Arquivo do mês: maio 2011

Quais os cinco livros você levaria para uma ilha deserta? – Jornal Opção

Quais os cinco livros você levaria para uma ilha deserta? – Jornal Opção.

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Dica de leitura: Paz Guerreira, de Talal Hussein

Direto daqui.

Posted: 29 May 2011 07:07 AM PDT

Durante meu curso universitário tive um contato bastante precário e num nível bastante acadêmico com filosofia. Falou-se de Platão, Kant, Nietzsche, e alguns outros, com suas contribuições para a educação e para a literatura, sempre de modo bem teórico. Assim, nada foi visto em relação ao sentido prático da filosofia, que na sua origem, na antiguidade clássica, era o que realmente importava.

Certo dia, visitando a biblioteca pública da minha cidade, encontrei um panfleto curioso de uma instituição chamada Nova Acrópole, informando ser uma escola de filosofia à maneira clássica.

Era um prato cheio para um literato recém saído da universidade.

Fui até o local indicado no panfleto, na data e hora em que seria dada uma aula inaugural-demonstrativa do curso desenvolvido pela escola. Era uma sala pequena e simples. A professora mostrou-me a pequena biblioteca com diversos títulos magníficos — todos de filosofia, obviamente — e explicou-me sobre o que se tratava no curso e o que era a Nova Acrópole.

Minha surpresa foi grande quando soube que aquela instituição, fundada em 1957, existe em mais de 50 países, contando com mais de 10 mil membros ativos e centenas de milhares de simpatizantes! A Nova Acrópole, através de seus cursos, busca ser um local onde é possível compartilhar ensinos sobre diferentes tradições espirituais e filosóficas da humanidade, recuperando assim, o ideal clássico da filosofia como meio para se viver uma existência mais humana e completa. Seu fundador, o professor Jorge Angel Livraga Rizzi, dedicou a vida à fraternidade entre os indivíduos e os povos, ao combate da miséria material e moral de seus contemporâneos e à defesa da liberdade de consciência e de expressão onde estivessem ameaçadas. São esses mesmos ideais que a escola vem mantendo e disseminando até hoje.

Nem preciso dizer que resolvi fazer o curso de primeiro nível e que estou gostando bastante, afinal esses princípios estão alinhados à teoria da humanidade literária a qual sou adepto e desenvolvi ao longo de diversos textos, acadêmicos ou não.

Paz Guerreira, de Talal Husseini

Outra coisa que descobri é que a Nova Acrópole possui publicações próprias — inclusive uma revista muito boa chamada Esfinge. A mais recente dessas publicações é um livro que ganhei da minha professora e que me surpreendeu bastante: Paz Guerreira, de Talal Husseini.

Para resgatar o que há de humano no próprio ser humano — o objetivo principal da escola — é preciso destacar algumas das características que acabaram ficando para trás na sociedade atual. É a partir daí que surge a ideia do caminho das dezesseis pétalas, uma metáfora utilizada ao longo do enredo como forma de representar cada um desses valores: humildade, admiração, força, liderança, obediência, nobreza, honra, cavalaria, retidão, coragem, respeito, regulamento, paciência, valor, determinação e destino.

Não pense você, no entanto, que se trata de mais um daqueles livros que tentam lhe ensinar questões comportamentais através de conceitos repetitivos e contraditórios. Ao longo dos desesseis capítulos de Paz Guerreira você será levado a um universo épico comparável àquele representado em O Senhor dos Anéis, onde conflitos milenares e missões impossíveis permeiam duas realidades paralelas em que sonho e realidade se confundem para culminar com uma grande batalha que decidirá o destino da humanidade.

Com referências filosóficas abundantes para um olho mais acurado — eu, que não tenho grande conhecimento da área, identifiquei conceitos de Platão e Kant, principalmente — , a questão dos valores é tratada de forma representativa nas ações e decisões das personagens, o que leva o leitor a reflexões bastante necessárias hoje em dia, como, por exemplo, o problema do egoísmo em conflito com o altruísmo.

Paz Guerreira é um livro no qual a combinação de fantasia, aventura e filosofia deu muito certo no sentido de alcançar seu propósito, que é apresentar a filosofia de forma menos acadêmica ao leitor médio, permitindo que outras formas de pensar sejam difundidas e, quem sabe, adotadas por muitos que desejam um mundo em que o ser humano tome consciência de tudo daquilo que o diferencia de um animal irracional.

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As 5 dicas de Ernest Hemingway para escrever textos com efetividade

Escrever bem faz diferença.

Nesta sociedade digital em que vivemos, por mais que os conteúdos multimídia cresçam diariamente em volume e importância, a demanda por textos – descritivos ou narrativos, tutoriais ou de referência, em blogs pessoais, na capa do CD ou no cartaz de um evento – é cada vez maior. A qualidade do texto representa, muitas vezes, a diferença entre o leitor clicar ou não no link, comprar ou não o CD, entender ou não o manual de instruções.

É difícil ensinar uma pessoa a escrever bem, e é difícil aprender voluntariamente a escrever bem, pois isso é algo que vem mais da prática e da leitura, e exige também disciplina. Mas existem muitos manuais de estilo e clareza de redação a que você pode recorrer. Os meus preferidos, que eu leio e releio sempre que posso, são o The Elements of Style e o On Writing Well. Em português eu gosto do Manual da Redação da Folha de São Paulo e pretendo ler em breve o baratíssimo Superdicas para Escrever Bem.

Mas aprender com quem já sabe é algo que eu sempre aprecio, e por isto gostei de encontrar as 5 dicas para escrever bem selecionadas por Ernest Hemingway, um dos maiores escritores norte-americanos, e que sempre se caracterizou pelo estilo conciso, direto e claro. Veja abaixo minha transcrição delas, e um link para maiores detalhes.

As 5 dicas de Ernest Hemingway para escrever bem

Elas são curtas e diretas:

  • Use frases curtas: O estilo de Hemingway ia direto ao ponto, minimalista e genial.
  • Inicie com um parágrafo curto: Veja a abertura deste artigo.
  • Escreva com vigor: Transmita sua idéia com energia, deixe evidente o foco, a intenção.
  • Escreva positivamente: Descreva o que as coisas são, e não o que elas não são. Não diga “não é muito caro”, diga “é econômico”. Ao invés de dizer que o software não tem erros, diga que ele é consistente, ou estável.
  • Saiba reconhecer os seus sucessos: publique os textos em que você acertar, e descarte (ou guarde para depois aprimorar) aqueles que não estão no nível de qualidade desejado.

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5 dicas de George Orwell para escrever bem

Orwell escreveu uma série de dicas para melhorar a qualidade das publicações da metade do século XX – e elas continuam atuais na era dos blogs. George Orwell, você sabe, é o autor de “1984″ (o livro que cunhou o conceito e o nome “Big Brother”) e de “A revolução dos bichos”. O que você pode não saber é que em 1946 ele escreveu um texto dando sugestões para melhorar o estado do uso do idioma nas publicações da sua época. As dicas continuam atuais e são excelentes receitas para escrever de forma direta e sem cometer os pecados do lugar comum. E o melhor: podem ser resumidas de forma muito simples. Se você escreve com freqüência, seja em um blog, em relatórios corporativos ou trabalhos escolares, leia a seguir as sugestões do inventor do Big Brother para que você melhore a efetividade da sua comunicação. As dicas de George Orwell: 1. Nunca use chavões, metáforas ou outras figuras de linguagem que você esteja acostumado a ver na imprensa. 2. Nunca use uma palavra longa onde uma curta é suficiente. 3. Se for possível cortar uma palavra, sempre a corte. 4. Nunca use a voz passiva se puder usar a ativa. 5. Nunca use uma frase estrangeira, um termo científico ou um jargão se você consegue pensar em um equivalente comum. 6. Quebre qualquer destas regras antes de escrever alguma barbaridade. Das regras acima, o que mais me irrita como leitor é quando um autor quebra a primeira. Veja mais detalhes e referências em 5 Rules of Effective Writing, by George Orwell. Se você acha interessante aprender com dicas simples dos grandes mestres da escrita contemporânea, leia também o artigo As 5 dicas de Ernest Hemingway para escrever textos com efetividade.

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ABL discorda da posição do MEC

Agência FAPESP – A corrente discussão sobre a tolerância em relação a alguns desvios de linguagem é importante para os pesquisadores científicos, de que em geral as entidades universitárias e de fomento à pesquisa exigem que apresentem seus relatórios e projetos redigidos de acordo com a norma culta da língua portuguesa vigente.

A respeito desse tema, a Academia Brasileira de Letras divulgou a nota abaixo reproduzida.

“O Cultivo da Língua Portuguesa é preocupação central e histórica da Academia Brasileira de Letras e é com esta motivação que a Casa de Machado de Assis vem estranhar certas posições teóricas dos autores de livros que chegam às mãos de alunos dos cursos Fundamental e Médio com a chancela do Ministério da Educação, órgão que se vem empenhando em melhorar o nível do ensino escolar no Brasil.

Todas as feições sociais do nosso idioma constituem objeto de disciplinas científicas, mas bem diferente é a tarefa do professor de Língua Portuguesa, que espera encontrar no livro didático o respaldo dos usos da língua padrão que ministra a seus discípulos, variedade que eles deverão conhecer e praticar no exercício da efetiva ascensão social que a escola lhes proporciona. A posição teórica dos autores do livro didático que vem merecendo a justa crítica de professores e de todos os interessados no cultivo da língua padrão segue caminho diferente do que se aprende nos bons cursos de Teoria da Linguagem. O nosso primeiro e grande linguista brasileiro, Mattoso Câmara Jr., nos orienta para o bom caminho nesta lição já de tantos anos, mas ainda oportuna, a respeito da qual devem refletir os autores de obras didáticas sobre a língua materna: “Assim, a gramática normativa tem o seu lugar no ensino, e não se anula diante da gramática descritiva. Mas é em lugar à parte, imposto por injunções de ordem prática dentro da sociedade. É um erro profundamente perturbador misturar as duas disciplinas e, pior ainda, fazer linguística sincrônica com preocupações normativas” (Estrutura da Língua Portuguesa, 5). O manual que o Ministério levou às nossas escolas não o ajudará no empenho pela melhoria a que o Ministro tão justamente aspira.”

Mais informações: www.academia.org.br

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Série Os clássicos não envelhecem: Os Sertões V

Parte 6 – Repercursão de textos bateu até Os Sertões

Por Nísia Trindade Lima

“Após ler o texto do cientista Huber do Museu do Pará (atual Goeldi, mudou radicalmente de opinião. Viu-se como que diante de uma nova página do Gênesis – tratava-se de um mundo em criação onde o homem teria chegado antes da hora. Passa, então, a contruir todo um argumento sobre a tensão permanente entre homens e natureza.”

“…o oeste de São Paulo foi designado como sertão em fins do século 19 e início do século 20. Na verdade, sertão significava os espaços tidos como incivilizados, distantes do litoral e das autoridades do Estado.”

“Mas há outro sentido para esta ideia da Amazônia como um outro sertão e consiste no encontro do personagem principal do drama nacional escrito por Euclides: o sertanejo do nordeste (região que ainda não era assim designada) que rumara para a região amazônica.”

“Diante do homem errante , a natureza é estável; e, aos olhos do homem sedentário, que planeie submetê-la à estabilidade das culturas, aparece espantosamente revolta e volúvel, surpreendendo-o, assaltando-o por vezes, quase sempre afugentando-o e espavorindo-o.”

Parte 7 – Na ausência de epopeia resta o vazio

Por Francisco Foot Hardman

“Euclides traçou as primeiras cartas geográficas importantes do Alto Purus, documentos que estão até hoje no Palácio do Itamaraty.”

“O Ceará é um marco importante para Euclides. Em vários momentos em À margem da História  ele reporta a importância das grandes levas de migrantes que saírm do Ceará a partir da seca terrível de 1877, rumo à Amazônia.”



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Série clássicos não envelhecem: Os Sertões – Parte II

A batalha entre clássico x atual prossegue. Quer dizer, na verdade não encaro muito como batalha. Se compararmos (outra vez) a leitura com a alimentação, poderíamos colocar assim:

O clássico é um prato de comida que, além de gostosa (!) tem todos os nutrientes de que seu corpo (ou cérebro) precisa. O best-seller é Fast Food, é bom, você come rápido mas praticamente não te nutre, só engana o estômago e eventualmente pode te fazer ganhar peso.

De modo que não há problema algum em consumir, tanto best-sellers como fast food, que ao meu ver são produtos com o mesmo cuidado de preparo, desde de que se mantenha uma dieta equilibrada (de comida e bon autores).

Mas, se ainda assim, for preciso um pouco mais de incentivo, te aconselho a dar uma olhada aqui ó.

Então, continuando com “Os Sertões”.

Antes de prosseguir, talvez seja interessante uma breve cronologia do autor (extraída do mesmo especial, do jornal O estado de São Paulo de 23 de agosto de 2009).

Cronologia:

1866 – Nasce em cantagalo (RJ), em 20 de janeiro. Perde a mãe aos 3 anos de idade.

1877-1878 Estuda no colégio Bahia , em Salvador.

1879 – Volta ao Rio de Janeiro.

1885 – Cursa a Escola Politécnica.

1886 – Assenta praça na Escola Militar, na Praia Vermelha.

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Série clássicos não envelhecem: Os Sertões VI

Parte 8 – Perguntas e respostas

A ideia de sertão virou uma categoria analítica depois de Euclides da Cunha?

Por Nísia Trindade Lima: Sertão é uma categoria nitidamente política e nunca denotou um espaço geográfico claramente definido.[…] Desde a colônia, o termo sertão é usado para espaços afastados do litoral que se caracterizam por estarem distante do poder do Estado.[…]Portanto , não está nessa imagema originalidade do pensamento de Euclides da Cunha.

O cientificismo presente na prosa de Euclides também aparece na poesia?

Por Francisco Foot Hardman:[…] A poesia surge, assim, absolutamente dentro do contexto das matérias que tinha na sala de aula.

A ideia de’paraíso verde’  impede que vejamos a Amazônia como ela é?


Essa visão de pulmão do mundo e outros grandes clichês escondem que, na Amazônia as pessoas ainda morrem de malária, de leishmaniose. A fantasia cria mitos que ocultam a verdade. Você tem que dar voz aos cientistas da Fiocruz, do Inpa, da Embrapa, do Museu Goeldi, gente que trabalha com pesquisa na Amazônia. Ouvir o que os ribeirinhos tem a dizer. Não se pode proibir a caça de tartaruga o ano todo, proibir as pessoas de comer. […] Ele ficou tão enlouquecido com aquela grandeza, tão desarmado, que no prefácio do livro do LAberto Rangel , O Inferno Verde, escreveu que a Amazônia é tão grande, tão complexa, que é uma espécie de infinito que deve ser dosado.”

Parte 9 – “Consagrado, ele continua um enigma”

Por Leopoldo Bernucci

A lição deixada por Euclides é a da relevância da busca de conhecimento, da exploração de saberes não diretamente ligados especificamente à nossa formação.”

“A trágica morte de Euclides, a despeito dos esclarecimentos que absolveram Dilermando de Assis, é o tipo de morte que não se pode chamar até hoje de assassinato, porquanto o agredido agiu em legítima defesa.”

“Qual foi seu grande milagre então? Ser todas essas coisas e não ter cedido á vulgaridade de encontrar-se na patética situação de justificar publicamente todas as imperfeições de sua mundana existência.”

Palestrantes:

Leopoldo Bernucci Professor de Literatura Latino-Americana da Universidade da Califórnia, organizou “Discurso, Ciência e Controvérsia em Euclides da Cunha (EDUSP) e, com Francisco Foot Hardman “Euclides da Cunha: Poesia Reunida (Editora Unesp);


José Leonardo do Nascimento Professor do Instituto de Artes da Unesp, é autor, de , entre outros, Os Sertões de Euclides da Cunha: Releituras e Diálogos (Unesp) e de Primo Basílio na Imprensa Brasileira do século XX (UNESP).

José Celso Martinez Ator, dramaturgo, diretor e fundador do Teatro Oficina de São Paulo, realizou a adaptação de OS Sertões para o palco entre 2002 e 2006.

Walnice Nogueira Galvão Professora de Teoria Literária e Literatura Comparada da USP, é autora de mais de 30 obras, 12 das quais dedicadas a Euclides da Cunha e Canudos.

Luiz Costa Lima Professor titular de literatura da PUC-RJ, é autor , entre outros, de Terra Ignota – A Construção de Os Sertões (Civilização Brasileira).




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Picaretagem indômita, ou como forjar um best-seller

Picaretagem indômita, ou como forjar um best-seller.

Via Livros e Afins.

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Livro dominós

Olha que vídeo mais lindinho.

Via Livros e Afins

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