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Restrospectiva de Leituras 2012 – Memórias de uma moça bem comportada

Feminismo, feminismo, feminismo, lendo muito e sabendo pouco, após a peça “Viver sem tempos Mornos”, brilhantemente encenada e dirigida por Fernanda Montenegro percebi que já havia passado da hora de efetivamente conhecer essa moça tão revolucionária.

Francesa, atea, criada num meio burguês, educada catolicamente, foi , sem dúvida, a mulher mais importante da filosofia do século XX.

Minha ideia primeira era ler o Segundo Sexo, porém, como é difícil achar este livro, comecei pelo primeiro livro de memórias da autora.

Devo confessar, o início é um pouco maçante enquanto Simone discreve sua infância detalhadamente, porém, vencido isto, suas reflexões, o início do amadurecimento de suas ideias e sua racionalidade tão cristalina são cativantes.

Pois bem, foi  a partir de Memórias de uma moça bem-comportada, que iniciei meus contatos com srta. Beauvoir, e digo-lhes, não fui mais a mesma…

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Restrospectiva de Leituras 2012 – Histórias Íntimas

O livro Histórias Íntimas caiu em minhas mãos tão por acaso, que mal pude acreditar na excelente companhia que me fez nas férias.

A Autora narra com tanta sutileza e bom humor a história dos costumes sexuais tupiniquins que devorei o livro rapidamente.

Além disso, no final, mais contemporâneo, há importantes trechos sobre a revolução sexual, o feminismo e como isso incidiu e incide em nossos costumes até hoje.

Muito recomendado.

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Toda Mulher Simone de Beauvoir A (Deise Quintiliano)

 

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Marguerite Duras

Mais uma escritora que eu considero femininíssima. Quem leu “O Amante”, sabe, quem não, vai conseguir visualizar facilmente nas falas dela transcritas abaixo:

“Devia existir uma escritura do não escrito. Um dia existirá.” (p. 73)

Nasceu Marguerite Donnadieu (Gia Dinh, Vietnã, 04/ 04/ 1914- Paris, 03/ 03/ 1995) e adotou o sobrenome Duras, por causa de uma vila na cidade Lot- et- Garrone na França, terra natal do seu pai.

               

                  

“Escrever”é um ensaio onde a escritora usa a narrativa poética, confessional, psicológica para expôr suas percepções e vivências acerca do ato de escrever. Nesta obra, que alcançou o primeiro lugar da lista dos livros mais vendidos na França, Marguerite Duras fala do seu trabalho e dos seus amores, da solidão e dos medos da infância, da morte e da injustiça. No seu estilo particular, entre cortado de hesitações e arrebatamentos apaixonados, a escritora pela primeira vez se revela por inteiro, na sua tenacidade e na sua doçura.

Ela fala dos amantes que teve e afirma que jamais mentiu na sua vida e nem nos seus livros, exceto para os homens, como se mentir para eles fosse algo sacramentado, livre de “pecado” ou impossível de evitar:

Nunca menti num livro. Nem em minha vida. Exceto aos homens. (p. 35)

O livro está dividido em 5 capítulos: “Escrever”, “A morte do jovem aviador inglês”, “Roma”, “O número um” e “A exposição da pintura”. A motivação do livro foi a história de um aviador que morreu aos 20 anos abatido pelos alemães justo no dia da paz. Essa história parece que marcou mesmo a escritora, ela contou com muita dor, certas passagens lembraram muito Clarice Lispector:

A morte de qualquer um é a morte inteira. Qualquer um é todo mundo. (p. 67)

O primeiro capítulo, “Escrever”, é o mais interessante, ela solta frases muito dessas que nos fazem refletir; também revela seus hábitos diários de escritura (sempre pelas manhãs, mas não tinha hora fixa) fala sua solidão e alcoolismo na sua casa de Neauphle- le- Château:

Quando eu dormia, cobria o rosto. Tinha medo de mim. Não sei como, não sei porquê. E por isso bebia álcool antes de dormir. Para esquecer- me de mim.” (p. 25)

Várias passagens desse livro me recordaram “A paixão segundo G.H.”. Clarice achava que a escritura salvava; Marguerite, também.

“Se eu não tivesse escrito teria me transformado numa alcoólatra sem cura.” (p. 26)

Duras falou nesse livro da morte de uma mosca; Clarice, na de uma barata. Clarice inaugurou no Brasil a narrativa psicológica, Duras já escrevia assim na França. Não creio que sejam meras coincidências, Clarice deve ter lido Marguerite:

“A mosca havia morrido.” (p. 45)

Eu praticamente reproduziria o I capítulo inteiro aqui para mostrar as semelhanças entre as duas escritoras. Confesso que fiquei algo decepcionada, até então achava “A paixão segundo G.H.”, um dos livros mais originais que havia lido.

Ainda que chorar seja inútil, creio que, contudo, é necessário chorar. Porque o desespero é tangível. A recordação do desespero permanece. Às vezes mata.” (p- 54)

Duras, Marguerite. Escribir. Tusquets, Barcelona, 2009. Preço: 6, 60 euros, Fnac.

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10 musas da literatura (Advinhe de quem é o primeiro lugar)

As 10 musas da literatura

Existe uma tese (representada pelo gráfico abaixo) que defende que quanto melhor uma mulher escreve, mais feia ela é. Nós discordamos. É lógico que existem alguns casos que corroboram com a teoria. Porém, selecionamos algumas boas provas contrárias.
Para falar sobre as musas da literatura não podemos apenas contrariar a teoria acima. O assunto é muito mais… interessante.  A beleza não poderia ser nosso único parâmetro, simplesmente porque para ser musa não basta ser bonita. Se fosse o caso, chamaríamos nossa lista de “as escritoras mais gatas” ou algum outro título semelhante.
Procurávamos por 10 escritoras que, além de serem surpreendentemente belas, tivessem alguma qualidade literária, umas em menor grau, outras em maior grau. Normal. Procurávamos, também, criar uma lista eclética (eita palavra odiosa), com escritoras de países e épocas diferentes.  Para nossa felicidade – e dificuldade na hora da seleção – encontramos bem mais do que dez nomes. Encontramos também ótimas histórias para contar sobre todas elas. Sem mais enrolação, vamos lá,
Eis nossas 10 musas da literatura:
#10 Colette
Sidonie-Gabrielle Claudine Colette Gauthiers-Villars de Jouvanel Goudeket
Saint-Sauveur Pulsaye, França, 1873
Obra selecionada: Gigi
Como você já deve ter percebido, Colette foi uma figura exótica. Sua literatura é considerada uma defesa à liberação moral, cheia de feminilidade e sexualidade, temas inspirados na sua segunda profissão: dançarina de cabaré. A escritora foi a segunda mulher a receber a Legião de Honra, foi eleita para a Real Academia Francesa e teve uma amizade duradoura com a Rainha Elizabeth. Sua popularidade era tamanha que, quando morreu, em 1954, recebeu as honras de um funeral de Estado. Isso é que é perfil. E ainda era considerada, digamos assim, um sex symbol no começo do século XX.
#9 Marisha Pessl
Marisha Pessl
Detroit, Estados Unidos, 1977
Obra selecionada: Tópicos Especiais em Fisica das Calamidades
Por enquanto, Marisha Pessl é escritora de um só livro: Tópicos especiais em física das calamidades. Lançado em 2006, fez um sucesso considerável lá fora, chegando à lista de best-sellers do New York Times. Pra ser sincero, as poucas páginas que li não conseguiram me convencer do talento literário da moça, mas uma coisa é inegável: quando o assunto é escritoras, sua beleza está bem acima da média.
#8 Sylvia Plath
Sylvia Plath
Boston, Estados Unidos, 1932
Obra selecionada: The Colossus and Other Poems
Bela, mas infeliz. Única poetisa da nossa lista, Sylvia Plath viveu uma vida tão trágica que rendeu uma teoria: o chamado Efeito Sylvia Plath. Criada pelo psicólogo James C. Kaufman, a teoria defende que escritores criativos são mais suscetíveis a doenças mentais. Não resta dúvida que sua conturbada vida pessoal serviu como material para sua escrita, principalmente em sua poesia confessional, influência importante para o movimento feminista que explodiu alguns anos após seu suicídio. Plath foi interpretada por Gwyneth Paltrow no filme Sylvia – Paixão além das palavras, de 2003.
#7 Anaïs Nin
Angela Anaïs Juana Antolina Rosa Edelmira Nin y Culmell
Neuilly-sur-Seine, França, 1903
Obra selecionada: Delta de Vênus
Francesa, filha de pai cubano e mãe dinamarquesa, Anaïs Nin foi uma das mais famosas escritoras eróticas do seu tempo. Assim como o escritor Henry Miller, de quem foi amante, escrevia contos para um colecionador particular que lhe pagava 1 dólar a página. Casou-se com o banqueiro Hugh Guiler em 1923, mas nunca fez questão de esconder suas relações extraconjugais. Nin se dedicou por cerca de 60 anos aos seus diários pessoais, nos quais, além de documentar a infidelidade ao marido, também confessa a influência de Proust, Jean Cocteau, Paul Valéry e Rimbauld e revela a amizade com Gore Vidal e outros escritores.
#6 Mayra Dias Gomes
Mayra Dias Gomes
Rio de Janeiro, Brasil, 1987
Obra selecionada: Fugalaça
Mayra Dias Gomes começou muito cedo. Aliás, é a escritora mais jovem da nossa lista. Publicou seu primeiro livro aos 19, o segundo aos 22. A carreira precoce parece ter sido catalisada pela herança deixada pelo pai, sobre o desafio de criar uma carreira independente do sobrenome. Mayra é filha de Dias Gomes, um dos principais dramaturgos e novelistas brasileiros dos últimos anos, autor do teatro O pagador de promessas, da novela Roque Santeiro, entre outros. A escritora parece estar trilhando o próprio caminho, além dos dois livros, trabalhou como repórter da Folha de São Paulo, colaboradora da MTV e já exibiu suas belas curvas na Sexy, Playboy e VIP.
#5 Alice Denham
Alice Denham
Jacksonville, Estados Unidos, 1933
Obra selecionada: My darling from the lions
Alice Denham é, até hoje, a única coelhinha da Playboy norte-americana a ter publicado um conto na mesma edição da qual foi capa, em julho de 1956. Bem, esse não é lá um predicado muito glorioso para uma escritora, mas prova duas coisas: sim, ela escrevia; e sim, ela era gata. Miss Denham foi escritora de romances e histórias curtas (inéditos no Brasil), professora de inglês na Universidade de Nova York, modelo, e roteirista de cinema e televisão. Em seu último livro, Sleeping with bad boys, revelou os relacionamentos com o ator James Dean e os escritores Jack Kerouac, Philip Roth e Joseph Heller. Praticamente uma maria-máquina-de-escrever.
#4 Pola Oloixarac
Pola Oloixarac
Buenos Aires, Argentina, 1977
Obra selecionada: As teorias selvagens
Ela chegou à FLIP desse ano com o status de musa, assumindo o papel de musa: “Quem disse que intelectual tem de ser feio?” Jovem, nerd e bonita, Pola Oloixarac começou a conquistar atenção em 2008, com seu controverso primeiro livro, Las teorías salvages. Alguns críticos taxavam-no como um livro que deveria ter sido escrito por um homem, outros criticaram a escritora por zombar da esquerda. Ao fim, as críticas se tornaram exposição e depois de quase 10 traduções e o carimbo de best-seller, o livro catapultou a escritora para palco principal da literatura latina. A revista inglesa Granta listou Pola na sua edição especial dos melhores jovens escritores da língua espanhola.
#3 Zadie Smith
Zadie Smith
Londres, Inglaterra, 1975
Obra selecionada: Dentes brancos
Logo em seu primeiro livro, Zadie Smith arrebatou a crítica literária e o público inglês. Dentes Brancos foi um best-seller imediato, recebeu um punhado prêmios e foi escolhido pelo Time um dos 100 melhores livros da língua inglesa entre 1923 e 2005. Um cartão de visita fenomenal para uma escritora que tinha então apenas 24 anos. Além de romancista, a escritora se destacou também como uma prolífica ensaísta. Em 2003, a revista literária Granta inseriu Zadie Smith na lista dos 20 melhores jovens escritores ingleses. Diferentemente de Pola Oloixarac, Zadie não assume o papel de musa. Porém, com tantos atributos literários e, obviamente, sua beleza natural, não poderíamos deixá-la de fora da nossa lista.
#2 Jhumpa Lahiri
Nilanjana Sudeshna Lahiri
Londres, Inglaterra, 1967
Obra selecionada: Intérprete de males
Jhumpa Lahiri nasceu em Londres e vive desde os três anos nos Estados Unidos, mas sua beleza não esconde a ascendência indiana. Aliás, sua origem a levou a escrever – e, diga-se de passagem, com bastante sucesso – sobre a vida de imigrantes indianos nos EUA. Seu livro de estreia, Interpreter of Maladies, venceu o Pulitzer de Ficção (apenas a sétima ocasião na história em que um livro de contos foi premiado), o PEN/Hemingway e foi considerado o melhor debute do ano 2000 pela revista New Yorker. E você ainda duvida que mulheres bonitas podem escrever muito bem?
#1 Clarice Lispector
Haia Pinkhasovna Lispector
Chechelnyk, Ucrânia, ,1920
Obra selecionada: A paixão segundo G.H.
Clarice tem todos os predicados para ser considerada a maior musa da literatura brasileira. Linda, elegante e extremamente talentosa, é até hoje inspiração para as gerações de escritores e escritoras que a seguiram. Clarice Lispector nasceu na Ucrânia em 1920 e, dois anos depois, aportou com a família em Maceió. Sem dúvida, a escritora está entre os principais nomes da literatura brasileira do século XX, sendo considerada a maior representante do romance introspectivo. Fez parte geração de 45, ao lado de outros colossos do nosso modernismo, como João Cabral de Melo Neto e Guimarães Rosa.
Clarice reúne o que há de melhor em todas as outras escritoras listadas: talento, beleza, prolificidade, precocidade e influência, por isso é a primeira colocada em nosso Top 10 especial musas da literatura.
Achei aqui e acrescentei mais uma:
Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir
Paris, 1908
Obra selecionada: O segundo Sexo
Achei injustiça deixá-la fora do ranking. Entre as outras musas talvez ela perca nos atributos físicos, mas uma senhorita que teve uma vida intelectual e sexual  (que nos diga Sartre…) tão intensa não poderia sofrer a injustiça de estar fora da lista.

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