Arquivo da tag: Euclides da Cunha – Os Sertões

Série Os clássicos não envelhecem: Os Sertões V

Parte 6 – Repercursão de textos bateu até Os Sertões

Por Nísia Trindade Lima

“Após ler o texto do cientista Huber do Museu do Pará (atual Goeldi, mudou radicalmente de opinião. Viu-se como que diante de uma nova página do Gênesis – tratava-se de um mundo em criação onde o homem teria chegado antes da hora. Passa, então, a contruir todo um argumento sobre a tensão permanente entre homens e natureza.”

“…o oeste de São Paulo foi designado como sertão em fins do século 19 e início do século 20. Na verdade, sertão significava os espaços tidos como incivilizados, distantes do litoral e das autoridades do Estado.”

“Mas há outro sentido para esta ideia da Amazônia como um outro sertão e consiste no encontro do personagem principal do drama nacional escrito por Euclides: o sertanejo do nordeste (região que ainda não era assim designada) que rumara para a região amazônica.”

“Diante do homem errante , a natureza é estável; e, aos olhos do homem sedentário, que planeie submetê-la à estabilidade das culturas, aparece espantosamente revolta e volúvel, surpreendendo-o, assaltando-o por vezes, quase sempre afugentando-o e espavorindo-o.”

Parte 7 – Na ausência de epopeia resta o vazio

Por Francisco Foot Hardman

“Euclides traçou as primeiras cartas geográficas importantes do Alto Purus, documentos que estão até hoje no Palácio do Itamaraty.”

“O Ceará é um marco importante para Euclides. Em vários momentos em À margem da História  ele reporta a importância das grandes levas de migrantes que saírm do Ceará a partir da seca terrível de 1877, rumo à Amazônia.”



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Série clássicos não envelhecem: Os Sertões – Parte II

A batalha entre clássico x atual prossegue. Quer dizer, na verdade não encaro muito como batalha. Se compararmos (outra vez) a leitura com a alimentação, poderíamos colocar assim:

O clássico é um prato de comida que, além de gostosa (!) tem todos os nutrientes de que seu corpo (ou cérebro) precisa. O best-seller é Fast Food, é bom, você come rápido mas praticamente não te nutre, só engana o estômago e eventualmente pode te fazer ganhar peso.

De modo que não há problema algum em consumir, tanto best-sellers como fast food, que ao meu ver são produtos com o mesmo cuidado de preparo, desde de que se mantenha uma dieta equilibrada (de comida e bon autores).

Mas, se ainda assim, for preciso um pouco mais de incentivo, te aconselho a dar uma olhada aqui ó.

Então, continuando com “Os Sertões”.

Antes de prosseguir, talvez seja interessante uma breve cronologia do autor (extraída do mesmo especial, do jornal O estado de São Paulo de 23 de agosto de 2009).

Cronologia:

1866 – Nasce em cantagalo (RJ), em 20 de janeiro. Perde a mãe aos 3 anos de idade.

1877-1878 Estuda no colégio Bahia , em Salvador.

1879 – Volta ao Rio de Janeiro.

1885 – Cursa a Escola Politécnica.

1886 – Assenta praça na Escola Militar, na Praia Vermelha.

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Série clássicos não envelhecem: Os Sertões VI

Parte 8 – Perguntas e respostas

A ideia de sertão virou uma categoria analítica depois de Euclides da Cunha?

Por Nísia Trindade Lima: Sertão é uma categoria nitidamente política e nunca denotou um espaço geográfico claramente definido.[…] Desde a colônia, o termo sertão é usado para espaços afastados do litoral que se caracterizam por estarem distante do poder do Estado.[…]Portanto , não está nessa imagema originalidade do pensamento de Euclides da Cunha.

O cientificismo presente na prosa de Euclides também aparece na poesia?

Por Francisco Foot Hardman:[…] A poesia surge, assim, absolutamente dentro do contexto das matérias que tinha na sala de aula.

A ideia de’paraíso verde’  impede que vejamos a Amazônia como ela é?


Essa visão de pulmão do mundo e outros grandes clichês escondem que, na Amazônia as pessoas ainda morrem de malária, de leishmaniose. A fantasia cria mitos que ocultam a verdade. Você tem que dar voz aos cientistas da Fiocruz, do Inpa, da Embrapa, do Museu Goeldi, gente que trabalha com pesquisa na Amazônia. Ouvir o que os ribeirinhos tem a dizer. Não se pode proibir a caça de tartaruga o ano todo, proibir as pessoas de comer. […] Ele ficou tão enlouquecido com aquela grandeza, tão desarmado, que no prefácio do livro do LAberto Rangel , O Inferno Verde, escreveu que a Amazônia é tão grande, tão complexa, que é uma espécie de infinito que deve ser dosado.”

Parte 9 – “Consagrado, ele continua um enigma”

Por Leopoldo Bernucci

A lição deixada por Euclides é a da relevância da busca de conhecimento, da exploração de saberes não diretamente ligados especificamente à nossa formação.”

“A trágica morte de Euclides, a despeito dos esclarecimentos que absolveram Dilermando de Assis, é o tipo de morte que não se pode chamar até hoje de assassinato, porquanto o agredido agiu em legítima defesa.”

“Qual foi seu grande milagre então? Ser todas essas coisas e não ter cedido á vulgaridade de encontrar-se na patética situação de justificar publicamente todas as imperfeições de sua mundana existência.”

Palestrantes:

Leopoldo Bernucci Professor de Literatura Latino-Americana da Universidade da Califórnia, organizou “Discurso, Ciência e Controvérsia em Euclides da Cunha (EDUSP) e, com Francisco Foot Hardman “Euclides da Cunha: Poesia Reunida (Editora Unesp);


José Leonardo do Nascimento Professor do Instituto de Artes da Unesp, é autor, de , entre outros, Os Sertões de Euclides da Cunha: Releituras e Diálogos (Unesp) e de Primo Basílio na Imprensa Brasileira do século XX (UNESP).

José Celso Martinez Ator, dramaturgo, diretor e fundador do Teatro Oficina de São Paulo, realizou a adaptação de OS Sertões para o palco entre 2002 e 2006.

Walnice Nogueira Galvão Professora de Teoria Literária e Literatura Comparada da USP, é autora de mais de 30 obras, 12 das quais dedicadas a Euclides da Cunha e Canudos.

Luiz Costa Lima Professor titular de literatura da PUC-RJ, é autor , entre outros, de Terra Ignota – A Construção de Os Sertões (Civilização Brasileira).




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