pessoa directamente relacionados com cinema, inéditos em Portugal, foram pela primeira vez reunidos num volume intitulado “Argumentos para Filmes”, que chega a 8 de Julho às livrarias, no âmbito da colecção “Obras de Fernando Pessoa”, coordenada por Jerónimo Pizarro e publicada pela Ática, chancela da Babel.

Aí se podem encontrar seis argumentos cinematográficos incompletos da autoria de Fernando Pessoa, “quase certamente escritos ainda na época do cinema mudo”, indicam os autores da obra no prefácio.

Quatro dos argumentos, “todos datáveis da década de 1920”, foram escritos em inglês — um deles com diálogos em português –, com indicações como “Nota para um ‘thriller’ disparatado. Ou para um filme” ou “Meio plano para peça ou filme.”

Os outros dois, “de data posterior a 1917″ e redigidos em francês, já foram publicados, sim, mas apenas em França, em 2007, num pequeno opúsculo da Pléiade, juntamente com a tradução francesa de dois dos argumentos ingleses, e terão agora a respectiva tradução em português.

” Lusa, Cláudia J. Fischer, professora e investigadora do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, disse que embora tais argumentos cinematográficos não tenham até agora sido transcritos e traduzidos para português, presume que “já houvesse há algum tempo conhecimento da sua existência no espólio” de Fernando Pessoa (1888-1935).

“É espantoso” que tais textos não tenham ainda sido divulgados em Portugal, tendo em conta o grande número de estudiosos da obra do poeta que já teve acesso à sua famosa arca de papéis, observou a co-autora deste livro, acrescentando que “além destes, há ainda outros textos que nunca foram publicados, contrariamente à ideia que existe de que tudo do Fernando Pessoa já está publicado”.

“Provavelmente, nunca foram levados muito a sério, porque são fragmentados, não são muito completos. Nunca chegou, ele próprio, a avançar com uma proposta de publicação, porque não teriam ainda a sua forma definitiva. Penso que será por isso”, sustentou.

O que Cláudia J. Fischer e Patrício Ferrari acharam “particularmente fascinante” nestes argumentos ou planos para argumentos de filmes foi o facto de eles refutarem a tese de que Fernando Pessoa não se interessava por cinema, uma tese que até agora vigorava e era defendida em várias obras, incluindo o “Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português”, um volume publicado em 2008, com quase 600 artigos da autoria de 90 especialistas portugueses e estrangeiros, centrado na obra do poeta e nos traços culturais do seu tempo.

Essa tese tinha como fundamento excertos de alguns poemas de Álvaro de Campos, textos e correspondência de Pessoa em que este expressava uma quase aversão à sétima arte e que estão também incluídos neste livro “Argumentos para Filmes”, para melhor se entender o que afinal pensava o poeta sobre o cinema.

Nesses textos, “há várias referências ao cinema, muitas em tom um pouco depreciativo, mas porque está a referir-se ao cinema hollywoodiano, que considerava superficial — ou seja, há realmente um tratamento do tema do cinema, mas de um ponto de vista crítico”, apontou a investigadora.

Porém, como Pessoa “tinha a preocupação de ‘Fazer pela Vida’ – para citar o título do livro que Mega Ferreira escreveu sobre ele, em que ele apresenta vários projectos, patentes de máquinas, etc. -, como tinha a preocupação de rentabilizar algum produto seu, nós pensamos que estes argumentos, especialmente os ingleses, provavelmente tinham o intuito de ser comercializados no mercado anglófono – e não no português — e por isso é que estão em inglês”, referiu.

“São ‘thrillers’, às vezes lembram um bocadinho comédias de costumes, são sempre brincadeiras em torno de trocas de identidade, o que é muito interessante também para uma poética do Pessoa, toda a questão da identidade está muito iminente. São textos fragmentários, curtinhos, mas podem completar imensamente uma imagem do perfil que tem sido construído de Fernando Pessoa”, defendeu.

Outro dos capítulos do livro é dedicado aos projectos do poeta relacionados com o cinema: em 1919/1920, queria criar uma empresa que se chamaria Cosmopolis e, mais tarde, o Grémio de Cultura Portuguesa, “que eram uma espécie de agências de propaganda nacional” — explicou a professora universitária –, cuja acção passaria necessariamente pelo cinema, que Pessoa descreveu, nos seus planos, como “uma das maiores armas de propaganda que se pode imaginar” e que pretendia usar “para divulgar Portugal no mundo”.

É no âmbito destes dois projectos que tem a ideia — “que passou muito despercebida” — de criar uma produtora cinematográfica, a Ecce Film, sublinhou.

“O logótipo, completamente inédito, que nós reproduzimos no livro é invenção do Fernando Pessoa, incluindo o aspecto gráfico. Ele ensaiou vários logótipos para esta Ecce Film e imaginou já o papel timbrado e os envelopes com uma morada — que nós desconhecíamos se existia e que fomos procurar”, descreveu.

A morada era ‘Rua de S. Bento, números 333 e 335’ e os dois investigadores descobriram que aí existira um estúdio de cinema que era utilizado por importantes produtoras de filmes da época.

O que se conclui, frisou Cláudia J. Fischer, e é essa a grande novidade deste livro, é que “Fernando Pessoa estava a par do que se passava no sector cinematográfico em Lisboa, interessava-se por isso e chegou mesmo a projectar qualquer actividade sua ligada ao cinema, fosse produção ou fosse divulgação”.

* Agência Lusa


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Heirich Heine e a insconstância nossa de cada dia…

O poeta alemão Heirich Heine (1797-1856) destoa um pouco daquilo que se convencionou chamar de “estilo alemão”. Ainda que haja profundidade em suas poesias, não esmerilha os temas analiticamente como seus conterrâneos , pelo contrário, há uma doce ironia na sua obra que influenciou muito de nossos maiores poetas.

De acordo com a crônica de Marcelo Coelho publicada no último dia 27, na Folha de São Paulo, Heine teria influenciado diretamente poetas como Manuel Bandeira, Castro Alves e [na minha opinião o mais irônico de nossos poetas] Carlos Drummond de Andrade.

A simplicidade com que expunha seus sentimentos, sua parcialidade diate das cenas trágicas de amor e afins, soa quase como que humorística, não fosse sua doçura na escrita.

Mas ontem , ao ler este seguinte trecho:

“Estrelas, lua, sol e flor,

Dois olhos e canções de amor,

Por mais que nos comovam lá no fundo

Não mudam uma vírgula no mundo…”

é que pensei na estreita ligação entre as coisas que damos importância demasiada e na verdade nem são tudo isso.

É a constante inconstância da vida, como já dizia Pessoa : “Hoje não faço planos, duro…somam-se me dias, serei velho quando for, mais nada.”

 

 

 

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123° aniversário de Fernando Pessoa

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Doodle- Google comemora 123° aniversário de Fernando Pessoa

 

Hoje, dia 13/06/2011, o Google publicou mais um de seus Doodles, dessa vez em comemoração ao 123° Aniversário de Fernando Pessoa.

 

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Atualidade de Fernando Pessoa

11/05/2011

Agência FAPESP – No dia 16 de maio, o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da Universidade de São Paulo realizará a palestra “Atualidade de Fernando Pessoa”, que tem por objetivo discutir uma nova abordagem sobre os textos do escritor português.

O encontro será coordenado por Fernando Paixão, professor de Literatura do IEB e terá a participação do professor Fernando Cabral Martins, do Instituto de Estudos sobre o Modernismo, da Universidade Nova de Lisboa (Portugal).

Martins foi o organizador do Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português”.

A palestra ocorrerá no auditório da Casa de Cultura Japonesa, localizada na Av. Prof. Lineu Prestes, 159, Cidade Universitária, São Paulo, a partir das 14h30. O evento é gratuito e não há necessidade de inscrição prévia.

Mais informações: www.ieb.usp.br, difusieb@usp.br ou (11) 3091-1149.

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