Livrarias tornam-se empresas de tecnologia

Livrarias tornam-se empresas de tecnologia

A semana passada foi de tristeza nos Estados Unidos, com o anúncio do encerramento das atividades da Borders, segunda maior rede americana de livrarias. A empresa liquida seu estoque, além de itens de seu mobiliário, enquanto tenta negociar parte de suas lojas com outra cadeia. São mais 10 mil funcionários que devem perder seus postos. E uma certeza. Ao menos nos Estados Unidos, o livro digital causa mudanças profundas no segmento. Um novo capítulo na relação entre leitor, autor e obra.

 

Livrarias tornam-se empresas de tecnologia II

E as mudanças não param por aí. A Barnes & Nobles, maior cadeia norte-americana, cada vez mais se transforma numa empresa de software. Em seus relatórios o cenário é explícito: enquanto a venda de edições físicas cai, os livros eletrônicos apontam para uma comercialização crescente. A empresa controla quase um terço do mercado americanos de e-books. E estima mais que dobrar o volume comercializado em 2011. Na prática os números são traduzidos na demissão de experientes compradores de livros físicos (alma do antigo formato do negócio), e a contratação de executivos e técnicos com experiência no mercado tecnológico.

 

No Brasil

A tendência vai chegar por aqui? Ao menos a curto e médio prazo, não. O país comercializa hoje apenas 2500 títulos no formato digital, com vendagens bastante incipientes. Questões contratuais, culturais e tecnológicas estancam o desenvolvimento do mercado. Só como parâmetro, a Amazon informa que no mercado americano ao menos sete autores já bateram a marca de um milhão de exemplares vendidos no formato digital. Por outro lado, especialistas em varejo apontam para a necessidade de uma base de lojas físicas para ampliação do comércio digital. Ou seja, por mais que investiam em suas operações virtuais, ao que parece as livrarias precisaram manter ainda por um bom tempo uma razoável quantidade de lojas abertas para motivar seus clientes a comprar.

 

No Brasil II

Por aqui o momento aponta para dois movimentos entre as principais empresas do mercado. Um de consolidação – como observado na compra da rede Siciliano pela Saraiva. Outro de expansão, como é o caso da Livraria Cultura, que se espalha pelo país, e que deve chegar ao Rio ainda este ano. Ao mesmo tempo, uma nova fatia da população que ascende econômica e socialmente, deve encorpar o mercado cultural nos próximos anos, oferecendo oportunidades em cidades e bairros antes desconsiderados. Algo para ser observado.

 

O preço da obra

Não é só o mercado de artes plásticas que observa a explosão dos preços em seus leilões. O mercado de manuscritos literários acompanha a tendência. Na semana passada, na Sotheby´s de Londres, o manuscrito de “The Watsons”, romance inacabado de Jane Austen, foi arrematado por quase um milhão de libras. O dinheiro saiu de algumas instituições culturais inglesas, majoritariamente do National Heritage Memorial Fund. Garantindo a permanência dos originais na Inglaterra, e sua futura exposição ao público local ainda neste ano.

 

José Godoy

José Godoy é escritor e editor. Mestre em teoria literária pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), colabora com diversos veículos, como a revista “Legado”, da qual é colunista, e os jornais “Valor Econômico” e “O Globo”. Desde 2006, apresenta o programa “Fim de Expediente”, junto com Dan Stulbach e Luiz Gustavo Medina. O blog do programa está no portal G1.

 

Via CBN Express.

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