Arquivo da tag: dica de livro

Restrospectiva de Leituras 2012 – Apenas uma garotinha

Seguindo na onda das biografias, Apenas uma Garotinha, conta leve e intensamente a história de um dos ícones do rock nacional, Cássia Eller.

Sua rebeldia, sua doçura, seus problemas com as drogas, com o pai, sua maternidade, seus amores, pelo futebol inclusive são narrados com fluência e semi imparcialidade, a julgar que como a maioria de nós, a qual eu me incluo, são fãs incondicionais dessa mulher doce e agressiva ao mesmo tempo;

Eu engoli o livro. Para lá de recomendado.

Deixe um comentário

Arquivado em Literatura

Restrospectiva de Leituras 2012 – Histórias Íntimas

O livro Histórias Íntimas caiu em minhas mãos tão por acaso, que mal pude acreditar na excelente companhia que me fez nas férias.

A Autora narra com tanta sutileza e bom humor a história dos costumes sexuais tupiniquins que devorei o livro rapidamente.

Além disso, no final, mais contemporâneo, há importantes trechos sobre a revolução sexual, o feminismo e como isso incidiu e incide em nossos costumes até hoje.

Muito recomendado.

Deixe um comentário

Arquivado em Literatura

Restrospectiva de Leituras 2012 – Clarice Lispector – Esboço para um possível retrato

Ah Clarice,  pausa para um suspiro.

Eu soube deste livro num curso ministrado pela especialista em Clarice Lispector. Quis comprá-lo muito em seguida por n motivos, porém, um deles é uma muito mais que sutil insinuação de uma possível relação lésbica entre a autora e a escritora.

Fora isso, Olga conta em Clarice Lispector – esboço para um possível retrato –  particularidades da vida da escritora e da escrita deste misterioso ser Clarice Lispector.

O que realmente suscita tanta especulação sobre este livro é a proibição dos herdeiros de Clarice em reeditar.

Para quem encontrar e quiser comprar esta edição é super recomendado para os clariceanos de plantão.

Deixe um comentário

Arquivado em Literatura

Restrospectiva de Leituras 2012 – Mme. Bovary

Três meses, conceitos moceitos modificados, relacionamentos terminados, relacionamentos começad0s, lágrimas, aniversário, carnaval e mil coisas aconteceram entre a minha leitura de Mme. Bovary, e tudo que tenho a dizer sobre este livro pode resumir-se em ARREBATAMENTO.

Mme. Bovary, escrito por Gustave Flaubert em 1857, é a história cláasica da mocinha ingênua que percebe que o casamento não lhe garante sempre as emoções que ela buscava, ao passo que seu marido, coitado, mal percebe as tentativas de aventuras  de sua esposa.

Após muito sofrimento e paixões intensíssimas, Emma busca a redenção à sua maneira.

Recomendo muito às moças que estiverem em relacionamentos mornos, recomendo pouco a seus companheiros.

Deixe um comentário

Arquivado em Literatura

Retrospectiva Leituras 2012 – O Primeiro Beijo

Em 2012 consegui ler, mais uma vez, mais do que esperava, menos que gostaria…Após um ano tão cheio de novidades, vamos ao resumo da leitura:

A primeira leitura do ano foi o Primeiro Beijo  (1999) é uma coletânea de textos de Clarice Lispector, voltados para o público infanto juvenil. Porém, lembremos, trata-se de Clarice, logo a densidade da escrita permanece. Uma ótima pedida para férias, filas, uma espécie de hipsnose clariceana rápida, dividida em pequenos contos.

Deixe um comentário

Arquivado em Literatura

Resultado do Desafio (pessoal) Clarice Lispector 2012

A cada ano que passa mais e mais publicações acerca de Clarice são lançadas ( e muito desejadas por mim). Em 2012, minhas leituras clariceanas nem foram tantas assim, pois andei muito com madimoiselle Beavoir, porém, vamos conferir a quantas ficou meu desafio anual em saber tudo a respeito de dona Clarice:

Lidos em 2012:

O Primeiro Beijo e outros contos – 1999 – Editora Ática – Coletânea de contos.

Clarice Lispector – Esboço para um possível retrato – Olga Borelli – 147 páginas

A Descoberta Do Mundo  – Clarice Lispector – 480 páginas – Rocco

Desafio Clarice Lispector 2012

Desafio Clarice Lispector

Via Quero Morar em uma Livraria

A lista completa é a seguinte (marcados os que eu já devorei):

1943 – Perto do Coração Selvagem (Romance)
1946 – O Lustre (Romance)
1949 – A Cidade Sitiada (Romance)
1960 – Laços de Família (Contos)
1961 – A Maçã no Escuro (Romance)
1964 – A Legião Estrangeira (Contos)
1964 – A Paixão Segundo G.H. (Romance)
1967 – O Mistério do Coelho Pensante (Infantil)
1968 – A Mulher que Matou os Peixes (Infantil)
1969 – Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres (Romance)
1971 – Felicidade Clandestina (Contos)
1973 – Água Viva (Romance)
1974 – Onde Estivestes de Noite (Contos)
1974 – A Via Crucis do Corpo (Contos)
1974 – A Vida Íntima de Laura (Infantil)
1975 – De Corpo Inteiro (Entrevistas)
1977 – A Hora da Estrela (Romane)
1978 – Para Não Esquecer (Crônicas)
1978 – Um Sopro de Vida (Romance)
1978 – Quase de Verdade (Infantil)
1979 – A Bela e a Fera (Contos)
1987 – Como Nasceram as Estrelas (Infantil)
2002 – Correspondências (Cartas)
2004 – Aprendendo a Viver (Crônicas)
2005 – Aprendendo a Viver Imagens
2005 – Outros escritos
2006 – Correio Feminino (Crônicas)
2007 – Entrevistas
2007 – Minhas Queridas (Cartas)
2008 – Só para Mulheres (Crônicas)
2008 – A Descoberta do Mundo (Crônicas) (2012!!!)
2009 – Clarice na Cabeceira (Contos)

2010 – Clarice, Benjamin Moser
2011 – Do Rio de Janeiro e seus personagens Crônicas para jovens Organização: Pedro Karp Vasquez

Retirada do site Clarice Lispector .

Bora desafio, para 2013, e como a lista só cresce, neste site novo sobre a Diva há listas e listas e listas…

 

 

Deixe um comentário

Arquivado em Literatura

Clássico itinerante: Livros clássicos são distribuídos de graça em terminais de ônibus

28/05/2012 – 15h01

PATRÍCIA BRITTO
DE SÃO PAULO

A partir desta segunda-feira (28), os paulistanos podem retirar gratuitamente até um exemplar dos livros “A Nova Califórnia e Outros Contos”, de Lima Barreto, e “Contos Paulistanos”, de Antônio de Alcântara Machado, em um dos quatro pontos de distribuição do projeto De Mão em Mão.

Os livros ficam disponíveis de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h, e sábado, das 10h às 18h, nos terminais de ônibus Mercado (centro), Santo Amaro (zona sul), Pirituba (zona norte) e Antônio Estêvão Carvalho (zona leste). Não é preciso apresentar nenhum documento.

Divulgação
A pintura "Cena de Rua", de Ernesto De Fiori, ilustra a capa da reedição do livro "Contos Paulistanos", de Alcântara Machado
Pintura “Cena de Rua”, de Ernesto De Fiori, ilustra a capa da reedição do livro “Contos Paulistanos”, de Alcântara Machado

Inspirado na iniciativa colombiana Libro al Viento (Livro ao Vento, em espanhol), o De Mão em Mão reedita e distribui obras de autores brasileiros para despertar o interesse pela leitura.

“Levando em conta que o modelo colombiano é bem-sucedido e reconhecido internacionalmente, a gente pensou em adaptá-lo para São Paulo”, diz o editor-executivo da editora Unesp, Jézio Hernani.

A ideia é que os leitores passem o livro adiante quando terminarem a leitura ou que o devolvam para os pontos de distribuição, onde outras pessoas poderão retirá-lo.

As reedições são feitas pela Unesp, com uma tiragem de 20 mil exemplares por título, em parceria com a Secretaria de Cultura de São Paulo. Há ainda a possibilidade de baixar a versão digital dos livros no site do projeto.

SELEÇÃO

Este é o segundo lançamento da coletânea, que começou em dezembro do ano passado com a obra “Missa do Galo e Outros Contos”, de Machado de Assis. “A coleção é uma paquera com os leitores que não estão acostumados com o hábito de ler”, diz Hernani.

Os títulos são selecionados por um conselho editorial formado por professores, editores e escritores, entre eles o poeta Sérgio Vaz, fundador da Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia).

Autores como Mário de Andrade e João Cabanas estão entre os que terão obras publicadas nos próximos meses, segundo o editor-executivo da Unesp. O lançamento dos próximos livros está previsto para ocorrer até julho.

Via Folha.com

Deixe um comentário

Arquivado em Coisas sobre informação, Ensino, Literatura

A principal escritora latino-americana de prosa do século

Adivinhem de quem  eu estou falando? Óbvio. Clarice Lispector.

Li a nota abaixo e já estou pensando na maneira de adquirí-los!!!

Livros de Clarice Lispector chegam às livrarias dos norte americanas

Agência Estado

Redação Folha Vitória

São Paulo – É o momento Clarice Lispector – quinta-feira, as livrarias dos Estados Unidos começam a receber quatro livros (“Perto do Coração Selvagem”, “Água Viva”, “A Paixão Segundo G. H.” e “Um Sopro de Vida”) da grande escritora traduzidos para o inglês, todos pela editora New Directions, que já lançou no ano passado “A Hora da Estrela”. O fato repercutiu na imprensa, com o jornal “Los Angeles Times” citando a frase de um antigo tradutor de Clarice (1920-1977), Gregory Rabassa, que comparava a autora brasileira a Marlene Dietrich (no traço físico) e a Virginia Woolf (no traço estilístico).

“A maneira chocante com que fala dos grandes temas é a característica de sua prosa que mais desperta atenção do leitor americano”, acredita Benjamin Moser, organizador dos lançamentos e grande divulgador da prosa clariciana entre seus conterrâneos, especialmente depois de publicada a tradução em inglês de sua biografia “Clarice”, lançada em 2009 pela Cosac Naify. “São assuntos que, no nosso dia a dia, não temos coragem de enfrentar – a vida, a morte, o Deus – e que são os grandes temas universais, independentemente de detalhes superficiais, como a nacionalidade do leitor.”

Os quatro volumes chegam com um delicado projeto gráfico: juntas, as capas reproduzem uma foto de Clarice jovem. E, em um canto, são reproduzidos elogios de personalidades literárias como Jonathan Franzen (“Uma escritora verdadeiramente notável”), Orhan Pamuk (“Uma das mais misteriosas autoras do século 20”) e Colm Toíbín (“Um dos gênios ocultos do século 20”), além de uma citação do jornal “The New York Times” (“A principal escritora latino-americana de prosa do século”).

Moser, que descobriu a escrita de Clarice na universidade, durante um curso sobre literatura brasileira em que se estudou “A Hora da Estrela”, enriqueceu ainda a nova fornada de volumes com prólogos diversos, como o assinado por Caetano Veloso para “Perto do Coração Selvagem” e um surpreendente texto de cineasta Pedro Almodóvar que, ao recusar o convite de Moser para escrever sobre “Um Sopro de Vida”, acaba tecendo vários elogios à autora.

No Brasil, os livros de Clarice são um dos bens mais preciosos do catálogo da editora Rocco, que prepara vários lançamentos a partir do segundo semestre. Em outubro, por exemplo, deve sair a coletânea “Clarice na Cabeceira – Jornalismo”, que vai reunir textos publicados na imprensa ao longo de quase quatro décadas. Também a obra infanto-juvenil da escritora vai ganhar nova edição, com um projeto gráfico reformulado e volumes em capa dura. Os primeiros serão “A Vida Íntima de Laura”, ilustrado por Odilon Moraes, e “A Mulher Que Matou os Peixes”, por Renato Moriconi. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Via: Livros e Afins

Deixe um comentário

Arquivado em Amei!!!!!, Literatura

Clarice Lispector, Esboço para um possível retrato

Presente na minha lista interminável de futuras leituras, desde a graduação, foi num curso recente no Espaço Revista Cult, que tive realmente a dimensão d importância desta obra.

Quando a Nádia Gotlib citou esta obra, me veio à mente toda indicação do querido mestre Valfrides a respeito da ligação íntima (?) entre a Clarice e a autora da obra, Olga Borelli. Suspeitas, suspeitas.

Olga Borelli, escritora e grande amiga de Clarice, escreveu este livro com uma prosa apaixonada, comentando após trechos, à época inéditos, de literatura e de cartas, a pessoa por trás do mito.

Apesar da dificuldade de encontrá-lo (e do preço salgado quando se encontra) fiquei quase em êstase quando o localizei no estante virtual.  Recomendo para quem, assim como eu, for apaixonado por Clarice.

Enquanto isso, seguem abaixo, alguns trechos lindos da obra:

“Que esforço para ser eu mesma. Luto contra uma maré de mim”.

“Fui amada por alguns e conheço a paixão. Os desejos e as paixões morrem quando são satisfeitos. A vontade é imortal. Eu, que entendo o corpo. E suas cruéis exigências. Sempre conheci o corpo: escuridão com súbitas estrelas.”

“Faço grande esforço para não ter o pior dos sentimentos: o de que nada vale nada”

“Não esquecer, hoje é agora”

“Mas o tempo em si não é. O tempo é o indefinível”

” A extrema felicidade se parece tanto com a infelicidade . Ambas são tão dramáticas. Ambas são a vida.”

“O que me atormenta é que tudo é “por enquanto”, nada é “sempre”. Era o meu sonho ter várias vidas. Numa eu seria só mãe, em outra vida eu só escreveria, em outra eu só amava”

“Ás vezes o que nos salva a alma são os vícios.”

“Encontra-se apenas o que se acha e não o que se procura”

“No mundo das coisas, quando sei que elas vão acabar , começo a fruí-las”

“Eu soube que uma formiga é capaz de carregar um volume cem vezes maior que o seu  próprio peso. E eu que não aguento a alma de meu próprio peso.”

“sou obrigada a ter como só meu o gosto supremo de querer matar e o gosto de viver sob a extrema tensão de arco-e-flecha retesados. E que não disparam. Mas disparam para dentro. E então – êxtase.”

“Eu tenho medo de seu quem eu sou.”

“Passei a minha vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar. Ao tentar corrigir um erro , eu cometia outro. Sou uma culpada inocente.”

“Eu estou sempre incompleta”

“A honestidade é muitas vezes uma dor”

“Música é tão importante para mim  que, quando a ouço, é como se eu fosse o intérprete. Tenho através dos outros uma voz beíssima . E não existe ninguém que toque melhor a flauta doce”

“Em suas ‘descobertas’ – sempre anotadas – procurava nunca dissociar os extremos: bem e mal, amor e ódio, divino e diabólico. Tinha horror ao maniqueísmo : preferia sofrer no âmago de perguntas sem resposta a impor um dogma que anulasse seu contrário.”

“Quem reza, reza para si próprio chamando-se de outro nome […] A vida seria insuportável sem o sonho. É que ás vezes não se tem mesmo mais nada e só restam os brandos e profundos sonhos que mais parecem uma prece. A realização está no próprio ato de apenas sonhar.”

PS. Tive de parar antes que reproduzisse o livro inteiro. Leitura para lá de recomendada.

 

Deixe um comentário

Arquivado em Amei!!!!!, Literatura

Por que (não só) os homens deveriam ler mais ficção

[Achei ótimo este artigo do PDH e compartilho aqui}

É pela leitura que ganhamos novas perspectivas e aprendemos mais sobre nós mesmos e sobre mundo que nos cerca. Eu acredito bastante no ditado que diz:

“Leitores são líderes.”

Enquanto estudava as vidas de grandes homens na história, um assunto comum que encontrei foi que a maioria deles eram bibliófilos que buscavam implacavelmente se educar durante a vida inteira.

Embora muitos homens venham acumulando um monte de livros para ler, há chances de que essa pilha seja composta primariamente por tomos de não-ficção. Por volta dos últimos 20 anos, a indústria editorial observou um declínio acentuado no número de homens lendo ficção. Alguns relatórios mostram que, atualmente, homens constituem apenas 20% dos leitores de ficção nos EUA.

A máquina de fazer espanhóis, de Valter Hugo MãeA máquina de fazer espanhóis, de Valter Hugo Mãe

Há várias razões para homens não lerem ficção nos dias de hoje. Talvez eles tiveram uma má experiência com ficção no ensino médio e juraram que nunca mais leriam um romance novamente enquanto estivessem vivos. É possível que o cérebro masculino seja naturalmente mais propenso à natureza mais direta e factual da não-ficção. E há quem sugira que os homens estão compensando suas leituras de ficção nos muitos – e excelentes – livros narrativos que saíram na última década (como The Rise of Theodore Roosevelt e No Ar Rarefeito).

Qualquer que seja a razão, estudos cognitivos começam a mostrar que os homens talvez estejam vacilando ao evitar a seção de ficção em livrarias e bibliotecas. Hoje nós mostraremos por que você deve largar esses livros de negócios de vez em quando para pegar uma cópia de Hemingway.

Por que os homens deveriam ler mais ficção

Na última década, vários cientistas cognitivos se debruçaram sobre a questão de como a ficção afeta nossas mentes. À frente desta pesquisa está o psicólogo cognitivo e escritor de ficção, Dr. Keith Oatley. Dr. Oatley e outros pesquisadores pelo mundo descobriram que ficção não somente ativa, mas também aprimora as funções cognitivas que nos permitem conviver melhor socialmente.

Em seu livro Such Stuff as Dreams: The Psychology of Fiction,  ele afirma que a ficção se trata primariamente de “eus num mundo social”, e que o assunto principal da ficção é “o que as pessoas querem umas das outras”. Da mesma forma que o seu conhecimento em história ou finanças aumenta lendo vários livros desses assuntos, ler ficção aumenta sua compreensão de relações sociais – seu pensamento sobre o que outras pessoas estão pensando.

Na verdade, Dr. Oatley diz que a ficção é uma simulação do mundo social que nos permite experimentar (ao menos por meio da imaginação) uma variedade de circunstâncias sociais com diferentes tipos de pessoas que nós podemos encontrar no cotidiano.

Claraboia, de José SaramagoClaraboia, de José Saramago

A maior parte do seu sucesso como um homem, seja no amor ou no trabalho, depende da sua capacidade de socializar habilmente. Todos nós conhecemos a frase:

“O sucesso depende não do que você conhece, mas de quem você conhece.”

Por mais que você queira pensar que isso não seja verdade, é verdade sim. Você pode ser o mais habilidoso e talentoso em qualquer coisa no mundo, mas provavelmente vai se acabar de trabalhar na obscuridade se não souber como chegar a outras pessoas e dividir esse talento com elas.

Infelizmente, os homens escolheram o pior lado da evolução no que diz respeito à nossa habilidade de socializar. Estudos mostram que o cérebro masculino é geralmente inclinado a lidar com coisas, enquanto o cérebro femininino é geralmente inclinado a lidar com pessoas. Isso pode explicar por que mulheres frequentemente preferem ficção à não-ficção: o cérebro delas já são propensos a ler sobre “eus num mundo social”.

Assim, o homem tem muito a ganhar ao ler ficção. Em vez de ver ficção como uma grande invenção e perda de tempo, veja-a como um simulador que lhe permite exercitar e fortalecer os músculos cognitivos responsáveis pela socialização. Toda vez que você lê um romance você está se tornando um homem socialmente melhor e mais entendido.

Abaixo, mostramos o que as pesquisas dizem sobre como especificamente a ficção melhora nossas mentes.

Ler ficção fortalece sua Teoria da Mente

A Teoria da Mente é uma capacidade cognitiva que os humanos usam o tempo todo, mas não dá o devido valor. Basicamente, é a nossa capacidade de atribuir estados mentais (como pensamentos, sentimentos e crenças) a outras pessoas baseando-nos em uma série de impressões, a fim de predizer e explicar o que elas estão pensando.

Cientistas cognitivos chamam essa capacidade de Teoria da Mente porque quando nós interagimos com outras pessoas, é impossível sabermos exatamente o que elas estão pensando, sentindo, percebendo, então temos que construir uma teoria do que elas estão pensando, sentindo, percebendo na mente delas. Sem a Teoria da Mente, interações sociais seriam esquisitas, toscas e praticamente impossíveis.

Crime e castigo, de Fiódor DostoiévskiCrime e castigo, de Fiódor Dostoiévski

Alguns exemplos da Teoria da Mente em ação:

  • Nós usamos a Teoria da Mente quando vemos um vendedor ambulante sorridente e pensamos: “Tá, ele está sorrindo, mas eu acho que ele está na verdade tentando é me ferrar”. Você vê o sorriso, mas está atribuindo a ele um estado mental diferente por causa de outras informações que você sabe do cara.
  • A Teoria da Mente permeia relacionamentos românticos: “Eu acho que ela acha que eu gosto dela, mas eu não gosto. Como é que eu dou um fora nela?” Nesse caso, você está teorizando que uma garota sente algo por você e que ela acha que o sentimento é mútuo – embora não seja. Agora você tem que dar um jeito de resolver esta situação.
  • Nós usamos a Teoria da Mente para planejar estratégias e para confundir. A cena famosa do cálice envenenado em A princesa prometida é um exemplo perfeito da Teoria da Mente em ação:

Link YouTube |

A Teoria da Mente não é algo que nós nascemos já sabendo como fazer. Crianças começam a desenvolvê-la por volta dos 3 ou 4 anos de idade.

Até lá, recém-nascidos e crianças pequenas pensam que o que quer que eles estejam pensando, sentindo, percebendo é também o que os outros estão pensando, sentindo, percebendo. É por isso que meu filho Gus, de 18 meses, “se esconde” simplesmente cobrindo seus olhos com as mãos. Ele pensa que porque ele não pode me ver, eu não posso vê-lo, embora ele esteja sentado bem na minha frente na sua cadeira. Ainda que isso seja bonitinho, é uma tremenda falha ante a Teoria da Mente.

Geralmente, garotas desenvolvem a Teoria da Mente antes dos garotos, e garotas adolescentes se dão melhor que garotos adolescentes em situações de Teoria da Mente. A vantagem feminina na Teoria da Mente também se estende à idade adulta. A capacidade superior da mulher na Teoria da Mente é provavelmente um resultado de fatores tanto sociológicos quanto evolutivos.

O cientista cognitivo Simon Baron-Cohen (ele é o primo de Borat. Sério!) afirma que o autismo afeta mais homens do que mulheres porque quem é autista possui uma “mente extremamente masculina”. Autistas normalmente não têm uma Teoria da Mente ou a tem de forma subdesenvolvida, o que explica por que eles frequentemente sofrem para interagir socialmente – eles não têm a capacidade de ler outras pessoas.

Então o que a Teoria da Mente tem a ver com ficção?

Bem, estudos mostram que quando nós lemos ficção, as partes do nosso cérebro responsáveis pela Teoria da Mente se acendem e são ostensivamente acionadas. Narrativas exigem que adivinhemos os desejos ocultos dos personagens, descubramos o que seus inimigos ou amantes podem ou não estar pensando (quando o autor não nos conta explicitamente), ao mesmo tempo que acompanhamos todas as interações sociais entre os personagens.

Ernest Hemingway é famoso por forçar seus leitores a adivinhar o estado mental de seus personagens substituindo palavras por ações. Por exemplo, no final supertriste de Adeus às Armas (não leia se você estiver prestes a ser pai. Confie em mim), o personagem principal, Frederic Henry, não fala absolutamente nada – ele simplesmente caminha de volta para o hotel embaixo de chuva. Fim.

A casa dos budas ditosos, de João Ubaldo RibeiroA casa dos budas ditosos, de João Ubaldo Ribeiro

Romances de suspense exercitam ainda mais nossa capacidade de Teoria da Mente. Sempre que você estiver lendo um romance de Dashiell Hammett, você está adivinhando junto a Sam Spade o que os gestos sutis ou as palavras ditas por todos os personagens de fato significam. O suspeito ou a testemunha estão dizendo algo somente para tirar você e Sam Spade da pista? Equilibrar toda essa leitura mental é tão divertido quanto desafiador, e é por isso que a crítica literária Lisa Zunshine afirma que o exercício mental que você faz ao ler uma história de detetive é bem parecido com levantar pesos numa academia.

Além de ativar nossa Teoria da Mente, ler ficção pode fortalecê-la? Em estudos recentes do Dr. Oatley, a resposta parece ser “sim”. Em trabalhos publicados em 2006 e 2009, Dr. Oatley relata que indivíduos que leem ficção frequentemente se saem melhor em testes de Teoria da Mente, independente de gênero.

Um deles é o Teste do Olho da Mente, no qual participantes olham para fotos de olhos de pessoas – e nada mais que isso – e então têm de descrever o que essas pessoas estão sentindo. Leitores de ficção se saíram melhor neste teste do que leitores de não-ficção. E um estudo de 2010 realizado em crianças em idade pré-escolar mostrou que quanto mais histórias foram lidas para elas nessa idade, mais fortes ficaram suas Teorias da Mente.

Leiam para os seus filhos, pais!

Ler ficção deixa o leitor mais empático

Para ter empatia, não basta perceber o que outra pessoa está sentindo (no que a Teoria da Mente pode ajudar): empatia exige que nós tenhamos a mesma reação emotiva que o outro indivíduo.

Da mesma forma que com a Teoria da Mente, homens geralmente são menos empáticos que mulheres. Enquanto nós tendemos a pensar em empatia mais como um traço feminino, é essencial para os dois gêneros desenvolvê-la, pois ela é a cola que mantém unida a civilização e o que nos permite ter relacionamentos fortes e duradouros com nossos amigos e amantes.

Infelizmente, como enfatizamos em nosso artigo “Our disembodied selves and the decline of empathy” (“Nossos eus despersonificados e o declínio da empatia”), a empatia vem diminuindo tanto entre homens quanto entre mulheres nas últimas décadas, e a comunicação on-line tem sido uma força propulsora por trás dessa queda. Ainda que encorajemos nossos leitores a contra-atacar o poder sugador-de-empatia das conversações on-line equilibrando-as com mais conversas cara a cara, estudos mostram que encarar um bom romance também pode ajudá-los a aumentar a empatia.

Em 2008, Dr. Oatley testou se a leitura de ficção nos faz mais empáticos. Ele deu a 166 participantes ou o conto de Chekhov “A Dama e o Cachorrinho” ou uma versão da mesma história em formato de documentário. Os traços subjetivos de personalidade e as emoções foram avaliados antes e depois da leitura. Embora os leitores do documentário chato não tenham mostrado empatia ou apego aos personagens, os que leram a história original de Chekhov apresentaram um aumento de empatia pelos personagens.

Estudos similares realizados pela Universidade de Buffalo apontam a mesma coisa. Dr. Oatley admite que as mudanças podem ter sido somente temporárias, mas prevê a hipótese de que ler ficção repetidamente pode causar mais efeitos duradouros à empatia.

Ler ficção aumenta a criatividade

Cientistas cognitivos acreditam que a ficção tem origem nas brincadeiras. Assim como crianças se engajam em mundos imaginativos, adultos o fazem quando leem uma história. E assim como uma encenação com um final indefinido desenvolve a capacidade da criança de conceber e avaliar alternativas, uma peça de ficção bem escrita faz o mesmo com adultos. Ler ficção pode aumentar nossa criatividade nos expondo a histórias e narrativas fantásticas que de outro modo não vivenciaríamos lendo não-ficção.

A insustentável leveza do ser, de Milan KunderaA insustentável leveza do ser, de Milan Kundera

Mas talvez o maior aumento de criatividade da ficção seja o que o crítico literário Viktor Shklovsky disse a respeito da ficção: tornar estranho o conhecido, de modo que olhamos para as coisas sob uma nova luz.

A ficção nos permite comparar como funcionam as ideias e experiências humanas em um mundo de faz-de-conta para com o funcionamento delas na vida real. Dessas comparações, podemos começar a pensar em ideias de formas profundamente diferentes. Eu gosto de pensar que a ficção nos orienta para depois nos reorientar, e durante essa reorientação, novas ideias surgem em nossas mentes.

Que tipo de ficção eu devo ler?

Numa entrevista por telefone, perguntei ao Dr. Oakley se há algum tipo de ficção que os homens devem ler em particular. Ele respondeu que devemos ler o que quer que nos interesse, sejam romances russos intelectuais ou folhetins superficiais. “Nossos estudos mostram que o efeito da ficção na mente independe da qualidade literária”, afirma.

Ele na verdade encoraja os homens a ler uma variedade extensa de ficção, de modo que “consigam conhecer mais pessoas em mais circunstâncias”. Então vá em frente. Leia aqueles romances de Louis L’Amour e Michael Crichton sem culpa nenhuma. Você está ajudando a si mesmo a  se tornar um carismático dínamo-social.

Como mencionamos antes, romances de suspense podem exercitar de forma mais precisa sua teoria da mente, pois exigem que adivinhemos intenções ocultas de um grupo de suspeitos baseados em pistas sutis deixadas pelo autor. Assim, meter a cara no seu Hammett, Chandler ou Christie possivelmente será benéfico e certamente será prazeroso.

E embora os romances de Jane Austen sejam repudiados por homens, eles também prestam um bom serviço ao trabalhar com a sua Teoria da Mente. Ficar ligado em quem está interessado em quem e o que realmente significam aqueles trejeitos vitorianos sutis vai fritar seu cérebro, mas vai torná-lo mais forte no quesito habilidades sociais. Confissão: eu li recentemente Razão e sensibilidade e gostei de verdade.

Dr. Oatley sugere dois livros que ele leu recentemente e que achou que nós homens íriamos gostar: Terras baixas e O fundamentalista relutante.

Conclusão: Certifique-se de misturar leituras de ficção com suas preferências de não-ficção. Isso irá torná-lo um homem melhor e mais bem-sucedido.

Nota do editor 1: o artigo acima é uma tradução do texto “Why men should read more fiction“, do Art of Manliness, feita por Gustavo de Santana e revisada por Rodolfo Viana. Imagens do Grifei num livro.

Nota do editor 2: O PdH tem bons artigos sobre literatura de ficção e não-ficção. Seguem seis deles:

Deixe um comentário

Arquivado em Coisas sobre informação, Literatura