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Mulheres entraram na ciência pela cozinha

Por Elton Alisson

Agência FAPESP – A cozinha franqueou a entrada das mulheres no laboratório científico – o marco da ciência moderna que se transformou em um espaço eminentemente masculino, onde algumas delas se destacaram a duras penas em áreas que até então não atraiam a atenção dos homens.

A avaliação foi feita por Ana Maria Alfonso-Goldfarb, professora da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, na penúltima edição do Ciclo de Conferências Ano Internacional da Química – 2011, realizada em 9 de novembro no auditório da FAPESP com o tema “A contribuição de Marie Curie para a ciência e um olhar sobre o papel das mulheres cientistas”.

De acordo com Goldfarb, foi por meio da habilidade de atear e controlar o fogo para preparar os alimentos – considerada uma atividade difícil e propriamente feminina – que as mulheres ajudaram a desenvolver até meados da Idade Média uma série de produtos. Entre eles estão os primeiros destiladores, extratos, além de perfumes, medicamentos, pomadas e licores.

“A cozinha era um espaço restrito para a maioria das mulheres. E foi entre a preparação de caldos e guisados que elas começaram a praticar o trabalho de laboratório desenvolvendo uma série de produtos que, posteriormente, passaram a ser utilizados por médicos e botânicos, na maioria das vezes se apropriando das descobertas femininas e não lhes atribuindo o devido crédito”, disse.

Segundo a pesquisadora, foi entre os séculos 16 e 17, quando o prelo se tornou importante e aumentou a circulação dos livros, que a “medicina da cozinha” ou “química das damas”, como foi denominado esse trabalho realizado pelas mulheres nos laboratórios-cozinha da época, ganhou maior importância.

Algumas delas, que tinham mais posses ou importância social, começaram a publicar livros com seus nomes. Uma delas foi a rainha Henrietta Maria (1609-1669), da Inglaterra, que financiou a edição do livro The Queen’s Closet Opened.

Entretanto, essa fase, que durou entre 50 e 60 anos, acabou justamente no momento em que surgiram os laboratórios, que marcaram a ciência moderna. “Como decorrência desse fato, as mulheres começam a voltar discretamente para a cozinha”, disse Goldfarb.

Já no século 18 surgiram os grandes salões literários, onde as mulheres ditaram o tom. Porém, de acordo com a pesquisadora, elas não tinham acesso às sociedades científicas ou aos grupos restritos de cientistas da época, onde a ciência, de fato, era feita.

Em função disso, são raros os exemplos de mulheres que conseguiram ter algum destaque, ainda que superficial, na ciência realizada nessa época. Alguns dos poucos exemplos são os da madame Émilie du Châtelet (1706-1749) e de Marie Anne Pierrete Paulze (1758-1836), a madame de Lavoisier.

Já entre os séculos 19 e 20 se iniciou o processo de educação científica feminina nos países saxônicos e anglo-saxônicos a conta-gotas, quando as primeiras mulheres conseguiram ter acesso aos colleges. Porém, a maioria que conseguia se formar acabava voltando para casa frustrada, por não conseguir trabalhar.

Como saída, algumas delas direcionaram suas carreiras para áreas que estavam passando por uma reformulação de bases ou emergindo, e que demandavam um trabalho fastidioso de cálculos e observações que não raro duravam meses. Entre essas áreas estavam a cristalografia, a astronomia e a radioatividade.

“Foram nessas áreas que sobrou espaço para as mulheres e nas quais elas foram recebidas, porque tinham que ser abnegadas e dedicadas para realizar um trabalho duro, pesado e que repelia o sexo masculino”, explicou Goldfarb.

Não por acaso, Marie Curie (1867-1934) se tornou a primeira mulher a ser laureada com o Prêmio Nobel de Química, em 1911, e o de Física, em 1903, que dividiu com seu marido, Pierre Curie (1859-1906) e com Antoine Henri Becquerel (1852-1908), justamente por suas pesquisas sobre radioatividade.

A filha da cientista polonesa radicada francesa, Irène Joliot-Curie (1897-1956), tornou-se a segunda mulher a ganhar o Nobel de Química, em 1934, com o marido Frédéric Joliot-Curie (1900-1958), pela descoberta da radioatividade artificial.

E as outras duas únicas mulheres que receberam o prêmio Nobel de Química, entre os 159 laureados com a honraria – a egípcia, radicada inglesa, Doroty Crowfoot Hodgkin (1910-1994) e a israelense Ada Yonath –, foram premiadas por pesquisas em cristalografia.

Marie Curie

De acordo com Goldfarb, além de Marie Curie, outras mulheres de sua época foram indicadas ao prêmio Nobel. Porém, a cientista francesa conseguiu se distinguir das demais e não se tornar mais uma “ilustre desconhecida” na história da ciência, além de sua genialidade, pela maneira como conseguiu projetar sua imagem.

“Ela era, de fato, talentosa, abnegada, uma fábrica de ideias, e soube potencializar isso como poucas mulheres. Ela registrava tudo e sempre aparece nas fotografias da época atarefada e compenetrada, observando ou realizando experimentos”, disse Goldfarb.

Além disso, Curie soube escolher os homens certos. O marido, Pierre Curie, que a conheceu na Universidade de Sorbonne, onde era professor de física, tinha uma enorme admiração por ela. E seu orientador, Becquerel, com quem o casal dividiu o Nobel de Física, era uma figura complacente, que facilitou muito o seu trabalho de pesquisa.

“Ela conseguiu penetrar o núcleo duro da ciência da época, sem dúvida, pelo trabalho, excelência e dedicação à pesquisa. Mas, também, com muita estratégia”, avaliou.

A cientista só conseguiu atrair a atenção de Pierre para suas pesquisas sobre radioatividade quando Gabriel Lippman (1845-1921), que era supervisor dela em Sorbonne, leu seu primeiro trabalho na Academia de Ciências de Paris, na qual ela não foi aceita como membro.

O trabalho só foi reconhecido e passou a ser discutido pela comunidade científica da época quando Pierre assinou juntamente com ela os resultados.

“Esse reconhecimento científico só ocorreu quando se formou a figura do casal. E esse fato tem uma relação direta com uma noção de gênero que havia na época, chamada de complementaridade sexual, que está relacionada com a longa história do isolamento da mulher das práticas laboratoriais”, disse Gabriel Pugliese, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), durante o evento.

Segundo Pugliese, por essa noção de gênero da época, o homem era vinculado à política, ao espaço público, enquanto a mulher estava restrita à esfera privada, aos trabalhos domésticos. Uma complementaridade de funções que está ilustrada na própria forma como Marie e Pierre Currie dividiram o trabalho de pesquisa sobre a radioatividade.

Enquanto Marie ficou encarregada de realizar os experimentos para purificar os elementos radioativos (o trabalho “doméstico”), Pierre foi incumbido de estudar as radiações emitidas pelas substâncias químicas (o trabalho de laboratório).

“Isso também tem relação com a noção de laboratório como cozinha, em que Marie Curie aparece como aquela que faz os experimentos, uma auxiliar do Pierre, enquanto ele faz o trabalho mais prestigioso de pensar e cumprir o ofício de chefe do laboratório, procurando recursos e estabelecendo relações com outros cientistas”, disse Pugliese.

“A intenção dos organizadores do Nobel, na época, era premiar apenas Becquerel e Pierre, mas esse último, ao saber disso, recusou-se a receber o prêmio sem dividi-lo com Marie”, disse.

Homenagem à FAPESP

Durante a abertura da penúltima edição do Ciclo de Conferências Ano Internacional da Química – 2011, a FAPESP recebeu uma homenagem pelos seus 50 anos, que completará em maio de 2012, da Sociedade Brasileira de Química (SBQ).

A homenagem, feita na forma de uma escultura, criada pela artista plástica Sara Rosemberg, batizada de “Rosa dos ventos”, foi entregue por Vanderlan da Silva Bolzani, professora do Instituto de Química de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e membro do comitê nacional de atividades do Ano Internacional da Química 2011, da SBQ, a Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

Cruz agradeceu a homenagem em nome da FAPESP e cumprimentou Bolzani pela organização do Ciclo de Conferências Ano Internacional de Química – 2011, além da comunidade de química do Estado de São Paulo e todos os pesquisadores da área pelo trabalho que têm realizado em prol da ciência brasileira.

“Muitas vezes lutando e vencendo de forma imaginativa diversos tipos de obstáculos, os químicos brasileiros vêm produzindo ciência que é competitiva mundialmente em vários dos centros de pesquisa que nós temos no Estado de São Paulo e no Brasil”, disse.

Promovido pela Sociedade Brasileira de Química (SBQ) em parceria com a revista Pesquisa FAPESP, o Ciclo de Conferências Ano Internacional da Química – 2011 integrou as comemorações oficiais do Ano Internacional da Química, instituído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a União Internacional de Química Pura e Aplicada (Iupac, na sigla em inglês).

O ciclo foi coordenado por Bolzani e por Mariluce Moura, diretora de redação de Pesquisa FAPESP.

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Literatura censurada pela ditadura é tema de estudo

 

Agência FAPESP – Entre 1970 e 1988, durante a última ditadura militar no Brasil, mais de 140 livros nacionais chegaram a sofrer censura prévia.

A partir do estudo dos atos censórios do Departamento de Censura e Diversões Públicas (DCDP), uma pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) sistematizou pela primeira vez uma listagem das obras de ficção censuradas, além de identificar e analisar, a partir de alguns casos particulares, os mecanismos de censura utilizados.

Os resultados do estudo estão sintetizados no livro Repressão e resistência: Censura a livros na ditadura militar, de Sandra Reimão, professora da Escola de Artes e Ciências Humanas (EACH) e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP.

O livro, que teve apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Publicações, será lançado no dia 7 de dezembro, às 18h30, na Livraria Martins Fontes, na Avenida Paulista, em São Paulo.

Segundo Reimão, o projeto da obra surgiu após a leitura do livro Roteiro da Intolerância: A censura cinematográfica no Brasil, de Inimá Ferreira Simões, lançado em 1999. Vários dos filmes censurados que constavam no livro de Simões eram adaptações de obras literárias.

“Decidi pesquisar se os livros que haviam inspirado os filmes censurados também haviam sofrido censura. Mas tive uma grande surpresa ao descobrir que não havia nenhum levantamento sistemático dos livros censurados no período da ditadura. Havia apenas listagens parciais, sem especificações claras para identificar as obras. Foi quando decidi fazer esse levantamento”, disse Reimão à Agência FAPESP.

Aproveitando a bibliografia existente, a pesquisadora trabalhou com o arquivo de pareceres do DCDP e rastreou a documentação sobre as obras no Arquivo Nacional. O projeto gráfico, que foi concebido para dialogar com o texto, é um dos destaques da publicação.

“Além de fazer um levantamento sistemático das obras censuradas e de traçar um panorama histórico da atuação censória do governo militar em relação à arte e cultura – e aos livros, em particular –, procurei também destacar alguns casos particulares de censura à ficção, para analisar as características da censura”, disse Reimão.

A pesquisadora analisou especificamente os casos de Feliz Ano Novo, de Rubem Fonseca, Zero, de Ignácio de Loyola Brandão, Dez histórias imorais, de Aguinaldo Silva, Em câmara lenta, de Renato Tapajós, e os contos Mister Curitiba, de Dalton Trevisan, e O cobrador, de Rubem Fonseca.

Segundo ela, o decreto lei 1077, de 26 de janeiro de 1970 – também incluído no livro –, que instituiu a censura prévia no Brasil, definia como passíveis de censura os livros que ofendiam a moral comum e que podiam “destruir a base moral da sociedade”.

O mesmo decreto também indicava que as obras que ameaçavam a moral também colocavam “em prática um plano subversivo que coloca em perigo a segurança nacional”.

“Para os censores, havia uma correlação clara entre a destruição dos valores morais e a segurança nacional. Uma das conclusões do livro é que, quando tratamos da década de 1970, não é possível separar o universo moral do universo político”, disse Reimão.

  • Repressão e resistência: Censura a livros na ditadura militar
    Autora: Sandra Reimão
    Lançamento: 2011
    Preço: R$ 78
    Páginas: 184
    Mais informações: www.edusp.com.br

Via Agência FAPESP

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A influência da escolaridade

Este é um tema longo e abordável sob muitos aspectos, porém, não dá para negar, a escolaridade influencia sim na vida das pessoas.

Li durante todo o mês de outubro, para a realização de um trabalho, estudos sobre hipertensão que demonstravam que, entre outros fatores, a baixa escolaridade está relacionada, não só a muitos casos de doenças crônico degenerativas, como implica diretamente na dificuldade do tratamento.

Pois que agora me chega a reportagem:

Diferença de salario é maior por escolaridade

Os homens ainda são maioria no mercado de trabalho e possuem salário maior que o das mulheres, segundo o Cadastro Central de Empresas 2009 (Cempre), divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE). Mas, ao contrário do que ocorria no passado, o gênero não é mais tão determinante para o sucesso profissional. O que impulsiona o salário atualmente é o nível de escolaridade.

Embora os homens ganhassem 24,1% a mais do que as mulheres, segundo a média nacional, a escolaridade mostrou-se mais determinante para o nível salarial. Os trabalhadores que tinham curso superior ganhavam um salário 225% maior do que os que não concluíram a faculdade.

De um montante de 40,2 milhões de trabalhadores assalariados, 33,6 milhões não tinham nível superior (83,5%) contra apenas 6,6 milhões de pessoas com curso superior (16,5%). No entanto, essa fatia de trabalhadores que concluíram a faculdade concentrou R$ 310,6 bilhões, ou 39,7% da massa salarial, enquanto os outros R$ 471,3 bilhões, ou 60,3%, foram distribuídos entre os trabalhadores com menor escolaridade.

O salário médio mensal, em 2009, foi de R$ 1.540,59 ou 3,3 salários mínimos. Os homens receberam, em média, R$ 1.682,07, ou 3,6 salários, enquanto as mulheres receberam R$ 1.346,16, ou 2,9 salários. O levantamento foi conduzido com 4,8 milhões de empresas e organizações, que reuniam 40,2 milhões de assalariados, sendo que 23,4 milhões (58,1%) eram homens e 33,6 milhões (83,5%) não tinham nível superior. Daniela Amorim

Estadão

Pois é.

Isso que nossas escolas nem são das melhores, imaginem se fossem…

 

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Trabalhos Forçados

Parece ser um consenso mundial a dificuldade de se sustentar sendo escritor, salvo raras exceções.

Carlos Drummond de Andrade trabalhou na política, mas antes era farmacêutico como Érico Veríssimo, compadre de Clarice Lispector, que dizia-se forçada a fazer traduções  e escrever colunas para jornais, não raro copiava trechos interiros de livros para suprir esta demanda.

Fernando Pessoa trabalhava como funcionário público…

Por isso acho interessante livros como este:

Vários escritores consagrados não conseguiram sobreviver só de literatura e tiveram que fazer outros trabalhos, “Trabalhos forçados”, de Daria Galateria (Roma, 1950) reuniu num livro os ofícios que tiveram vários deles:

Jack London: caçava baleias

Boris Vian: trompetista

Collete: vendedora de bijouterias e antirrugas

Charles Bukowski: carteiro

Dashiell Hammett: detetive particular

Veja o vídeo:

Esses não estão no livro: José Saramago foi metalúrgico, auxiliar administrativo e corretor de seguros, antes de ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. E Paulo Coelho foi ator, jornalista e compositor das músicas de Raul Seixas, antes de ser o escritor brasileiro mais conhecido no mundo atualmente.

 

Via Fernanda Jimenez

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Desafio Literário 2012

Ainda não sei se vou participar [ando tão arredia], de qualquer maneira, fica a dica:

 

Depois de um ano conturbado em que as resenhas dos livros lidos para o Desafio Literário ficaram fora da ordem de prioridades, confesso que quando vi o lançamento do Desafio Literário 2012 pensei em não participar, mas eu gosto de desafios, gosto de vencê-los e ainda por cima gostei muito dos temas propostos para este ano. Estou elaborando minha lista, como sempre vou priorizar os livros disponíveis na minha biblioteca, mas pasmem, tem categorias que não tenho nenhum, como “Viagens do Tempo”, “Escritor Africano” e “Prêmio Jabuti” e assim o DL mais uma vez me ajuda a ampliar meus horizontes literários, sugestões são bem-vindas ;)

A lista de temas é a seguinte:

Janeiro 2012

Literatura Gastronômica – mês dedicado ao sabor da leitura. Afinal, leitura sem gosto não tem a menor graça. Em razão disso, propomos um tema leve, divertido e saboroso; sejam em forma de crônicas, poesias, romances, diários, biografia, memórias e demais gêneros que versem sobre a temática da comida. ATENÇÃO: Livros contendo apenas receitas não valem.

Fevereiro 2012

Nome Próprio (de pessoas) – existem personagens cujo imenso carisma ganha logo destaque na capa de um livro. E a regra do mês é essa: só vale livros cujo título seja um nome próprio – e apenas ele -, exemplo: Quincas Borba, Benjamin, Emma. Vai ser divertido e muito fácil caçar títulos do tipo; seja na estante de casa, de uma livraria ou de uma biblioteca. ATENÇÃO: apenas nome próprio de pessoas!

Março 2012

Serial Killer – O tema é autoexplicativo, mas para não dar margem às dúvidas, vamos lá: Literatura policial em que há a combinação de (policiais/detetives), investigação e, claro, homicídios seriados.

Abril 2012

Escritor(a) oriental – que tal explorar a terra do Sol nascente e demais países do Extremo Oriente e do sul da Ásia? Entram em cena os escritores chineses, japoneses, indianos, coreanos, etc…

Maio 2012

Fatos Históricos – Esse mês será destinado à leitura de romances cuja trama apresente acontecimentos que marcaram a história nacional ou mundial. Frisando, apenas romances. Não valem livros de História Geral, nem biografias.

Junho 2012

Viagem no Tempo – romances que abordem a ida de viajantes do tempo para o passado ou futuro. Se eles voltam ou não, só a história dirá. Em tempo: Livros científicos ficam de fora.

Julho 2012

Prêmio Jabuti – Esse é o prêmio mais importante do cenário literário brasileiro. E conta com 29 categorias, mas para fins do Desafio literário valem apenas as categorias Livro do Ano e Romance, de qualquer uma das 53ª edições da referida premiação leitura. Para abrir mais o leque de opções: Além das obras ganhadoras, é permitida a leitura das obras indicadas ao prêmio. Clique no link abaixo e pesquise: http://www.cbl.org.br/jabuti/telas/edicoes-anteriores/

Agosto 2012

Terror – O tema impõe a regra: tem que ser história que mete medo. Pode ser suspense psicológico ou sobrenatural, isto é, valem tanto as histórias com personagens sobrenaturais (vampiro, zumbi, bruxas, lobisomem…) como as narrativas com personagens humanos.

Setembro 2012

Mitologia universal – Romances, poesias, contos que abordem mitos e lendas de culturas distintas (brasileira, Greco-romana, céltica, indiana, mexicana, nórdica, etc…). É um universo de opções!!! Mas até que Setembro chegue, há um bom tempo para a pesquisa e aquisição. É manda ver.

Outubro 2012

Graphic Novel – Vamos nos divertir mais! Para quem não sabe, Graphic Novel é um romance gráfico com enredos longos e complexos no formato de história em quadrinhos. ATENÇÃO: não valem gibis, aqueles de periodicidade mensal.

Novembro 2012

Escritor(a) africano – que tal ler um autor nascido na grande mãe África? Pegue o mapa e monte o seu roteiro literário pelo continente africano.

Dezembro 2012

Poesia – A correria típica do mês pede descanso, especialmente, para a alma. Vamos de lavar a alma com poesia! De qualquer forma e jeito, valem Haicais, acrósticos, épicos, cânticos, elegias…, em outras palavras, pesquise, pesquise, pesquise!)

Para quem quiser participar vale conferir os links ai embaixo e ficar atento que o prazo de inscrições é até 15/12/2011

Regulamento

Agenda e Temas

Sugestão de Leituras

Inscrição

Lista de livros dos blogs participantes

Via: Bibliophile

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Torre de Babel com 30 mil livros

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Alameda Santos, de Ivana Arruda Leite

Eu adoro ler resenhas.

E toda vez que leio uma fico irresistivelmente seduzida pelo livro.

Este aqui provavelmente será minha próxima aquisição:

Alameda Santos, de Ivana Arruda Leite

Um crítico deve ser flexível. Não é a obra que deve se adaptar à visão do crítico e sim o contrário. Com o espírito aberto, a primeira coisa a fazer é observar qual a intenção do autor e o tipo de público que ele deseja atingir. Depois, é necessário analisar se o autor fez bem aquilo que se propôs a fazer. Nem todo mundo quer ser Shakespeare. O problema com a crítica que temos é que ela ainda não percebeu isso e, se percebeu, não tem competência e desprendimento para analisar uma obra pop por aquilo que ela deseja ser: POP. Simplesmente.

Alameda Santos, de Ivana Arruda Leite

Falei essas coisas a respeito da crítica porque terminei de ler Alameda Santos, da Ivana Arruda Leite. Gosto de Shakespeare e gostei do livro da Ivana. Cada um no seu quadrado. Shakespeare é Shakespeare. Ivana é outro papo, tenta desvendar a condição humana por meio do desbunde… do riso, mas não pensem que é um riso fácil… solto. Não Senhor. Nada disso. O nosso riso, lendo Alameda Santos, é o mesmo riso dolorido de quando lemos Dom Quixote, ou de quando ouvimos The Smiths e a melodia solta e leve de Johnny Marr nos faz acreditar que o som induz ao sorriso. Só que aí prestamos atenção às letras do Morrisey e nosso riso se torna enviesado, como se houvesse um espinho ao lado… inflamando… enchendo de pus nossa comédia.

Acho que fui feliz na comparação com os Smiths, porque a música, inclusive com trechos transcritos, atravessa toda a obra. Não tanto o Rock, mais a música popular brasileira. Música é música, não é? Se fosse pintura, poderíamos dizer que o som é como uma imensa diagonal cortando a tela. O próprio texto são as fitas que a protagonista grava todo final de ano, enquanto toma umas e outras e relembra as desventuras. Até a capa do livro parece a capa de um daqueles LP´s new wave dos anos 80. POP.

Contudo, não é só a música, nem só o desbunde que compõem o romance. Há muito mais coelhos nessa cartola. Ralph Waldo Emerson, gênio, afirma em um de seus Ensaios que não existe História, só Biografia. O livro da Ivana funciona como uma prova dos nove dessa afirmação. Vai vendo. Durante o desenrolar da narrativa, a protagonista (não nomeada) tenta de tudo para dar sentido à existência. Do marxismo à magia. Da vida na cidade à vida no sítio. Da renovação carismática católica a Nietzsche. Ocorre aqui, no microcosmo da ficção (ficção?) o mesmo que ocorre no macrocosmo da História. Na mesma época em que a narradora (a própria Ivana?) batia a cabeça nas arestas do mundo e de seus relacionamentos, procurando encontrar um rumo; o país saía da ditadura militar, lutava por diretas, enterrava Tancredo ao som de coração de estudante, encarava Sarney e a inflação, Fernando Collor e o assassinato de Daniela Perez. De certa maneira, é o que Milan Kundera sempre fez de forma magistral, mas sem o veio cômico.

Outro ponto interessante do livro é que, a seu modo meio tresloucado, ele também é um romance de formação, Um Retrato do Artista Quando Jovem, embora a Artista não seja tão jovem assim. Nada é mesmo convencional aqui. O fato é que vemos um coração sensível, perdido, artístico, se debatendo contra o mundo, essa máquina de moer gente. Não é no primeiro plano, mas ao fundo que vemos grassar o sonho da escrita. Esse sonho que, ao mesmo tempo em que conforta, também destrói um bocado de gente. “Os artistas estão mesmo fodidos nesse mundo”. É isso que a voz de Ivana, ela mesma, nos diz em suas fitas, ora sussurrando, ora vociferando, conforme o lirismo dos bêbados e dos clowns de Shakespeare. The girl with the thorn in his side.

O livro grita ainda outra verdade, um misto de Nelson Rodrigues: “Só os neuróticos verão a Deus” e Allen Ginsberg “santo, santo, santo, tudo é santo”. Os santos, digo, os personagens de Ivana Arruda Leite são todos neuróticos. Charles (o mais doido), Eduardo, Tereza, Caio, Guto, todos são desajustados. Todos queimam e queimam e queimam como o Dean Moriarty de Kerouac. Todos estão se debatendo com a vida e enfrentando a moral dos fracos (no sentido nietzscheano) que se tornou alicerce de tantos poderosos hipócritas. Todos se machucam. Ninguém sai ileso de um confronto assim. O mundo é foda. Viver é difícil. Essa é uma das idéias.

Poderia ficar falando aqui a tarde toda sobre o livro. Também sou meio verborrágico, feito a narradora, mas é preciso terminar. A vida ruge lá fora. Fico imaginando então, pra concluir, não a influência de Ivana em Alameda Santos, mas a influência de Alameda Santos em Ivana Arruda Leite. É um livro-catarse, esse, um acerto de contas com a vida e com o passado. Algo que paira sobre o céu da literatura brasileira hoje. Andréa del Fuego escreveu Os Malaquias, Michel Laub escreveu Diário da queda. Não sei a que conclusões Ivana chegou ao término do livro, não consigo sequer fantasiar. Como leitor, se pudesse dizer alguma coisa, diria só:

– Valeu à pena, Ivana, outros corações encontram agora espelho e consolo no seu coração. – E não é essa mesma uma das razões da Arte? Chegar até outros corações cansados como o nosso e dizer que eles não estão sozinhos… que, apesar de todos os Fortes do Mal, formamos uma corrente? Corrente e não pirâmide, que pirâmide dá muita confusão.


Resenha escrita por Daniel Lopes, autor com textos publicados nas revistas literárias Amálgama, Meio Tom, Germina e Escritoras Suicidas. Publicou em 2008 o romance É preciso ter um caos dentro de si para criar uma estrela que dança, em 2010 publicou o livro de contos Pianista boxeador. Foi vencedor do prêmio Valeu Professor 2010, categoria conto.

Via Lendo.org

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Os menores livros do mundo

Pronto! Já não posso mais viver sem.

Acessem : http://www.osmenoreslivrosdomundo.com.br/

Via Livros e Afins

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Tia Júlia e o Escrevinhador

Minha incursão pela literatura da América Latina é  muito recente e tudo para mim é descoberta.

A mais recente foi o vencedor do prêmio Nobel, Mario Vargas Llosa.

Certo dia, sem motivo mais profundo, caiu em minhas mãos o romance Tia Júlia e o Escrevinhador, de cara já gostei do título. Pois escrevinhador é mesmo muito mais legal que escritor.

A história narra as aventuras de Varguitas, um jovem Limenho que trabalha numa rádio cuja atração principal são as novelas. Após a contratação de um famoso “escrevinhador” boliviano muito exótico, Varguitas transita entre sua aspiração literária, a imposição dos pais para concluir um curso de Direito e uma paixão pela irmã da mulher de um tio materno, mais velha e divorciada.

Para a família de classe média limenha isso é um escândalo.

A partir daí o livro intercala as aventuras do protagonista e uma novela do escrevinhador Pedro Camacho, até que este começa a confundir seus personagens causando uma enorme bagunça para a rádio e seus ouvintes, ao mesmo tempo que o romance de Varguitas é descoberto pela família.

O tom de humor mescla-se  ao autobiográfico, com isso, Tia Júlia e o escrevinhador é um ótimo romance de humor e ao mesmo tempo, uma biografia da juventude de Vargas Llosa.

Vale a pena conferir.

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