Arquivo do mês: dezembro 2011

Trecho do testamento de Manuel Bandeira

“Saibam quantos este público virem que no ano do nascimento do Nosso Senhor Jesus Cristo de mil novecentos e sessenta e sete, aos 17 dias do mês de outubro, nesta cidade do Rio de Janeiro, Estado da Guanabara, República dos Estados Unidos do Brasil, em meu Cartório, perante mim, José de Queiroz Lima, Tabelião do Oitavo Ofício de Notas, se apresentou MANUEL CARNEIRO DE SOUZA BANDEIRA residente nesta cidade na avenida Beira Mar número 406, apartamento 806, doente mas de pé e no goso perfeito de suas faculdades mentais, do que dou fé, conhecimento como o próprio de mim, Tabelião, e das cinco testemunhas abaixo nomeadas e declaradas, que também são minhas conhecidas, do que igualmente, dou fé. E logo na presença das mesmas testemunhas por ele testador me foi dito: que é brasileiro, natural da cidade de Recife, capital do Estado de Pernambuco, onde nasceu em 19 de abril de 1886; Que são seus pais o doutor MANUEL CARNEIRO DE SOUZA BANDEIRA, engenheiro civil, e dona FRANCELINA RIBEIRO DE SOUZA BANDEIRA, ambos falecidos; que é solteiro e não tem descendentes; Que, livre para testar, faz dos seus bens, haveres e direitos os seguintes legados: 1) deixa para a Academia Brasileira de Letras a sua biblioteca, a sua secretaria e uma cabeça dele testador, em bronse, e ainda a aquarela do pintor pernambucano Eurico Xavier, representando a rua da União na cidade do Recife; deixa a sua amiga MARIA DE LOURDES DE SOUZA, que também já se assinou MARIA DE LOURDES HEITOR DE SOUZA, a casa de propriedade dele testador sita na cidade de Teresópolis, Estado do Rio de Janeiro, na Rua Coronel Santiago, nº 240, com todos os móveis, utensílios e objetos de arte, que estiverem postas a dentro da referida residência de verão; sendo dito legado em plena propriedade; que para a mesma legatária MARIA DE LOURDES DE SOUZA, ou Maria de Lourdes Heitor de Souza, ficam também um aparelho de ar condicionado, um quadro de marinha assinado por Pancetti, uma lâmpada de salão; disse ainda que os direitos autorais dos livros de sua autoria, quer de prosa, ou poesia, ou didáticos, caberão a d. MARIA DE LOURDES DE SOUZA, enquanto viver, e por seu falecimento deverão ser atribuídos aos seus sobrinhos MAURICIO INACIO DE SOUZA BANDEIRA E HELENA BANDEIRA CARDOSO; que deixa ao seu afilhado JOHON TALBOT DERHAM as suas abotoaduras de prata holandesa e ao irmão do seu afilhado ANTHONY ROBERT DERHAM a pequena escultura chinesa de Jade; para Sacha, filha de Guita Derham, a pintura de Joanita representando flores e os pequenos azulejos quadrados holandeses; para GUITA e JOANITA os pratos de de azujelo holandês antigo, a pintura de Joanita representando sua mãe, e os vários objetos em cobre e estanho tinteiros, cinzeiros, lâmpadas e ainda a gravura holandesa e a gravura inglesa. Para MARIA AUGUSTA COSTA RIBEIRO E SUA IRMÃ ROSALINA LEÃO as duas aquarelas assunadas Tita Leão e as imagens de S. Antonio e S. Sebastião; e ainda o pequeno oratório antigo; para Vera Melo Franco de Andrade a imagem de Santa Rita; excetuados os legados antes enumerados, tudo o mais que se encontrar no meu apartamento, assim como o dinheiro que fica em conta corrente bancária, caberá a sua cunhada MANOELITA DE SOUZA BANDEIRA; que, pelo presente revoga testamento cerrado aprovado em 20 de maio de 1966, nestas Notas, para que apenas prevaleça na sua sucessão este instrumento público; que, finalmente nomeia testamenteiro a seu amigo HOMERO ICAGA SANCHEZ, advogado, atualmente com escritório à rua da Alfândega 98, 4º andar, a quem dá, desde já, por abonado em juiso e fora dele, independente de fiança ou caução. Por esta forma tem ele testador concluído o seu testamento que o dá por bom, firme e valioso, feito sem coação, constrangimento ou indusimento visto ser a sua legítima e expontânea vontade a que acabou de expressar. (…)”

Via Terra Magazine

2 Comentários

Arquivado em Literatura

Arte com livros: Job Koelewijn


estante infinita de livros 640x379 Arte com livros: Job Koelewijn arte arquitetura

posto de gasolina combustível livros 640x462 Arte com livros: Job Koelewijn arte arquitetura

Uma estante infinita de livros e um posto de combustível feito de capas de livros. Do artista holandês Job Koelewijn.

Livros e afins

Deixe um comentário

Arquivado em Literatura

Itinerário do Pecado

http://sites.google.com/site/itinerariopecado/

Deixe um comentário

Arquivado em Literatura

Lêdo Ivo: “herdeiros famélicos” prejudicam obra de Bandeira

Arquivo Lêdo Ivo / Acervo Instituto Moreira Salles/Divulgação

O poeta Lêdo Ivo critica o controle de herdeiros famélicos sobre a obra de Manuel Bandeira: Nunca vi um parente na casa de Manuel Bandeira. Depois que ...

O poeta Lêdo Ivo critica o controle de “herdeiros famélicos” sobre a obra de Manuel Bandeira: “Nunca vi um parente na casa de Manuel Bandeira. Depois que ele morreu, surgiram os parentes e o controle”

Claudio Leal

Cansado de esbarrar em entraves de direitos autorais, o poeta e jornalista Lêdo Ivo, 86 anos, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), decidiu manifestar-se contra a condução do espólio literário de Manuel Bandeira – controlada por herdeiros indiretos – e pedir à presidente da República, Dilma Rousseff, que torne de utilidade pública a obra do autor de Libertinagem.

Lêdo Ivo dedica a Bandeira um capítulo do seu livro de memórias, “Vento do mar”. Como o projeto é iconográfico, ele deseja utilizar fotografias de seu arquivo – entre elas, a rara imagem de Bandeira com bigode. Surgiu o impasse. Os herdeiros do escritor, representados pelo agente literário Alexandre Teixeira (da Solombra Books), cobraram um valor exorbitante para a reprodução das imagens. O livro está congelado, à espera de um acordo.

Aconselhado pelo editor, Lêdo Ivo escreveu uma carta a Teixeira, também neto da poeta Cecília Meireles, mas até hoje não recebeu nenhuma resposta. Em entrevista a Terra Magazine, ele testemunha a ausência de familiares na casa de Bandeira, durante 30 anos de amizade.

– O que me impressionava em Manuel Bandeira era exatamente a solidão, como ele dizia que havia perdido todas as pessoas… E, ao longo de toda a minha convivência com Manuel Bandeira, eu nunca vi na casa dele, que eu frequentava muito, e em outras ocasiões que eu o acompanhava, nunca vi um parente. Depois que ele morreu, então surgiram os parentes e o controle da obra.

Os herdeiros do poeta são Antônio Manoel Bandeira Ribeiro Cardoso, Carlos Alberto Bandeira Ribeiro Cardoso, José Cláudio Bandeira Ribeiro Cardoso, Maria Helena Cordeiro de Souza Bandeira e Marcos Cordeiro de Souza Bandeira. No mercado literário, Alexandre Teixeira é conhecido pela severidade com que cuida dos direitos autorais. Terra Magazine procurou Teixeira por telefone, na sede da agência, mas não o localizou.

O poeta Lêdo Ivo já teve problemas com a Solombra, por ter sido incluído na lista de autores representados. “Nunca fui, não sou da Solombra, meu nome foi usado indevidamente. Já tem uma comunicação judicial”, ressalta.

Não é o primeiro a ter querelas com o agente. A Sarapuí Produções Artísticas, dona do selo Biscoito Fino, foi processada por ter lançado em DVD o curta-metragem “O Habitante de Pasárgada”, de Fernando Sabino e David Neves. Esse filme reutilizou o curta “O Poeta do Castelo”, de Joaquim Pedro de Andrade, que fez imagens raras do cotidiano de Bandeira. A produtora “Filmes do Serro”, da família Andrade, foi alvo de uma ação judicial similar, em 2010, por ter editado o curta num DVD.

– Acho o seguinte: como esse problema é importante, uma providência da presidenta Dilma seria colocar a obra do Manuel Bandeira e de outros escritores como de utilidade pública – propõe Lêdo Ivo.

Para o membro da ABL, a obra do amigo não pode atender à “gula famélica” dos seus herdeiros indiretos. Ele cobra uma política bem definida do Ministério da Cultura:

– Seria já o tempo de ventilar o problema do direito à imagem no Brasil, a quem pertence a imagem, se é lícito que herdeiros que só aparecem depois da morte dos escritores, com uma gula famélica, se apropriem de uma obra.

Confira a entrevista.

Terra Magazine – Qual é o problema com seu livro?
Lêdo Ivo – O problema é o seguinte: toda vez que há mudança presidencial, inúmeras pessoas dos meios intelectuais, falando em nome dos intelectuais, fazem uma porção de reivindicações, na área cinematográfica, em várias áreas. Na minha opinião há um problema, no Brasil, que precisa ser resolvido, que é o problema da imagem. Nós vivemos na época da imagem, do espetáculo, e o Brasil é um dos países mais rígidos no que tange ao uso da imagem. E eu lhe dou um exemplo…

Qual?
Fui amigo do Manuel Bandeira, uma coisa notória, durou 30 anos, uma convivência hoje até clássica, com um poeta jovem… Essas coisas todas. Isso marcou muito a minha vida. O que me impressionava em Manuel Bandeira era exatamente a solidão, como ele dizia que havia perdido todas as pessoas.

Numa “limpa solidão”.
Uma vida solitária. E, ao longo de toda a minha convivência com Manuel Bandeira, eu nunca vi na casa dele, que eu frequentava muito, e em outras ocasiões que eu o acompanhava, nunca vi um parente. Depois que ele morreu, então surgiram os parentes e o controle da obra. De modo que eu comecei a enfrentar problemas em relação a Manuel Bandeira. Por exemplo, para que uma opinião de Manuel Bandeira sobre mim figurasse num livro – por exemplo, na minha tradução de Rimbaud – foi preciso até pedir autorização aos parentes de Bandeira…

Até uma opinião sobre seu livro?
Até opinião. Agora vou publicar um livro de memórias e vocações, “Vento do mar”, e tem uma parte somente dedicada a Manuel Bandeira, “Cartilha de Pasárgada”, reunindo uma parte das minhas evocações. Como é um livro iconográfico, uma espécie de fotobiografia, eu gostaria de incluir fotos do Manuel Bandeira, que eu tenho numerosíssimas. Dezenas e dezenas de fotos, porque Manuel Bandeira gostava muito de fotografia.

Ele costumava enviar retratos aos amigos, não é isso?
Gostava. Vou lhe contar uma história. Quando já estava muito velhinho e até um pouco, vamos dizer, sensível a certas coisas, uma vez ele resolveu criar o bigode, para depois eu publicar na Tribuna da Imprensa ele de biogode. Uns 15 dias depois eu mandei fotografá-lo de bigode. E eu ainda tenho esse retrato! Uma coisa raríssima! Mais raro do que Clarice Lispector com um gato ou um cachorro (risos). Você veja o grau de intimidade. Me lembro que, quando saiu o retrato dele de bigode, Paulo Francis escreveu um artigo furibundo sobre isso (risos). De qualquer maneira, eu enfrento um problema. Quero publicar um livro e eu não posso usar fotos de Manuel Bandeira porque essas fotos dependem dos herdeiros… E os herdeiros cobram…

Quanto eles cobraram?
Ah, não sei… Não me lembro. Tem um camarada aí chamado Alexandre (Teixeira) que às vezes cobra uns preços mirabolantes… Uma vez, até escrevi uma carta para ele, aconselhado pelo meu editor, e ele nem sequer respondeu. Acho o seguinte: como esse problema é importante, uma providência da presidenta Dilma seria colocar a obra do Manuel Bandeira e de outros escritores como de utilidade pública.

O que ocorre em outros países?
Ah, vou lhe dar um exemplo! Fui à Grécia agora. Mas aí é outro problema de direitos autorais. Lá, os direitos autorais são de 50 anos, aqui é de 70. A literatura brasileira é inteiramente desconhecida na Grécia, só mesmo Paulo Coelho, o único autor brasileiro conhecido. Então, um diplomata e poeta traduziu “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos. E está um problema, que eu não sei se foi resolvido: a lei grega estabelece 50 anos, a lei brasileira 70 anos. O editor brasileiro quer que essa edição seja regida pela lei brasileira. O editor brasileiro quer que seja regida com a lei grega. Não sei como vai ser resolvido. Um clássico como Graciliano Ramos, num país como a Grécia, que não conhece a literatura brasileira… Surgiram esses entraves.

Houve problema também com a obra de Cecília Meireles…
Seria já o tempo de ventilar o problema do direito à imagem no Brasil, a quem pertence a imagem, se é lícito que herdeiros que só aparecem depois da morte dos escritores, com uma gula famélica, se apropriem de uma obra.

E não são herdeiros diretos. Isso agrava?
Não são herdeiros diretos! Manuel Bandeira era solteiro, não teve herdeiros diretos. A única irmã dele morreu. Primos longínquos, etc. É um problema importante, que devia ser ventilado e debatido pelo Ministério da Cultura. No Brasil, a cultura se limita a uma espécie de luta do ponto de vista dos nossos cineastas, saber quem tira mais dinheiro do Estado para os filmes. Há sempre uns grupos famélicos, atrás de todos os ministros da Cultura, pedindo dinheiro para isso e aquilo. Na minha opinião, esses problemas são menores, deveria haver uma política do ministério sobre uma coisa essencial, que é o direto à imagem. A quem pertence a imagem do escritor? Aos herdeiros famélicos? (risos)

Como está sendo essa discussão na Academia Brasileira de Letras?
A Academia é uma instituição muito morosa nesse sentido. Não é o foro adequado. O foro adequado é a cena intelectual como um todo. Posso até suscitar esse problema em março, mas não creio que dê frutos. Pode ser resolvido com o Ministério da Cultura, com a própria presidenta da República, mandando examinar a legislação, saber até que ponto essa legislação é prejudicial à cultura nacional. É uma legislação que impede que um poeta da altura de Manuel Bandeira seja corretamente cultuado.

Agora, vamos a um plano pessoal. O senhor era amigo de Manuel Bandeira. Sente-se agredido por não poder publicar as fotos?
Claro, porque é uma parte de minha vida pessoal. Fui amigo de Manuel Bandeira. Tenho dezenas e dezenas de fotos minhas com Manuel Bandeira… E eu não posso usar essas fotos em que eu estou ao lado de Manuel Bandeira, porque teria que pedir autorização para 50% da foto. É um negócio de louco! Eu estou com Manuel Bandeira e eu não posso usar. Se eu publicar essa foto com Manuel Bandeira, serei processado. Houve até um fato impressionante daquele cineasta baiano, o Glauber Rocha, que fez um filme sobre Di Cavalcanti. Esse filme sumiu inteiramente! A família vetou. Esse problema dos obstáculos, dos entraves, o governo deveria estabelecer uma política para alterar a legislação.

O senhor lançou, pelo Instituto Moreira Salles, um livro de correspondências, “E agora adeus”. Houve problema para usar as cartas?
Desse processo eu não participei. Foi feito pelo instituto, pelo escritor Gilberto Mendonça Teles, que fez as notas de pé de página. De modo que eu ignoro como é que se processou. Só houve minha participação pessoal. Agora, vamos supor que queiram publicar outras cartas. Os herdeiros são os donos até das cartas…

Quem recebe a carta, em tese, não deveria ser o proprietário dos direitos?
Quer dizer, por exemplo, eu devo me considerar proprietário das cartas que João Cabral de Melo Neto mandou para mim. E não a família de João Cabral. Mas aí é outra coisa, porque a família dele sempre foi muito delicada comigo, nunca houve esse problema. Mas é outro problema que deveria ser ventilado. As cartas que Clarice (Lispector) me enviou foram extraviadas, mas podem reaparecer algum dia. E elas pertencem à família de Clarice ou a mim, o destinatário?

Terra Magazine

Deixe um comentário

Arquivado em Literatura

Livros de Mão em Mão em São Paulo

Terminais de ônibus Mercado e Lapa são primeiros pontos de distribuição da iniciativa da Prefeitura e da Unesp que começa com 20 mil exemplares de coletânea de Machado de Assis

Programa empresta livros  gratuitamente em São Paulo

22/12/2011

Agência FAPESP – O programa “De mão em mão”, parceria entre a Fundação Editora Unesp e a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura, foi lançado no dia 21 de dezembro, em cerimônia na Biblioteca Mário de Andrade, na capital paulista.

O projeto promoverá o empréstimo gratuito de livros. O primeiro título da coleção será a coletânea A Missa do Galo e Outros contos, de Machado de Assis (1839-1908). Com apoio da SPTrans, a ação terá os terminais de ônibus Mercado (no Centro) e Lapa (na Zona Oeste) como primeiros pontos de distribuição.

De acordo com a Secretaria, a edição da coletânea foi realizada especialmente para o lançamento desse projeto-piloto. São 20 mil exemplares, que poderão ser lidos gratuitamente. A partir de um cadastro, o interessado poderá levar as publicações com o compromisso de passá-las “de mão em mão”.

Após a leitura, as obras podem também ser entregues nos pontos de devolução, a qualquer tempo, possibilitando o compartilhamento com outros leitores. Cada pessoa poderá retirar um único exemplar.

Os quiosques do projeto funcionarão todos os dias da semana, das 10h às 20h, com distribuição até quando houver livros. Nos dias 24, 25 e 31 de dezembro e 1º de janeiro, os pontos estarão fechados.

A iniciativa, de caráter inicialmente experimental, busca promover a distribuição de livros em locais com ampla circulação de pessoas para incentivar o gosto pela leitura. Até o fim do primeiro semestre de 2012, término da fase de experiência, serão lançados mais cinco livros. O próximo título está previsto para março.

Os novos livros oferecidos serão selecionados pelo conselho editorial composto por José de Souza Martins (sociólogo e conselheiro da FAPESP), Luciana Veit (editora e escritora), Sérgio Vaz (poeta e fundador do sarau da Cooperifa), Heloísa Jahn (editora e tradutora), Jezio Hernani Bomfim Gutierre (professor de Filosofia da Unesp e Editor Executivo na Fundação Editora Unesp) e Samuel Titan Jr. (professor de teoria literária na Universidade de São Paulo).

As obras terão gêneros distintos como uma forma de atrair leitores de diferentes perfis e faixas etárias.

O “De mão em mão” foi inspirado na iniciativa colombiana “Libros al viento”, em que obras literárias foram distribuídas à população. O projeto recebeu o aval da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e contribuiu para que Bogotá fosse declarada a Capital Mundial do Livro em 2007.

O Terminal Mercado fica na Avenida do Estado, 3350, no Centro. O Terminal Lapa está localizado na Praça Miguel Dell’Erba, na Zona Oeste.

Mais informações: www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura.

Deixe um comentário

Arquivado em Coisas sobre informação, Literatura

Fernando Sabino falando sobre a dor e a delícia de escrever

O grande escritor mineiro também tinha as suas dificuldades e teorias para escrever. Neste trecho do livro O Tabuleiro de Damas ele faz uma explanação do seu ponto de vista.

Nada mais penoso para mim que a busca da expressão adequada, da propriedade vocabular. Há mil maneiras de dizer uma coisa e só uma é perfeita. Para descobri-la, a gente pode levar a vida inteira. (…)

Acredito que escrever seja, basicamente, cortar. Cortar o superfulo. Eliminar repetições, ecos,rimas, cacófatos, redundâncias, lugares-comuns. Mas principalmente o excesso: como diz Otto (ou Unamuno, não me lembro), é preciso não duvidar da inteligência do leitor. (…)

Escrever, bem ou mal, é para mim cada vez mais difícil. Tenho dificuldade para escrever até um cartão de agradecimento ou um telegrama de pêsames. (…)

Otto é um privilegiado: além do talento literário que Deus lhe deu, tem redação própria.

Nem por isso deixa de ser também um torturado para escrever. Temos de nos consolar com aquele achado de Paulo Mendes Campos: “Quem tem facilidade para escrever não é escritor, é orador.” Truman Capote disse que Deus, quando dá a você uma vocação, dá também um chicote, que só serve para a autoflagelação. E afirmou:

– Eu me divertia muito escrevendo. Parei de me divertir quando descobri a diferença entre escrever mal e bem. Depois fiz uma descoberta ainda mais importante: a diferença entre escrever bem e a verdadeira arte. Foi brutal. Aí é que entra o chicote.

Segundo Ezra Pound, o bom escritor é o que mantém viva a eficiência da linguagem. A palavra é que impulsiona a ação. No meu caso é um meio de transmissão da ideia ou do sentimento, e não um fim em si. Portanto, deve ser transparente, cristalina. Na hora de escolher entre duas expressões, opto sempre pela mais simples. Uma oração tem sujeito, predicado e complemento. Mesmo me afastando dessa ordem, procuro não a perder de vista. E, sobretudo, tomo cuidado com os complementos. As regras do estilo, para mim, continuam as de sempre: clareza, concisão, simplicidade.

E a criatividade, a inspiração em tudo isso? Esta deve ser livre, pura, espontânea como uma criança. Nenhuma preocupação deve interferir. No momento de saber as horas, não se deve desmontar o relógio para ver o como funciona. Tudo pode acontecer quando o escritor se senta diante de uma folha de papel em branco. Só não vale blefar: é jogar para ganhar ou para perder. É a sua hora da verdade. A hora do encontro consigo mesmo, de que falei.

Ou, como dizia o Viramundo: a hora da onça beber água.

Sabino, Fernando. O Tabuleiro de Damas. Rio de Janeiro: 4º Edição, Record. 1989.

Via Livros e Afins

Deixe um comentário

Arquivado em Literatura

Desejos de Natal

 

1 comentário

Arquivado em Literatura, Na Biblioteca

Como enviar livros pelo correio de forma mais barata

Texto escrito por Ana Karenina do Escritos Ideológicos

Como este ano estou mais envolvida com o mundo literário ando descobrindo coisas bem interessantes e úteis pra quem gosta de ler, uma delas foi o site Trocando Livros e o Skoob, neste sites eu fiquei sabendo de uma forma mais barata para enviar livros pelos Correios, essa descoberta facilitou muito minha vida pois agora posso enviar mais livros da Campanha Livro é pra Circular sem gastar muito, esta semana ensinei pra um amigo como fazer esta postagem e vou reproduzir aqui o que eu tinha dito pra ele, porque informações úteis como esta tem mais é que ser divulgada de modo que todos os blogueiros fiquem sabendo.

Nos correios existe várias modalidades de postagem com preços diferentes, mas a forma mais barata pra enviar livros é o “Registro Módico”:

O Registro Módico é uma redução tarifária aplicado ao serviço de Registro Nacional. Pode ser utilizado junto aos serviços de Carta (comercial e não comercial), impresso normalimpresso especial e mala direta postal, quando da postagem de:
– livros em geral, postados por qualquer pessoa física ou jurídica;
– materiais didáticos, impressos ou gravados em CD ou DCD, desde que postados por escolas de ensino por correspondência e destinados a seus alunos.
– A postagem de livros e materiais didáticos com 
Aviso de Recebimento – ARValor Declarado – VD e Mão Própria – MP, nas modalidades carta comercialcarta não-comercialimpresso normal e impresso especial, deve ser feita obrigatoriamente sob registro (Registro Módico ou Registro Nacional). (Fonte:Correios)

A grande vantagem desta modalidade é que é bem mais barata e você ainda tem direito a ter um número pra rastrear a sua encomenda, o que lhe dá mais segurança, podendo enviar o código para a pessoa que vai receber e ter certeza que você realmente enviou. Uma vez cheguei a gastar 22 reais pra enviar um livro na modalidade PAC e nessa modalidade o máximo que gastei até agora foi 6,90 por cada pacote, por isso acho que vale a pena, a depender do peso e do local de entrega pode variar de preço mas a diferença é pouca.

PASSO A PASSO – COMO FAZER A POSTAGEM

1. Escolha um envelope de papel mais grosso, cor pardo pra colocar os livros, evite caixas pra não pesar mais.

2. Envolva os livros em papel filme pvc – isso ajuda a proteger mais os livros na hora do transporte e mantêm eles limpos para quem vai receber.

3. Em cima das informações sobre destinatário escreva em destaque “impresso – registro módico”

4. Coloque os livros que foram envoltos em papel filme pvc dentro do envelope marrom já identificado e leve pro correio aberto, o pacote deve ser levado aberto porque ele será lacrado na hora da postagem do correio, eles precisam ver que você está enviando mesmo livros, pois essa modalidade de envio mais barata é destinada a livros e outros materiais especiais.

5. ATENÇÃO: Os correios não devem limitar o peso dos materiais (livros e apostilas) a serem enviados neste tipo de modalidade (impresso normal), na carta comercial você pode enviar até 500 gramas a cada postagem. Como alguns atendentes não conhecem ainda a modalidade impresso eles podem se confundir com carta comercial por isso é importante que você insista.

6. Chegando no correio, deixe claro que quer enviar os livros pelo modo impresso registro módico, alguns atendentes não conhecem essa modalidade, por isso é importante levar uma cópia impressa das informações que tem no próprio site do correio, segue ai o link: Registro Módico- Correios imprima e leve pra mostrar ao atendente, se está o site, o serviço existe então ele é obrigado a aceitar.

7. Nessa modalidade de envio você receberá um código de rastreamento, o que te dará mais segurança pra acompanhar o andamento da postagem pelo site dos Correios

Agora ficou mais fácil enviar seus livros pra qualquer lugar do Brasil, não perca essa oportunidade! Você já sabia disso? Gostou?

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria

Leia trechos da sabatina de José Saramago à Folha em 2008

Para matar a saudade.

DE SÃO PAULO

O escritor José Saramago participou de uma sabatina na Folha em novembro de 2008 como parte da comemoração de 50 anos do caderno Ilustrada.

Leia mais sobre José Saramago
Veja fotos do escritor José Saramago

Saramago foi sabatinado pela jornalista Sylvia Colombo, do caderno Ilustrada, por Vaguinaldo Marinheiro, secretário de redação da Folha, por Manuel da Costa, colunista da Ilustrada e por Luis Costa Lima, colunista do caderno Mais!.

Então com 86 anos, o escritor lançava seu trabalho mais recente, “A Viagem do Elefante”. Ele voltou a criticar a bíblia e a igreja, falou sobre sua relação com Portugal e com o comunismo e apoiou o acordo ortográfico da língua portuguesa.

Leia alguns trechos da sabatina:

Bíblia

Ao ser questionado se a doença mudou a sua percepção de Deus, o escritor perguntou “por que mudaria?”, acrescentando que foram os médicos e a sua mulher que o salvaram.

“Por que precisamos de Deus? Nós o vimos? A Bíblia demorou 2000 anos para ser escrita e foi redigida por homens”, declarou.

Ainda disse que a Bíblia é um “desastre”, cheia de “maus conselhos, como incestos, matanças”.

Saramago também afirmou que foi o homem quem inventou Deus, o Diabo e o purgatório, que “hoje está desqualificado”.

Ele ainda voltou a criticar a Igreja, afirmando que ela inventou o pecado para controlar o corpo humano. “O sonho da Igreja é transformar todos em eunucos, quer dizer, os homens, porque as mulheres não podem ser eunucas”.

Tuca Vieira – 28.nov.2008/Folhapress
O escritor português José Saramago durante sabatina promovida pela Folha em 2008
O escritor português José Saramago durante sabatina promovida pela Folha em 2008

Comunista “hormonal”

O escritor José Saramago, 86, disse que é um comunista hormonal e comparou a ideologia ao cristianismo.

Saramago disse que a explicação “hormonal” ocorreu quando ele refletia a perguntas sobre como ele ainda é um comunista na atualidade.

O escritor afirmou que a pergunta era comparável a questionar alguém o fato de como era ser cristão depois da Inquisição.

“Eu sou o que se poderia dizer um comunista hormonal”, afirmou o escritor, ao dizer que “acredita” ter uma produção de “hormônio do comunismo”.

“Ser comunista é um estado de espírito”, disse o escritor. Ele também afirmou que isto mostra que Karl Marx está cada vez mais atual. “Sinto, pelo menos na Europa, onde se reeditam seus livros, que as obras de Marx são bastante vendidas”, afirmou Saramago.

“O homem não morreu, ao contrário do que foi dito muitas vezes”, afirmou Saramago ainda sobre o assunto.

“Há muita gente que há três, quatro anos, podia dizer que estava na classe média. Agora não está mais, está na classe média, na pobre”, disse o escritor sobre os efeitos da crise na vida das pessoas.

Portugal

Saramago negou que tenha um problema com Portugal. “Mudei de bairro porque meu vizinho me incomodava e meu vizinho era o governo português”, afirmou o escritor.

“Eu saí de Portugal porque tinha um problema com um governo, não com Portugal, aliás, com aquele governo que já passou”, disse ainda o escritor, único detentor de um prêmio Nobel entre os escritores de língua portuguesa.

Saramago negou ainda que seus livros reflitam fases, locais onde tenha vivido. “‘Ensaio Sobre a Cegueira’, que é um marco, começou a ser escrito ainda em Portugal”, afirmou o escritor, que mora no arquipélago das Ilhas Canárias, Espanha.

Cegueira

O cineasta Fernando Meirelles teve de ser paciente e agüentar o mau humor do escritor José Saramago, 86, para convencê-lo sobre a adaptação de “Ensaio sobre a Cegueira” para o cinema.

O Nobel de Literatura contou que a ideia para escrever “Ensaio sobre a Cegueira” surgiu quando comia em um restaurante. Ao comer o seu prato preferido, ele se perguntou “E se todos nós estivéssemos cegos?”, no que ele mesmo respondeu: “Mas nós estamos todos cegos”.

“A cegueira, como é chamada no livro, é uma cegueira histórica. A história da humanidade é um desastre contínuo, sem um momento de paz”, explicou.

Para Saramago, a razão cegou a humanidade, que não usa o instinto como os animais. “Somos cegos pela razão porque a usamos para destruir a vida em todos os planos, não para expandi-la”.

Questionado se ele ainda tinha esperança que a humanidade aprendesse “essa lição”, Saramago declarou que não precisa ter esperança, uma vez que é apenas um “notário, alguém que registra os fatos, alguém que vive o presente”.

Carreira tardia

José Saramago afirmou que não tinha a ambição de ter uma carreira literária e que a sua não é produto de marketing. “Não há essa pressa de finalmente chegar a uma cria”, afirmou o escritor ao comentar que aos 80, ele tem a obra que “alguém costuma ter aos 60”.

O escritor também mandou um recado aos seus críticos ao pedir que lessem o que estava escrito no passado.

Ainda destacou que a geração de escritores surgida na década de 50 eram “escritores de culto”, sustentado por um grupo fiel de leitores, mas que não tiveram uma penetração social “não muito extensa”.

Segundo ele, esses autores não foram produto de marketing. “Acontece que eu não sou produto de marketing, que dizer, agora, sim, eu virei um produto sem procurar sê-lo”.

Acordo ortográfico

Defensor do novo acordo ortográfico dos países de língua portuguesa, o escritor minimizou a polêmica e disse que a verdadeira questão está na língua falada.

Ele exemplificou a questão com uma anedota, dizendo que, nesta viagem ao Brasil, não conseguia compreender o nome de uma jovem que lhe pediu um autógrafo. Era Thaís. “Não era a minha Thaís, ela me disse algo que a mim não era Thaís”, afirmou Saramago.

“A língua enriquece com a diversidade. Tem que haver um exercício de tolerância”, completou o escritor português.

Sobre a atual reforma ortográfica, Saramago também usou um exemplo pessoal e disse que “reaprendeu” a escrever a palavra mãe diversas vezes, com “e” e com “i” no final. “Não tem importância, a mãe era mesma”, disse, bem-humorado, o escritor.

“Enfim, bem dentro deste fato, o que se confunde muito com aquilo que também se chama fato, que aqui se chama terno –o que é um absurdo, pois se não tem um colete, como é que pode se chamar terno. Era terno porque eram três”, afirmou Saramago.

Compondo o grande núcleo dos lusófonos no mundo, o escritor disse que, em sua opinião, há pouca literatura do Brasil em Portugal. “Precisamos equilibrar esta balança”, afirmou o escritor.

No entanto, Saramago se mostrou um otimista –bem ele que afirmou que “o mundo é péssimo”– sobre o cenário da literatura atual. “Estamos a viver uma época bastante boa”, afirmou ele sobre os jovens escritores portugueses, que afirmou ler e preferiu não citar nomes.

Obama

Saramago comparou o democrata Barack Obama, presidente eleito dos Estados Unidos, ao chefe de governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.

No entanto, ele disse também que a propaganda da mudança às vezes falha e citou como exemplo a ascensão dos trabalhistas no Reino Unido ocorrida com Tony Blair (que já abandonou o cargo).

Via Folha

Deixe um comentário

Arquivado em Literatura

A arte de Manuel Bandeira x ganância contemporânea

Justiça rejeita ação contra curta de Joaquim Pedro

Claudio Leal

Os herdeiros do poeta Manuel Bandeira, representados pelo agente literário Alexandre Teixeira, foram derrotados em mais um controverso processo de direito de imagem. Nesta segunda-feira, 17, o juiz da 36a Vara Cível, Rossidelio Lopes da Fonte, julgou improcedente o pedido de indenização da família, que alegou perdas com o lançamento não-autorizado do curta-metragem “O Poeta do Castelo”, do cineasta Joaquim Pedro de Andrade. Eles haviam pedido “a antecipação da tutela determinar a imediata abstenção da reprodução e/ou distribuição de todo e qualquer exemplar da Coleção de DVDS”.

A produtora “Filmes do Serro”, da família Andrade, lançou “O Poeta do Castelo” no DVD do filme “O padre e a moça”. Esta é a segunda derrota dos herdeiros de Bandeira. Em dezembro de 2010, o desembargador Pedro Raguenet derrubou, em segunda instância, uma ação indenizatória de R$20 mil contra a editora Aprazível, que publicou o livro “Olho da Rua”, do fotógrafo José Medeiros. Na edição, havia uma foto de Manuel Bandeira com o escritor Orígenes Lessa.

O voto do relator foi acolhido por unanimidade pela 6a Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. “Fato é que o artista deixou-se fotografar por profissional, diga-se de passagem, conceituado em seu meio (tanto que veio a merecer publicação de suas obras), e de cuja obra não se extraem circunstâncias torpes, maliciosas ou capazes de macular o conceito coletivo e idealizado da imagem do poeta, quer na memória do seu público, quer na de seus familiares”, sustentou Raguenet.

Na decisão sobre “O Poeta do Castelo”, o juiz Rossidelio Lopes da Fonte reafirmou a autoria de Joaquim Pedro, um dos expoentes do Cinema Novo. “Ocorre que o poeta foi apenas o tema do filme, sendo a obra de autoria de Joaquim Pedro de Andrade, não tendo havido nova utilização das imagens e da locução anteriormente feita pelo poeta, tratando-se do mesmo filme, restaurado e lançado em DVD, sem qualquer alteração, sendo o suporte diferente daquele utilizado na época do seu lançamento por razoes de atualização técnica, que a lei vigente a época atribuía exclusivamente a Joaquim Pedro de Andrade a autoria sobre a obra, inclusive quanto aos trechos recitados pelo poeta, razão pela qual, cabe exclusivamente aos herdeiros do autor os direitos autorais”, definiu o juiz.

Em defesa do curta, a advogada Susana Barbagelata Kleber argumentou: “Trata-se de um evidente e absurdo abuso, desprovido de qualquer fundamento legal. Se Manuel Bandeira não foi nem autor nem co-autor do filme, como podem os supostos detentores de seus direitos autorais pretender proibir a sua restauração? Tratam-se de direitos de terceiros!”.

Filha do cineasta, Maria de Andrade lamenta o conflito judicial, já que sua família sempre foi próxima de Manuel Bandeira. Seu avô, Rodrigo de Melo Franco de Andrade, era um dos melhores amigos do poeta. “É sempre o mesmo caso, de fazer gerar uma renda num meio que não movimenta esse volume de dinheiro que eles pretendem”, diz a produtora, que lutou pela restauração dos filmes do pai.

O juiz da 36a Vara Cível também julgou improcedente a alegação da defesa de que os herdeiros indiretos de Bandeira não tinham legitimidade para abrir o processo. “Da mesma forma, improcede a alegada ilegitimidade dos Autores para ajuizar ações relativa ao direito de imagem de Manuel Bandeira, por serem parentes colaterais de quarto grau do poeta. Em que pese o art.20, parágrafo único mencionar apenas o cônjuge, os ascendentes e descendentes, mister se faz sua conjugação com o parágrafo único, do art.12 do código civil, que preceitua ter legitimidade para requerer que cesse a lesão a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, em se tratando de morto, o cônjuge sobrevivente ou qualquer parente em linha reta, ou colateral ate o quarto grau”.

“O Poeta do Castelo” é um raro registro do cotidiano de Manuel Bandeira e está disponível, há algum tempo, no YouTube. Nesta segunda-feira, em conversa com Terra Magazine, uma das herdeiras do poeta desconhecia a ação judicial. “Não sei de nada disso. Eu adoro aquele filme… Acho muito bonito. Mas a situação da gente é complicada, porque a gente nem sabe, não tem conhecimento. Ele (o agente literário Alexandre Teixeira) tem autonomia total pra decidir essas coisas todas. Posso até conversar com ele sobre essas coisas”, declarou Maria Helena Cordeiro de Souza Bandeira.

Via: Terra Magazine

Deixe um comentário

Arquivado em Literatura