Arquivo do mês: fevereiro 2011

Os duendes do desleixo

Os duendes do desleixo

Desde pequena sofro as ações de pequenos terroristas que, como nunca tiveram a delicadeza de apresentarem-se, resolvi chamá-los de “duendes do desleixo”.

Talvez você já tenha sofrido também, mas não sabe, e se sabe, não acredita, e se acredita, bem, eu não conheço mais ninguém que acredite que eles existem.

É assim ó: Eu tomo cuidado com as coisas, juro! Mas acontece que não importa o quanto eu sue sangue (OH!) as coisas que passam por mim, ou pela minha bolsa (em geral pela minha bolsa, eles tomaram este território. ) então, qualquer coisa que eu toque aparece de repente suja, amassada, rasgada,ou todas e outras alternativas anteriores.

Pôxa! Isso causa constrangimentos. E, se eu tomei cuidado, então, quem foi? Darth Vaider? Os Templários?Nãaaaaao. São os duendes do desleixo!

MORTE A ELES!!!!!!!!

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O que eu ia ser quando crescesse

Há algum tempo, nos bancos da escola eu pensava em trabalhar com publicidade.
Depois descobri que minha praia era outra.
Mas quando eu vejo propagandas como essa tenho vontade de poder brincar com coisas assim…muito criativas
Para quem, como eu, viu depois de todo mundo comentar

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Lista dos livros que não queria que terminassem

Sabe quando o livro é bom, mas tão bom que quando vai chegando ao final você não quer terminar?

Que mesmo em cólicas de curiosidade para saber o que acontece aos personagens não quer chegar ao fim, para não se despedir deles?

Isso, em geral , acontece comigo, então abaixo vai a lista dos 10 livros que eu não queria que terminassem:

 

1- O Tempo e o Vento – Érico Veríssimo.

A edição que eu tenho em casa ficou séculos fechada na estante. Fui ter a curiosidade de ler por indicação da minha amiga (gaúcha!) Anna, que havia lido e gostado e queria reler.

A cada volume que terminava a sensação de despedida era terrível, mas no último dos quatro generosos volumes eu “inventava as mais bobas desculpas” para não terminar de ler e assim, não ter que me despedir do Capitão Rodrigo Cambará e os seus.

2 – Água Viva – Clarice Lispector .

Aqui não se trata do fim de uma história ou de um personagem, uma vez que a história é quase um poema em prosa e não mostra nenhum enredo, são apenas “sensações”. Justamente por isso, o texto é tão fluído, tão doce, que quando termina, parece que se acorda de uma espécie de encantamento.

3 – A história sem fim – Michael Ende

Esta, ainda que não pareça, é uma história sobre formação de personalidade. O menino protagonista procura fugir de seu mundo entediante e durante as aventuras que tem lendo o livro que dá título a história aprende lições de amizade, escolas, querer e poder, entre outras. Um livro ótimo para crianças, ainda melhor para adultos e que dá até uma tristeza quando chegam as páginas finais, pois assim como Bastian, teremos que fechar o livro e conviver com o mundo real.

4 – Sidarta – Hermann Hesse .

Este livro fluiu numa velocidade tão grande que, quando dei por mim, percebi que não tinha absorvido-o direito. Este clássico de Herman Hesse fala sobre o caminho da individuação, do acreditar em si mesmo e das coisas importantes que precisamos descobrir sozinhos, e quando você pensa que não, já está se despedindo dele.Ah. a título de curiosidade, dê uma olhada aqui (linkar com http://www.sidarta.g12.br/) .

5 – O Pequeno Príncipe – Saint Antoine d’Exuperí

Tido e havido como livro infantil, ou assíduo freqüentador de cabeceiras de miss, o livro foi ganhando estereótipo de clichê e fácil, mas ali está uma lição breve e simples sobre a conquista e a manutenção dos relacionamentos. Outro destes que dá vontade de adiar, adiar, adiar o final para não nos separarmos do principezinho.

6 – Admirável Mundo Novo – Aldous Huxley

Saindo um pouco de prosas suaves (e aveludadas) este aqui também ao dá vontade que termine porque é bom, mas além disso, há o temor de levantarmos os olhos para o mundo atual e vermos que ele não é tão ficcional assim.

7- 1984 – George Orwell

O que está escrito no tópico anterior, aplica-se a este também. Não é nenhum livro fácil e macio, pelo contrário, vai te chocando, chocando, chocando, até que você não quer que chegue ao final apara não se deparar com as piores atrocidades que, sabemos bem, não estão apenas ali, dentro do livro.

8- Fahrenheit 451 – Ray Bradbury

Seguindo a linha da ficção distópica, este é outro que, não obstante a simpatia que é Montag, o protagonista, ainda dá medo de perceber que nossa realidade é disto para pior.

9-No fim dá certo – Fernando Sabino

Voltando aos livros doces, este por ser feito de crônicas ainda vai mais de pressa, e a prosa divertida de Fernando Sabino colabora com os causos, em geral, esperançosos contados neste volume que leva o nome de uma compilação de conselhos de seu pai.

10- Cem anos de Solidão – Gabriel García Márquez

Cem anos de Solidão conta a saga dos Buendía durante gerações e gerações. Confuso, cíclico, longo e…delicioso, ainda que muitas vezes pareça que nunca vai terminar, quando vai chegando ao fim , pronto, já dá saudade dos personagens.

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O Caderno de rabiscos para adultos entediados no trabalho

Você acha a sua rotina modorrenta?

Já não tem mais droga nenhuma para fazer nesta droga de respartição?

Você precisa de uma distração para evitar de enfiar o extrator de grampos nos olhos do primeiro colega que puxar assunto?

Então, SEUS PROBLEMAS ACABARAAAAM  com o inovador  Caderno de Rabiscos para Adultos Entediados.

Meu, como eu nunca pensei nisso!!!! FAlando sério, ou quase, é demais, tem desenhos para colorir, como por exemplo, do sapo que você acabou de engolir, desenho para completar , como a sacola do seu chefe que vocêprecisa puxar, enfim. É sensacional.

Mas não é só isso, tem este também:

Não sei como pude viver até hoje sem um destes!!!!! Não saia de casa sem eles.

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Cuidado!Pode causar catatonia citopênica

Quando nada no mundo parecia fazer sentido.

Enquanto eu esperava avidamente que as múmias do Egito acabassem com os conflitos que pipocam por lá…

Eis que descobri isto :

E Entrei em estado de Catatonia Citopênica.

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Chiliques Femininos

texto extraído na íntegra do blog: http://brunarangel.wordpress.com/2008/10/30/chiliques-femininos/

Assim como cachorro late, pomba arrulha e gato mia, mulher chilica. É algo simplesmente natural, intrínseco. Sei lá se são os hormônios ou se a culpa é toda da vaca da Eva, mas o fato é um só: você terá que lidar com chiliques femininos durante toda sua existência como humano (não sei ao certo se cadelas, pombas e gatas também chilicam). Por isso pense mil e quinhentas vezes antes de mandá-la a merda. E isso não é uma desculpa para os ataques dignos de rotweiller com fome que as mocinhas têm quando menos se espera; é uma constatação para tornar a vida mais fácil. A sua e a nossa.

 Feito o Big Bang, o faniquito transforma a matéria calma, aparentemente inerte, no maior estrondo do universo. A diferença é que nenhuma vida é criada. E a sua sempre corre perigo. Mas será que ele vem do nada? Errado! Essa história é coisa criada por homem.

 Homens são toscos demais para notar as sutilezas do nascimento de um chilique (sim, sempre há uma razão para eles). Pode ter sido o jeito rude que você reagiu quando ela te perguntou algo. Pode ter sido aquela “coisinha à toa” do dia em que ela estava de cama uivando de tanta cólica, vivendo horas “felizes e inesquecíveis” a base de bolsa de água quente e atroveran, e você, bocó do jeito que é, não desmarcou o chopinho com os amigos. E voltou uma da manhã, bêbado, não entendo o porque daquele alarde todo que ela deu. O faniquito pode nascer de um olhar desviado, da falta de atenção nas palavras dela, porque você estava muito calado, não interessa: ela sabe muito bem (e sente muito bem) a razão daquela explosão toda. E é bom você ir aprendendo.

 Antes de sair andando e deixar a moça sozinha a espernear, tente entender o motivo daquela cena medonha (mulheres chilicadas jamais são bonitinhas). Mesmo que você não encontre vestígio de razão para tal ataque, procure. Dê um rewind na sua memória recente e detecte meia dúzia de coisas que ela pode ter achado suficientemente más para queimá-lo vivo. Afaste as facas, tesouras e qualquer objeto cortante e vá se desculpando de uma por uma, sem parar, sem tomar ar, sem dar chance dela retrucar com gritos, cinismo ou, a pior das armas, as lágrimas. Não deixe a bola cair e verá que em instantes sua sincera tentativa de se redimir causará o apaziguamento da alma daquela mulher à sua frente. E, claro, um “bálsamo” para seus ouvidos. Ela ficará linda, aninhada em seus braços, ainda teimando que tem razão, mas mansa – o que é o mais importante.

 Use esse artifício uma vez, duas no máximo: todas nós merecemos uma boa e generosa dose de compreensão. Não questione isso, apenas aceite e cale a boca se não quiser começar a briga de novo. Mas se ela chilicar mais do que três ou quatro vezes num período de tempo inferior a três ou quatro TPM´s, a sua princesinha está precisando não é de compreensão, é de porrada mesmo: ninguém tem direito de ser tão chato. Nem mesmo uma mulher.

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Biografias – Quem tem medo?

Lembro-me ainda da primeira biografia que li. Menos de seu conteúdo de que da sensação de curiosidade que aquilo me fazia ter.

Era estranho para mim, do auto dos meus 11 ou 12 anos, alguém estudar a vida de outro, compilar tanta informação e não parecer fofoca ou tietagem.

Nunca entendi bem a  tietagem.

Sou fã de muita gente. A maioria desta gente não está mais viva. Talvez por isso ache estranho alguém dedicar a vida à acompanhar a carreira de outrem. Enfim, são tantas esquisitices neste mundo. Se a maior fosse esta…

Mas então, a tal biografia era sobre John Lennon.

Muito tempo e muitos livros depois, ganhei como presente de formatura a biografia Clarice, de Benjamim Moser.

EU AMO A CLARICE!!!! Queria ser ela quando crescer.

E foi uma das coisas mais sensacionais que eu já lí e definitivamente me abriu para o mundo das biografias. Claro que para ser boa, o biógrafo precisa ter intimidade com o tema, por exeplo, li uma fotobiografia do Fernando Pessoa que era tão legal quanto ler  conta de água. Ainda que  o poeta seja um dos meus favoritos.

Então, imaginemvocê, qual não foi minha surpresa ao ler que em 31 de janeiro foi engavetada na Câmara dos Deputadosuma emenda constitucional que previa  “a divulgação da imagem e de informações biográficas sobre pessoas de notoriedade pública, personalidades da política e da cultura”.

A quem interessar possa, esta emenda é um projeto do Palocci (ao menos uma né?) que está tentando junto ao Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ver se acha um, deputado sensível à causa. Os antagonistas do projeto são a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e deputados como Paulo Maluf. (porque será que ele tem medo de biografias?)

O  problema das biografias tupiniquins é que o biografado se revolta ao invés de sentir-se lisonjeado com a obra. Lembram-se da indenização a um “personagem” secundário de “Meu nome não é Johnny”, do jornalista Guilherme Fiúza, a retirada de circulação da biografia do Rei Roberto Carlos, de Paulo César Araújo, igual o caso deRuy Castro e as herdeiras de  Garrincha ou ainda das ameaças de Kika Seixas, endereçadas a diversas editoras que eventualmente venham a publicar alguma biografia não-autorizada de Rauzito.

Fico me perguntando porque será que as pessoas tem vergonha de suas histórias. Digo isso porque, a partir do momento que você abre mão de seu anonimato e torna-se uma pessoa pública, ora pois, torna-se pública.

Claro que o biógrafo precisa ter sensibilidade e respeito ao abordar polêmicas e fatos com várias versões, mas não permitir ao público conhecer a vida de seus ídolos é no mínimo, esquisito.

Em 24 de janeiro deste ano o  “Notícia em foco”, da CBN, tratou do tema com os escritores Guilherme Fiúza e Fernando Morais. Para ouvi-lo clique no link abaixo.

Acesse o link <http://cbn.globoradio.globo.com/programas/noticia-em-foco/2011/01/24/BIOGRAFIAS-SAO-ALVOS-DE-ACOES-JUDICIAIS-E-SE-TORNAM-UM-SEGMENTO-LITERARIO-DE-ALTO-RISC.htm>

Recebi esta nóticia pelo CBN express livros. http://www.cbn.com.br/>

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Cresce a lista do VOU LER UM DIA

Eu não me aguento com comercial de livro!!!!

Como assim? Já explico. Quero comprar tudo.

Agorinha mesmo recebi a newsletter do CBNLivros e já cresci a minha lista de “VOULERUMDIA”. E os indicados foram:

“O discurso do rei” de Peter Conradi e Mark Logue, sobre a trajetória de George VI entre a gaguez e o trono britânico. (José Olympio, R$ 29,90)

“Bravura indômita” de Charles Portis. O livro de 1968, talvez seja a melhor notícia literária causada pela premiação. Ressurge na refilmagem dos irmãos Coen, mais de 40 anos após dar a John Wayne seu único Oscar.(Alfaguara, R$ 29,90)

“O retrato de uma mulher desconhecida”  de Vanora Benett, traça um interessante painel do império britânico, no século XVI, a partir do retrato da vida privada da família do filósofo Thomas More.(Record, R$ 44,90).

As dicas foram dadas pelo zegodoy@hotmail.com.

(José Godoy é escritor e editor. Mestre em teoria literária pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), colabora com diversos veículos, como a revista “Legado”, da qual é colunista, e os jornais “Valor Econômico” e “O Globo”. Desde 2006, apresenta o programa “Fim de Expediente”, junto com Dan Stulbach e Luiz Gustavo Medina. O blog do programa está no portal G1.)

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O Professor de Gramática da Graduação

UM TEXTINHO DE PRESENTE

Não vou citar nomes para não ficar chato.

Quem ler, incluindo o próprio, saberá de quem estou falando.

Ele era o professor mais cobiçados entre as garotas e alguns, digamos, garotos, do curso de Letras da Universidade.

Ainda que se vestisse parentemente sem muito cuidado e jamais eu tenha o visto dando qualquer espaço para assédio. Era um homem casado e muito sério. E a graça estava aí.

Ele detinha o saber e o modo com que transmitia era … colocarei incrível por não querer derivar um adjetivo do nome.

Aliás, ele reprovaria o com que usado na frase anterior. Ok.

De certa feita, enquanto andava perdida entre trabalhos e lições e ciúmes de um certo alguém, houve uma prova dele. Análise sintática.

Ele sabia. Ele sabia tanto, que nos confundia a todos. Cada qual por um motivo diferente. Sob o signo de escorpião ele escavava minunciosamente. E lá estava eu, ele, a prova, uma estrela de cinco pontas e uma moça que prefiro não adjetivar,  pois isto aqui é um blog de família.

Não havia análise sintática bastante para mim aquele dia. Depois de encher a prova de símbolos astrológicos, entreguei-a envergonhada e fui conjugar outros verbos que me afligiam à época.

Três.

Esta foi a nota que ele generosamente me deu, pois que eu não merecia nem isso.

Zanguei-me, como boa pisciana, silenciosamente. Zanguei-me comigo, por não conseguir transpor em regras o que a intuição sabia, zanguei-me por ser competitiva e ver que o sujeito de outras orações tirava uma nota melhor que a minha e zanguei-me triste por desapontá-lo.

Dada a oportunidade, disse-lhe com palavras minhas e de  Clarice Lispector, que respeitava muito a gramática, mas gostar, não gostava não.

Passou-se o tempo.

No último semestre muita água já tinha passado embaixo de nossas orações nem sempre coordenadas.

Suas aulas eram as últimas. Todos os alunos, exceto o tal sujeito eu eu,iam embora fosse ou não preciso, mas nós ficávamos para ouvir o canto do cisne. Aquele tempo estava passando, e não queríamos deixá-lo escorrer assim de pronto.

E então o professor floresceu. Então aprendi  o que em outros semestres, devido a minha não pequena dificuldade com regras, apenas sabia de sentir. Convivi com o professor apaixonado pela estranha magia de símbolos combiandos chamada Literatura. Senti sua paixão.

Porém, mesmo depois disso tudo e da sempre presente gentileza e cavalheirismo, sempre desconfiei se aquele professor constante e mudamente me odiou por eu não amar as coisas do jeito que ele amava-as.

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Tempos Obscuros

I

Durante muito tempo eu fui destas pessoas que acham que se deve dizer tudo. Eu devo aos grandes silêncios de meu pai, meus complexos silêncios de agora. Existem coisas na vida que não tem resposta. Ás vezes acho mesmo que a vida é uma grande pergunta, que só respondemos com a morte, para uma parcela das pessoas, física. Se eu estivesse agora diante de seus olhos você não me diferenciaria na multidão. Coisa que ofenderia meu ego, mas no fundo, sei que é melhor esta proteçãoDurante muito tempo eu fui destas pessoas que acham que se deve dizer tudo. Eu devo aos grandes silêncios de meu pai, meus complexos silêncios de agora. Existem coisas na vida que não tem resposta. Ás vezes acho mesmo que a vida é uma grande pergunta, que só respondemos com a morte, para uma parcela das pessoas, física. Se eu estivesse agora diante de seus olhos você não me diferenciaria na multidão. Coisa que ofenderia meu ego, mas no fundo, sei que é melhor esta proteção do anonimato. É isso que me permite acordar e ser uma pessoa diferente, ao menos tentar ser, para não ser tragada pela população fecunda da cidade que eu vivo. Aqui eu vivo. Mas não sou daqui. Na verdade, não sou de lugar algum, que é também um jeito de ser de qualquer lugar. Me encaixo quase bem em qualquer fresta, por que sei que se houve lugar para entrar também, quase sempre há saída. Agora faça de conta que nada disso foi dito. Se você quiser ainda saber de mim, aí é por sua conta e risco. A partir de agora serei mais direta. Ainda sou jovem o bastante para que meu corpo alcance as minhas idéias, ainda que muitas vezes ele simplesmente se prostre na hora H. Tudo isso é relativo. Quando abrir meus olhos verei à frente uma bagunça que não sei nem dizer direito como foi que começou. Este é o relato do fim dos tempos. Passamos pelo tão famoso apocalipse sem perceber. O que sobrou de nosso povo é isso que se vê pela rua, uma grande massa de seres incapazes de calcular quantos pedaços de pizza formam oito pizzas. Isso é um fato real. Não ria. Há quem diga, ou pense, no caso dos menos corajosos, que isso foi incitado por uma grande potência estrangeira e que, a médio prazo seremos colonizados. Não sei se faria lá muita diferença. Nossos hábitos já o foram há tempos e ninguém se esforçou muito por perceber. Em menos de três décadas, após anos dourados em que acreditava-se que seríamos o país do futuro, uma maneira de viver completamente alheia à nossa, se é que possuíamos, foi instaurando-se como uma pequena infiltração nas paredes das casas todas. Necessidades prementes de coisas que antes nunca fizeram falta, a isso alguns chamavam de inovação tecnológica, outros de globalização, outros de progresso, tudo dependia de que lado você estava do balcão e que faixa da sociedade você ocupava. Com isso nosso povo ficou cabeça a cabeça com os povos mais desenvolvidos no que tange às questões de consumo tecnológico. Dominávamos o ranking das redes sociais. Nós, mundialmente conhecidos pela simpatia, pela hospitalidade e pelos baixíssimos níveis de educação de nossa população. Este foi justamente o ponto. A tecnologia como bem de consumo entrava na vida das pessoas para ficar. Não havia um só domicílio que não possuísse àqueles itens imprescindíveis para a sobrevivência humana. Não, não era rede de esgoto ou água encanada, nem ar puro. do anonimato. É isso que me permite acordar e ser uma pessoa diferente, ao menos tentar ser, para não ser tragada pela população fecunda da cidade que eu vivo. Aqui eu vivo. Mas não sou daqui. Na verdade, não sou de lugar algum, que é também um jeito de ser de qualquer lugar. Me encaixo quase bem em qualquer fresta, por que sei que se houve lugar para entrar também, quase sempre há saída. Agora faça de conta que nada disso foi dito. Se você quiser ainda saber de mim, aí é por sua conta e risco. A partir de agora serei mais direta. Ainda sou jovem o bastante para que meu corpo alcance as minhas idéias, ainda que muitas vezes ele simplesmente se prostre na hora H. Tudo isso é relativo. Quando abrir meus olhos verei à frente uma bagunça que não sei nem dizer direito como foi que começou. Este é o relato do fim dos tempos. Passamos pelo tão famoso apocalipse sem perceber. O que sobrou de nosso povo é isso que se vê pela rua, uma grande massa de seres incapazes de calcular quantos pedaços de pizza formam oito pizzas. Isso é um fato real. Não ria. Há quem diga, ou pense, no caso dos menos corajosos, que isso foi incitado por uma grande potência estrangeira e que, a médio prazo seremos colonizados. Não sei se faria lá muita diferença. Nossos hábitos já o foram há tempos e ninguém se esforçou muito por perceber. Em menos de três décadas, após anos dourados em que acreditava-se que seríamos o país do futuro, uma maneira de viver completamente alheia à nossa, se é que possuíamos, foi instaurando-se como uma pequena infiltração nas paredes das casas todas. Necessidades prementes de coisas que antes nunca fizeram falta, a isso alguns chamavam de inovação tecnológica, outros de globalização, outros de progresso, tudo dependia de que lado você estava do balcão e que faixa da sociedade você ocupava. Com isso nosso povo ficou cabeça a cabeça com os povos mais desenvolvidos no que tange às questões de consumo tecnológico. Dominávamos o ranking das redes sociais. Nós, mundialmente conhecidos pela simpatia, pela hospitalidade e pelos baixíssimos níveis de educação de nossa população. Este foi justamente o ponto. A tecnologia como bem de consumo entrava na vida das pessoas para ficar. Não havia um só domicílio que não possuísse àqueles itens imprescindíveis para a sobrevivência humana. Não, não era rede de esgoto ou água encanada, nem ar puro.

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